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A contradição por trás do caça mais moderno da FAB: enquanto o Brasil recebe novos Gripen, a Suécia revela que o computador responsável pelo controle de voo utiliza tecnologia herdada dos anos 1980 e anuncia sua substituição

Saab recebe encomenda de 1,3 bilhão de coroas suecas para desenvolver novo computador de controle do Gripen, com entregas em 2030. Sistema atual tem origem no Gripen A, mas contrato não inclui expressamente o Brasil.

Flavia Marinho
Por Flavia Marinho 15/10/2026 às 18:09
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A contradição por trás do caça mais moderno da FAB: enquanto o Brasil recebe novos Gripen, a Suécia revela que o computador responsável pelo controle de voo utiliza tecnologia herdada dos anos 1980 e anuncia sua substituição
Saab recebe encomenda de 1,3 bilhão de coroas suecas para desenvolver novo computador de controle do Gripen, com entregas em 2030. Sistema atual tem origem no Gripen A, mas contrato não inclui expressamente o Brasil.

A fabricante Saab recebeu uma encomenda de 1,3 bilhão de coroas suecas da Administração Sueca de Material de Defesa (FMV) para desenvolver um computador de controle de voo de nova geração para o Gripen. Segundo o comunicado oficial da Saab, divulgado nesta quinta-feira (15), as entregas estão previstas durante 2030.

A decisão envolve um dos equipamentos mais importantes para a operação da aeronave. Não se trata de um novo radar ou de um sistema de armas, mas do computador responsável por transformar os comandos do piloto em movimentos precisos das superfícies que controlam o caça.

Sistema usado no Gripen E tem origem na primeira geração do avião

O detalhe mais surpreendente foi revelado pela própria agência sueca: a solução de controle de voo atualmente empregada nos Gripen C/D e E/F foi originalmente desenvolvida para o Gripen A, primeira geração do caça. Isso significa que parte da base tecnológica permaneceu ao longo das diferentes versões do projeto.

Conforme explicou a FMV em sua publicação sobre o contrato, o equipamento se aproxima do fim de sua vida útil técnica e já não pode ser mantido de forma sustentável no longo prazo. A substituição procura evitar dificuldades futuras com manutenção, disponibilidade e fornecimento de componentes.

Isso não significa que os Gripen atuais utilizem necessariamente computadores fabricados há quase quatro décadas, nem que exista uma falha generalizada na frota. A agência se refere à origem da solução técnica e à necessidade de garantir sua continuidade operacional.

Caça Gripen E durante voo com o trem de pouso acionado. Apesar de pertencer à geração mais moderna da família Gripen, a aeronave utiliza um sistema de controle de voo cuja tecnologia foi originalmente desenvolvida para o Gripen A. A Saab recebeu um contrato de 1,3 bilhão de coroas suecas para desenvolver seu substituto, com entregas previstas para 2030. Foto: Saab.
Caça Gripen E durante voo com o trem de pouso acionado. Apesar de pertencer à geração mais moderna da família Gripen, a aeronave utiliza um sistema de controle de voo cuja tecnologia foi originalmente desenvolvida para o Gripen A. A Saab recebeu um contrato de 1,3 bilhão de coroas suecas para desenvolver seu substituto, com entregas previstas para 2030. Foto: Saab.

Por que esse computador é tão importante para a segurança do caça?

No sistema eletrônico conhecido como fly-by-wire, os movimentos feitos pelo piloto no manche são interpretados por computadores, que determinam como as superfícies móveis da aeronave devem responder. Esse processo ajuda a manter o controle e a precisão durante decolagens, pousos e manobras em diferentes condições de voo.

Por essa razão, uma troca desse tipo exige muito mais do que instalar uma peça moderna. A nova unidade terá de demonstrar confiabilidade e compatibilidade com os sistemas existentes, sem comprometer a segurança da aeronave em operações militares.

É uma função diferente daquela desempenhada pelo computador de missão, ligado ao processamento de informações táticas. O anúncio não confirma mudanças no radar, na integração de armamentos ou nos equipamentos de guerra eletrônica do Gripen.

Modernização terá desenvolvimento e testes antes das entregas

A FMV informou que o novo computador precisará passar por extenso trabalho de desenvolvimento e testes de verificação. O objetivo é comprovar que ele funciona adequadamente e pode sustentar a operação das aeronaves durante as próximas décadas.

A Saab afirma que a solução deverá atender a exigências de desempenho, disponibilidade e segurança de fornecimento. O trabalho será realizado em cooperação com o governo sueco, mas não foram divulgados detalhes sobre processadores, quantidade de unidades ou calendário de instalação nos caças.

O prazo de 2030 se refere às entregas previstas no contrato. Não há confirmação de que todas as aeronaves da família Gripen receberão o novo equipamento nesse ano.

Brasil opera versão do Gripen que compartilha essa herança tecnológica

A notícia interessa diretamente ao Brasil porque a Força Aérea Brasileira utiliza o F-39E Gripen, integrante da família E/F citada no documento da FMV. O programa brasileiro prevê 36 aeronaves, entre versões monoposto e biposto, dentro de uma parceria industrial com transferência de tecnologia.

Em 6 de outubro de 2026, o primeiro Gripen E produzido no país realizou seu voo inaugural em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Segundo a Saab, ao anunciar o voo da aeronave brasileira, dez caças já operavam com o Primeiro Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis, e 15 unidades estão previstas para produção no Brasil.

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A relação tecnológica é real, mas existe uma diferença decisiva: o contrato de 1,3 bilhão de coroas foi firmado pela Suécia. Os comunicados não confirmam que os F-39 brasileiros estejam incluídos na encomenda ou que receberão automaticamente os novos computadores.

Modernização poderá chegar aos F-39 da FAB?

Em princípio, o fato de o projeto contemplar necessidades da família Gripen E/F abre a possibilidade de aplicação futura em aeronaves de outros operadores. Entretanto, qualquer utilização nos caças brasileiros dependeria de definições técnicas e contratuais ainda não anunciadas.

O Brasil possui experiência de engenharia e integração adquirida com o programa Gripen e com a participação da Embraer e de outras empresas nacionais. Isso, porém, não comprova participação brasileira no desenvolvimento do novo computador, tampouco assegura sua produção no país.

Por enquanto, o cenário confirmado é o investimento sueco para substituir uma tecnologia que se aproxima de seus limites de manutenção. O eventual benefício para a FAB permanece uma possibilidade, não uma modernização aprovada ou contratada pelo governo brasileiro.

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