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Portugal autoriza R$ 3,3 bilhões para comprar 3 aviões militares brasileiros KC-390 para a Grécia, com sistemas de guerra eletrônica

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 23/10/2026 às 21:30
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Portugal autoriza R$ 3,3 bilhões para comprar 3 aviões militares brasileiros KC-390 para a Grécia, com sistemas de guerra eletrônica
Portugal autoriza quase € 590 milhões para comprar 3 KC-390 da Embraer para a Grécia, com sistemas de guerra eletrônica e apoio técnico. - Imagem: Reprodução/Embraer

Portugal autorizou uma operação de quase € 590 milhões (aproximadamente R$ 3,3 bilhões) para adquirir três aviões militares KC-390 Millennium, fabricados pela brasileira Embraer, que serão destinados à Força Aérea da Grécia. O pacote inclui sistemas de guerra eletrônica, treinamento e suporte técnico, ampliando as perspectivas de exportação de uma das principais aeronaves desenvolvidas pela indústria de defesa brasileira.

A decisão foi publicada no Diário da República português na quinta-feira (22), por meio da Resolução do Conselho de Ministros nº 207/2026. O documento autoriza o governo a assumir despesas plurianuais para contratar as três aeronaves junto ao consórcio formado pela Embraer S.A. e pela Embraer Portugal S.A.

O negócio será estruturado por meio de um acordo entre governos. Portugal ficará responsável por contratar os aviões da fabricante e fornecê-los posteriormente à Grécia, que apresentou um pedido formal para adquirir as aeronaves e os serviços necessários ao início das operações.

A autorização representa uma nova etapa de uma negociação que já vinha sendo conduzida pelos dois países. O contrato definitivo entre Portugal e Grécia ainda precisa ser formalizado, mas os valores e as responsabilidades financeiras já foram estabelecidos pelo governo português.

Dos quase € 590 milhões, mais de € 532 milhões serão destinados aos aviões brasileiros

O documento oficial detalha como o investimento será distribuído. A maior parcela, de até € 532,89 milhões, corresponde à aquisição das três aeronaves KC-390 e de um pacote de apoio logístico para sua entrada em serviço.

Outros € 57,08 milhões foram autorizados para equipamentos de guerra eletrônica, formação de pessoal, suporte técnico, manutenção de equipes especializadas em território grego e administração do programa.

Os valores totalizam € 589.975.907,96, com incidência adicional do imposto sobre valor agregado previsto na legislação portuguesa.

A inclusão de equipamentos de guerra eletrônica merece atenção. Esses sistemas fazem parte da preparação de aeronaves militares para atuar em ambientes com ameaças eletrônicas, contribuindo para sua proteção e capacidade de cumprir missões em cenários complexos. O documento não detalha a configuração específica que será instalada nos aviões gregos.

Segundo a resolução portuguesa, o financiamento da operação será realizado com as receitas provenientes da venda das aeronaves à própria Grécia. Os recursos serão vinculados ao Programa KC-390, permitindo custear a aquisição e os serviços associados.

As despesas estão distribuídas entre 2026 e 2031, período previsto para os compromissos financeiros autorizados. O cronograma de pagamentos, porém, não estabelece necessariamente as datas de entrega de cada aeronave.

Portugal será intermediário de uma compra militar que envolve diretamente a Embraer

A participação portuguesa tem origem em uma relação industrial e militar construída ao longo de mais de uma década com o Brasil.

Em 2019, Portugal contratou cinco KC-390, tornando-se o primeiro país europeu e integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a adquirir o modelo brasileiro. A primeira aeronave entrou oficialmente em serviço na Base Aérea de Beja, em outubro de 2023.

Em 2025, Lisboa ampliou o programa ao exercer a opção para aquisição de uma sexta unidade e assegurar o direito de adquirir até dez aeronaves adicionais destinadas a possíveis compradores europeus ou aliados da OTAN.

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Esse mecanismo criou a possibilidade de Portugal participar diretamente de novas vendas internacionais do cargueiro, aproveitando sua experiência operacional e a estrutura de treinamento desenvolvida para o modelo.

A Grécia iniciou sua aproximação formal com o programa em 2025. Em maio de 2026, o ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, confirmou publicamente o interesse pelo avião brasileiro durante uma visita a Portugal.

Posteriormente, os dois governos avançaram na cooperação e estabeleceram as bases para a negociação entre Estados. A autorização financeira publicada em outubro permite agora que Portugal prepare a contratação junto à Embraer.

Grécia busca renovar aviação de transporte enquanto KC-390 brasileiro ganha espaço na Europa

A possível incorporação dos três cargueiros faz parte dos esforços gregos para modernizar suas capacidades militares.

Atualmente, a Força Aérea Helênica utiliza aeronaves de transporte C-130 Hercules e C-27, enquanto o governo conduz um amplo programa de modernização das Forças Armadas, com investimentos planejados de aproximadamente € 28 bilhões até 2036.

Nesse cenário, o KC-390 oferece capacidades para transporte de tropas, veículos, equipamentos e suprimentos militares, além de missões de reabastecimento em voo e evacuação aeromédica.

Desenvolvido pela Embraer em parceria com a Força Aérea Brasileira, o avião possui capacidade para transportar até 26 toneladas de carga e foi projetado para operar também em pistas com infraestrutura limitada.

A experiência portuguesa tem sido importante na apresentação dessas capacidades a outros países europeus. A Força Aérea Portuguesa já opera uma configuração adaptada aos requisitos da OTAN, desenvolvida com a participação da Embraer e da indústria aeronáutica local.

A fábrica da OGMA, empresa portuguesa controlada pela Embraer, também participa da produção de componentes estruturais do KC-390, enviados ao Brasil para a montagem final das aeronaves.

Assim, o fornecimento à Grécia envolve uma cadeia industrial que conecta empresas brasileiras e portuguesas, além de ampliar a presença do avião em um mercado tradicionalmente atendido por fabricantes americanos e europeus.

Novo acordo poderá ampliar produção brasileira de aviões militares

A Embraer vem expandindo a carteira internacional do KC-390 nos últimos anos, com encomendas de diferentes forças aéreas e crescente participação de países europeus.

Para a indústria brasileira, a negociação grega representa a possibilidade de acrescentar três aeronaves a uma linha de produção que também atende à FAB e a clientes estrangeiros.

A participação de Portugal oferece uma alternativa comercial em que um país que já utiliza o equipamento atua como parceiro na contratação, preparação das tripulações e organização do suporte logístico para outro operador.

A estrutura também poderá servir de referência para futuras aquisições por integrantes da OTAN, já que o governo português possui opções de compra adicionais associadas ao programa.

Com a autorização de despesas formalizada, o próximo passo será a celebração do contrato entre Portugal e Grécia. Somente após essa etapa poderão ser confirmados os compromissos definitivos de fornecimento, incluindo o calendário de entrega dos três KC-390 e os serviços que acompanharão sua entrada em operação na Força Aérea grega.

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