Empregado na proteção de depósitos de pólvora na Ponta da Armação, o monitor Javary conservava sua utilidade militar graças à artilharia, mas dependia de um rebocador para mudar de posição.
O monitor Javary combatia sem conseguir navegar por seus próprios meios quando afundou, em 22 de novembro de 1893, durante a Revolta da Armada, na Baía de Guanabara. Incorporado à força rebelada, o navio servia como bateria flutuante e dependia do rebocador Vulcano para se deslocar.
Sua missão incluía proteger a Ponta da Armação, em Niterói, onde os revoltosos mantinham depósitos de munição. Os canhões e a blindagem permitiam aproveitar militarmente a embarcação, apesar da perda de mobilidade.
Os canhões mantiveram o monitor Javary em serviço
Construído na França para a Marinha Imperial, o Javary pertencia à mesma classe do Solimões. Era uma embarcação de casco baixo, protegida por couraça e equipada com quatro canhões principais, distribuídos em duas torres giratórias.
O navio ainda podia oferecer fogo de artilharia a partir de uma posição determinada, mesmo dependendo de outra embarcação para chegar até ela.
Como bateria flutuante, sua função se aproximava da de uma posição de artilharia instalada sobre a água. A capacidade de combater permanecia associada às armas disponíveis e ao setor que elas podiam alcançar.
Depósitos de pólvora davam importância à Ponta da Armação
O Javary aderiu ao levante em setembro de 1893. A revolta colocou parte da Armada em confronto com o governo de Floriano Peixoto, transformando a Baía de Guanabara em área de combate entre embarcações e posições em terra.

A proteção da Ponta da Armação estava ligada ao abastecimento dos rebeldes. O local abrigava depósitos de pólvora necessários à continuidade das ações militares.
Para os revoltosos, manter a artilharia do navio disponível permitia proteger uma instalação importante mesmo com uma unidade incapaz de se movimentar sozinha.
Combate encontrou o Javary entre o Calabouço e Villegaignon
No dia do naufrágio, o monitor estava fundeado entre a Ponta do Calabouço e a Ilha de Villegaignon, no Rio de Janeiro. Ali participou de uma troca de tiros com as fortalezas da entrada da Guanabara, incluindo a de São João.
Durante o confronto, a embarcação sofreu danos na popa e começou a receber água. A resistência do casco passou a determinar quanto tempo o navio conseguiria permanecer à superfície.
A situação também expôs a limitação de sua mobilidade: qualquer tentativa de mudar de posição exigia a intervenção do Vulcano, agora sob as condições impostas pelo combate e pelo alagamento.
Vulcano tentou retirar o monitor antes do afundamento
O rebocador tentou deslocar o Javary para águas menos profundas, onde seria possível buscar condições para mantê-lo flutuando e realizar reparos. A entrada de água, porém, impediu a manobra.
Segundo o relato histórico, o monitor afundou lentamente e suas torres continuaram disparando durante a submersão. A tentativa de preservar a embarcação terminou com sua perda na baía.
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A trajetória do Javary mostra como artilharia e proteção ainda podiam sustentar o emprego de um navio com propulsão indisponível. Sua permanência em combate estava ligada à defesa de uma posição concreta dos revoltosos.
Quando o casco foi comprometido, a dependência do rebocador passou a pesar também na tentativa de salvamento. O recurso que permitia movimentar a bateria flutuante acabou insuficiente para retirá-la daquela situação.
Em uma defesa como essa, até que ponto vale manter em combate um navio armado que depende de outra embarcação para se movimentar? Compartilhe sua análise nos comentários.