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Sargentos das PMs recebiam média de R$ 14.645,46 no Distrito Federal e R$ 5.624,68 no Piauí: diferença de R$ 9 mil expõe abismo salarial entre estados

Média bruta de R$ 14.645,46 para sargentos da PM no DF contra R$ 5.624,68 no Piauí, em folhas de 2025. Veja o que explica a distância e por que não é salário atual

Bassani
Por Bassani 15/10/2026 às 17:28
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Sargentos das PMs recebiam média de R$ 14.645,46 no Distrito Federal e R$ 5.624,68 no Piauí: diferença de R$ 9 mil expõe abismo salarial entre estados
Média bruta de R$ 14.645,46 para sargentos da PM no DF contra R$ 5.624,68 no Piauí, em folhas de 2025. Veja o que explica a distância e por que não é salário atual

Duas pessoas podem ostentar as mesmas divisas de sargento em Polícias Militares brasileiras e encontrar valores muito diferentes no contracheque. No Distrito Federal, a média bruta mensal dos sargentos chegou a R$ 14.645,46; no Piauí, ficou em R$ 5.624,68. A distância de R$ 9.020,78 significa que, no retrato pesquisado, a remuneração média do grupo no DF foi cerca de 2,6 vezes a do Piauí.

Os números estão na segunda edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, divulgada em agosto de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Eles não retratam os salários de hoje: são médias calculadas com folhas de pagamento principalmente de março de 2025, portanto anteriores a reajustes ocorridos em 2026.

O Raio-X divulgado em 2026 mostra que sargentos das PMs tinham média bruta de R$ 14.645,46 no Distrito Federal e R$ 5.624,68 no Piauí em 2025; veja o que explica a distância e por que não é salário atual.

A diferença aparece na Tabela 18 da publicação. Consideradas as Polícias Militares de todo o país com dados disponíveis, a remuneração bruta média dos sargentos foi R$ 10.804,11. O Distrito Federal superou esse patamar em R$ 3.841,35; o Piauí ficou R$ 5.179,43 abaixo. Na comparação de remunerações líquidas médias, após os descontos indicados nas folhas, os valores foram R$ 11.750,09 no DF e R$ 4.785,03 no Piauí.

Não se trata do salário que todo policial de uma corporação recebe. O estudo agrupa primeiros, segundos e terceiros-sargentos numa mesma categoria estatística; a proporção de cada graduação pode ser diferente de um estado para outro. Também reúne as parcelas de remuneração registradas na folha, que podem variar conforme as regras e a trajetória funcional de cada militar.

Goiás aparece próximo do Distrito Federal, com média bruta de R$ 14.493,32 para sargentos. Na parte inferior da tabela, Sergipe registrou R$ 8.016,91, acima do valor piauiense. A disparidade não está limitada a dois pontos isolados no mapa: é um problema de comparabilidade e de estrutura remuneratória entre unidades da federação.

Piauí mudou vencimentos em abril de 2026: o que a lei permite comparar

Há uma ressalva fundamental para quem pretende usar o levantamento como referência salarial atual. O Piauí sancionou a Lei nº 8.941, de 27 de março de 2026, com novos valores de vencimentos a partir de 1º de abril de 2026. O Anexo I fixa R$ 5.107,98 para terceiro-sargento, R$ 5.434,88 para segundo-sargento e R$ 5.761,79 para primeiro-sargento da PM.

Esses valores não substituem a média bruta de R$ 5.624,68 apurada para 2025, nem autorizam uma comparação direta com a média do Distrito Federal. A lei lista vencimentos por graduação em abril de 2026; o Raio-X mede pagamentos brutos efetivos de um grupo composto por três graduações em período anterior. Sem um levantamento novo da folha, não é possível determinar a média atual dos sargentos piauienses ou afirmar que a diferença de R$ 9 mil permaneça idêntica em outubro de 2026.

Soldado, sargento, subtenente: as diferenças também aparecem dentro da corporação

O próprio estudo ajuda a explicar por que a palavra ‘salário’ isolada pode induzir a erro. Na média nacional de 2025, os soldados das PMs registraram R$ 7.612,61 brutos; os sargentos, R$ 10.804,11; os subtenentes, R$ 14.556,01. Entre oficiais, a média bruta dos tenentes foi de R$ 16.913,44 e a dos coronéis chegou a R$ 34.731,45.

Isso não significa que toda promoção provoque exatamente essa diferença no contracheque: a comparação junta profissionais distintos, com tempo de carreira e adicionais variados. Mas demonstra por que notícias sobre reajustes e concursos precisam identificar com clareza estado, posto ou graduação, mês da referência e natureza do pagamento. Vencimento legal, remuneração bruta, valor líquido e média da carreira são conceitos diferentes.

Na metodologia de cálculo das PMs, o FBSP retirou dos valores considerados registros mensais abaixo de R$ 1.518 e acima de R$ 46.366,19, para tratar extremos da base. Também houve diferenças nas datas de referência de alguns estados: Ceará usou maio de 2025; Mato Grosso e Roraima, outubro de 2025. O objetivo é oferecer um retrato nacional padronizado na medida do possível, não um simulador de contracheques individuais.

A distância salarial pode influenciar carreira e permanência, mas não conta toda a história

Na avaliação do Fórum, a fragmentação das carreiras e as fortes desigualdades entre estados dificultam a política de gestão de pessoal na segurança pública. Uma corporação pode pagar mais em média e, ainda assim, enfrentar problemas de efetivo, progressão ou distribuição de pessoal; também não é possível concluir apenas por esses números qual estado oferece melhor condição de serviço.

O contraste revela uma pergunta concreta para policiais, candidatos e governos: quanto realmente vale a mesma graduação em cada lugar? A resposta exige olhar o conjunto do contracheque, a composição do efetivo e as leis em vigor, não apenas uma cifra de manchete.

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