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Policiais militares de São Paulo recebem salário extra para atuar em novo batalhão de motos com fuzis, que reúne 250 agentes, não tem efetivo próprio nem comandante fixo

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 09/10/2026 às 09:53
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Policiais militares de São Paulo recebem salário extra para atuar em novo batalhão de motos com fuzis, que reúne 250 agentes, não tem efetivo próprio nem comandante fixo
Policiais militares atuam em patrulhamento tático com motocicletas em São Paulo. O novo Batalhão Bravo reúne aproximadamente 250 agentes e 150 motos, com parte dos integrantes recebendo remuneração adicional por trabalhar durante as folgas. Imagem ilustrativa criada por IA.

Criado pelo governo Tarcísio de Freitas para combater roubos e furtos, o Batalhão Bravo utiliza policiais de diferentes unidades da PM, incluindo agentes que trabalham durante as folgas e recebem diárias adicionais. A estrutura funciona sem sede formal e tem 150 motocicletas disponíveis para operações na capital paulista.

Parte dos policiais militares de São Paulo que integram o novo Batalhão de Resposta Avançada Operacional (Bravo) está recebendo dinheiro extra para participar das operações de policiamento ostensivo nas ruas da capital. O pagamento ocorre porque alguns agentes são escalados para trabalhar em seus dias de folga, por meio de um programa estadual de jornadas extraordinárias.

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, com base em declarações do coronel Henguel Ricardo Pereira, secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e segundo nome na hierarquia da pasta.

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O modelo chama atenção por uma particularidade: embora seja apresentado como um novo batalhão, o Bravo não possui efetivo próprio, comandante fixo ou sede formal. Sua estrutura reúne aproximadamente 250 policiais militares e 150 motocicletas, com integrantes deslocados de diferentes organizações da corporação.

Na prática, o governo paulista criou uma força de emprego operacional que combina policiais já vinculados a outras unidades com profissionais que podem ser remunerados por jornadas adicionais. A estratégia procura ampliar a presença policial em regiões consideradas sensíveis, especialmente nos corredores de trânsito onde criminosos praticam roubos e furtos de celulares.

Policiais trabalham durante as folgas e recebem pagamento adicional por meio da Dejem

A remuneração extraordinária destinada a parte dos integrantes do Bravo é realizada pela Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar, conhecida como Dejem.

Instituído pela Lei Complementar estadual nº 1.227, de 19 de dezembro de 2013, o programa permite que policiais militares prestem serviços fora de sua jornada regular e recebam uma diária adicional.

A legislação estabelece que a participação é facultativa e prevê jornadas extraordinárias de oito horas, limitadas a dez diárias mensais. O valor varia conforme o grau hierárquico, com coeficientes diferentes para oficiais e praças, categoria que reúne soldados, cabos, sargentos e subtenentes.

O pagamento não representa um aumento permanente do salário-base do militar. Trata-se de uma remuneração específica pelo serviço extraordinário, que não é incorporada aos vencimentos regulares.

Esse detalhe é importante porque o reforço operacional depende, ao menos em parte, da disponibilidade de militares que aceitam trabalhar em períodos originalmente destinados ao descanso.

Segundo a reportagem da Folha, o coronel Henguel Ricardo Pereira confirmou a utilização do mecanismo no Bravo, mas não revelou quantos dos aproximadamente 250 policiais estão recebendo diárias adicionais.

Também não foi informado o custo mensal total das jornadas extraordinárias vinculadas à nova estrutura.

Embora a Dejem e a Operação Delegada sejam frequentemente associadas ao trabalho remunerado durante as folgas, elas não são o mesmo programa. A primeira é uma modalidade estadual de serviço extraordinário, enquanto a segunda envolve atividades desenvolvidas em convênios específicos, como os firmados entre municípios e o governo paulista.

Batalhão com 250 policiais e 150 motos funciona sem efetivo próprio e sem comandante fixo

A organização administrativa do Bravo difere do modelo tradicional de batalhão da Polícia Militar.

Enquanto as unidades convencionais possuem estrutura organizacional própria e uma cadeia de comando definida, o novo grupamento funciona como uma organização de emprego operacional composta por integrantes de batalhões já existentes.

De acordo com o secretário-executivo da SSP, trata-se de um batalhão matricial, cuja implementação não exigiu a edição de um decreto específico de criação.

O coronel Alexandre Vilariço, responsável pela Coordenadoria Operacional da Polícia Militar, já havia explicado à Folha que cabe à coordenadoria determinar onde o Bravo será empregado.

