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Sargento morreu após alcançar seu objetivo na Itália e deixou recado aos companheiros para que seguissem e fossem felizes, segundo registro

Thaís Souza
Por Thaís Souza 21/10/2026 às 18:18
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Sargento morreu após alcançar seu objetivo na Itália e deixou recado aos companheiros para que seguissem e fossem felizes, segundo registro

Ferido mortalmente em 14 de abril de 1945, o sargento Boening comandava um grupo do 11º Regimento de Infantaria; a despedida atribuída a ele foi preservada na justificativa de sua condecoração.

O 3º sargento Francisco Luiz Roberto Boening já havia alcançado o objetivo determinado ao seu grupo quando foi mortalmente atingido por um projétil inimigo, na Itália, em 14 de abril de 1945. Durante o transporte para um posto de socorro, segundo o registro de sua condecoração, pediu que os companheiros continuassem avançando e fossem felizes.

A despedida está reproduzida no Museu Virtual da Força Expedicionária Brasileira, que publica biografias e documentos sobre os brasileiros enviados à Segunda Guerra Mundial. A instituição apresenta o relato na justificativa da concessão da Cruz de Combate de 1ª Classe ao militar.

Boening morreu no dia em que a FEB iniciou o ataque a Montese, uma das posições disputadas pelas tropas brasileiras na ofensiva final dos Aliados na Itália. Seu grupo participava das ações do 3º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria.

A despedida do sargento Boening ficou registrada na Cruz de Combate

O texto reproduzido pelo Museu descreve Boening à frente dos homens que comandava. Depois de cumprir a missão recebida, ele continuava orientando o grupo quando sofreu o ferimento fatal.

Durante a retirada em direção ao atendimento médico, o registro atribui ao sargento estas palavras: “Eu não posso mais avançar com meus companheiros; diga a eles que sigam e que sejam felizes”.

O Museu Virtual da FEB identifica como referências o Boletim Especial do Exército de 2 de dezembro de 1946, pertencente ao acervo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB no Distrito Federal, e uma ficha de baixas do acervo do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. Sua biografia também registra as medalhas de Campanha e Sangue do Brasil.

O 11º Regimento enfrentava as defesas alemãs em Montese

O ataque integrava a Ofensiva da Primavera, destinada a romper as posições alemãs e permitir o avanço aliado pelo norte italiano. A região de Montese tinha posições fortificadas nos Apeninos, no caminho para a planície do Rio Pó.

Em artigo publicado no Blog do Exército Brasileiro, o subtenente Félix André Mendes relata que o ataque principal brasileiro coube ao 11º Regimento de Infantaria, comandado pelo coronel Delmiro Pereira de Andrade. A preparação envolveu patrulhas para reconhecer o terreno e identificar as defesas adversárias.

A resistência alemã empregou artilharia e morteiros contra os brasileiros. Mesmo depois da entrada das tropas na localidade, os combates prosseguiram, exigindo a manutenção das posições conquistadas sob novos bombardeios.

Segundo relato da 1ª Divisão de Exército, publicado em página da Coordenadoria de Avaliação e Desenvolvimento da Educação Superior Militar, elementos do regimento avançaram pela vila por volta das 15h daquele primeiro dia. A conquista abriu caminho através da linha defensiva alemã no vale do Rio Panaro.

Antes da FEB, Boening trabalhava na confeitaria da família

Nascido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 25 de maio de 1920, Boening tinha 24 anos quando morreu. Sua trajetória anterior à guerra foi contada por Gabriel Kopke Fróes em texto publicado no Jornal de Petrópolis, em 14 de abril de 1970, e preservado pelo Instituto Histórico de Petrópolis.

Fróes relata que o jovem estudou na Escola Evangélica e, posteriormente, no Colégio São Leopoldo, em Rio Claro, no interior paulista. Trabalhou na confeitaria dos pais e passou a integrar a firma como sócio.

O relato também registra sua participação no escotismo e em excursões pelas montanhas de Petrópolis. Sua formação militar começou no Tiro de Guerra nº 12, onde se tornou reservista em 1938. Após a convocação, foi incorporado ao 1º Batalhão de Caçadores e realizou os cursos de cabo e sargento.

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A viagem para a Itália terminou com sua participação na ofensiva

Boening embarcou para a guerra em 23 de novembro de 1944. Conforme o relato preservado pelo Instituto Histórico de Petrópolis, viajou no quarto escalão da FEB, desembarcou em Nápoles e passou por preparação em Staffoli antes de ser transferido para o 11º Regimento, que já estava na zona de combate.

A ofensiva na qual morreu prosseguiu até a ruptura das posições alemãs. O registro é de 426 baixas brasileiras em Montese: 34 mortos, 382 feridos e dez desaparecidos. Depois, o avanço da FEB alcançaria Fornovo, onde ocorreu a rendição da 148ª Divisão alemã, em 29 de abril.

A participação de Boening terminou ainda no primeiro dia do ataque, depois de cumprir o objetivo recebido. Sua despedida permaneceu vinculada ao documento que reconheceu sua atuação em combate.

A biografia preservada pelo Museu registra seu sepultamento no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia. O relato da condecoração conservou também o pedido dirigido aos homens com quem havia avançado.

Que histórias de praças da FEB ainda precisam chegar ao público para ampliar o conhecimento sobre a campanha brasileira na Itália? Cite nos comentários um nome ou episódio que mereça ser pesquisado.

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