A força reúne policiais de diferentes segmentos da corporação, entre eles o 2º Batalhão de Choque, que possui experiência no emprego de motocicletas em escoltas e grandes eventos, e o 7º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep).

Também participam integrantes do Comando de Policiamento de Trânsito e de batalhões territoriais responsáveis pelo patrulhamento cotidiano dos bairros.

Essa composição permite concentrar profissionais com experiências distintas em operações específicas, sem que todos precisem ser definitivamente transferidos de suas unidades de origem.

Existe, porém, uma diferença relevante entre reforçar o policiamento por meio da redistribuição de agentes e ampliar permanentemente o efetivo da corporação. O Bravo representa uma nova forma de organizar e empregar os recursos humanos existentes, não necessariamente um aumento do número total de policiais militares disponíveis no estado.

A Secretaria da Segurança Pública defende justamente essa flexibilidade. Henguel classificou o mecanismo como uma forma de proporcionar maior capacidade operacional sem precisar deslocar definitivamente policiais para uma nova organização.

Motocicletas, fuzis e câmeras corporais integram a estratégia contra roubos e furtos

O Bravo foi lançado em setembro de 2026, durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas, com a proposta de reforçar o enfrentamento aos roubos e furtos praticados em grandes vias da cidade de São Paulo.

Um dos principais alvos são os crimes conhecidos como quebra-vidro, nos quais criminosos aproveitam veículos parados ou em baixa velocidade para subtrair aparelhos celulares e outros objetos.

A unidade utiliza equipes de motociclistas, algumas formadas por duplas de policiais com armamento de maior poder de fogo, incluindo fuzis.

O emprego das motos busca superar uma limitação frequente das viaturas convencionais: a dificuldade de deslocamento em avenidas congestionadas.

Uma das áreas citadas pelo secretário-executivo da SSP foi a avenida 23 de Maio, importante corredor viário da capital paulista. Em situações de trânsito intenso, as motocicletas conseguem circular com maior mobilidade e chegar mais rapidamente a determinados pontos.

Segundo Henguel, a estratégia reúne três componentes: presença policial, mobilidade e capacidade de controle.

O emprego do grupamento também não ficará restrito aos crimes envolvendo celulares. A previsão é utilizar a estrutura no enfrentamento de outras modalidades criminosas, incluindo o tráfico de drogas.

Os policiais que participam das operações utilizam câmeras corporais, e as equipes contam com apoio de viaturas.

Em 6 e 7 de outubro, terça e quarta-feira, integrantes do Bravo realizaram patrulhamento em ruas da zona norte da capital paulista.

Pagamentos adicionais e ausência de efetivo exclusivo levantam questões sobre o custo da operação

A utilização da Dejem permite aumentar temporariamente o número de policiais empregados nas ruas sem realizar imediatamente novas contratações ou criar cargos específicos para uma unidade.

Mas essa solução não significa ausência de despesas.

Mesmo quando não há ampliação permanente do quadro de pessoal, o pagamento de jornadas extraordinárias representa um gasto com recursos públicos. O custo depende da quantidade de policiais escalados, dos respectivos postos ou graduações e do número de diárias realizadas.

O ponto ainda sem esclarecimento é a dimensão desse gasto no Batalhão Bravo.

Até a publicação das informações apresentadas pela Folha, não havia sido divulgado quantos policiais estavam recebendo os valores adicionais, qual seria o total desembolsado mensalmente nem qual parcela da operação seria executada exclusivamente durante jornadas regulares.

Esses dados são relevantes para avaliar a sustentabilidade do modelo caso o governo decida manter o policiamento reforçado por longos períodos ou ampliar sua atuação para outras regiões.

Há também uma questão operacional: a utilização de policiais em jornadas adicionais exige respeito aos limites legais de trabalho, uma vez que os profissionais continuam vinculados às suas escalas normais.

A legislação da Dejem estabelece limites justamente para disciplinar esse emprego extraordinário.

O novo batalhão, portanto, combina uma proposta de resposta rápida a crimes urbanos com uma estrutura administrativa flexível e mecanismos de remuneração adicional.

Por enquanto, permanecem sem resposta duas questões centrais: quanto custa manter o Bravo em funcionamento e quantos de seus integrantes dependem de jornadas extras remuneradas para participar das operações.

Essas informações permitirão distinguir o reforço policial obtido por reorganização das equipes daquele sustentado pelo pagamento de serviço extraordinário.

Informações baseadas em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 9 de outubro de 2026 e na legislação estadual que disciplina a Dejem.

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