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Avião militar dos EUA passa por 4 aeroportos no Brasil, sai de Manaus e pousa em Guantánamo; FAB autorizou trecho como transporte de passageiros, sem divulgar quem estava a bordo

O C-146A Wolfhound dos EUA passou por Guarulhos, Galeão, Brasília e Manaus, voou até Porto Rico e pousou em Guantánamo. Veja a rota completa, a resposta da FAB e o que ainda não foi esclarecido sobre a missão.

Marcos
Por Marcos 03/11/2026 às 23:50
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Avião militar dos EUA passa por 4 aeroportos no Brasil, sai de Manaus e pousa em Guantánamo; FAB autorizou trecho como transporte de passageiros, sem divulgar quem estava a bordo
Avião C-146A Wolfhound da Força Aérea dos EUA taxiando na base RAF Mildenhall, no Reino Unido, em setembro de 2026. Foto de arquivo do mesmo modelo que passou pelo Brasil. Crédito: Senior Airman Cody J. A. Mott / U.S. Air Force / DVIDS. Domínio público.

Um avião militar dos Estados Unidos empregado no transporte de equipes de operações especiais passou por quatro aeroportos brasileiros, deixou Manaus em direção a Porto Rico e, dois dias depois, pousou em Guantánamo, em Cuba, onde os EUA mantêm uma base naval. A aeronave é o C-146A Wolfhound de matrícula 12-3047, cujo deslocamento por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília já havia sido identificado anteriormente.

O itinerário atualizado revela os destinos que ainda não apareciam nas primeiras notícias: depois de Brasília, o avião seguiu para a capital amazonense, atravessou o Caribe e chegou a Guantánamo em 2 de novembro. No mesmo dia, decolou novamente para Pensacola, na Flórida, conforme o histórico público de voos do Flightradar24.

A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou a autorização para uma etapa da passagem pelo país, solicitada pelo governo norte-americano e apresentada como transporte de passageiros. A documentação informada à Aeronáutica não previa cargas nem tropas naquele trecho. Permanecem sem identificação pública os ocupantes e a finalidade específica das demais escalas.

De Santiago a Manaus, avião americano fez escalas em quatro aeroportos brasileiros

A primeira etapa brasileira registrada ocorreu em 28 de outubro. O C-146A saiu de Santiago, no Chile, pousou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e seguiu no mesmo dia para o Galeão, no Rio de Janeiro. O avião transporta a matrícula militar 12-3047 e transmite o código eletrônico AE68BD, utilizado pelos serviços de acompanhamento de aeronaves.

O deslocamento continuou em 30 de outubro, quando o Wolfhound deixou o Galeão e pousou em Brasília. No dia seguinte, 31 de outubro, a aeronave voou da capital federal a Manaus. A plataforma registrou aproximadamente quatro horas e dezoito minutos nesse trecho, antes de uma nova decolagem da cidade amazonense.

A viagem de Manaus até San Juan, em Porto Rico, também foi registrada em 31 de outubro e durou cerca de cinco horas e meia. Com isso, a aeronave completou sua passagem por Guarulhos, Galeão, Brasília e Manaus, ampliando a rota conhecida quando havia sido divulgada somente sua saída da capital federal.

C-146A Wolfhound decolando da RAF Mildenhall no Reino Unido em setembro de 2026
Um C-146A Wolfhound da Força Aérea dos EUA inicia decolagem na RAF Mildenhall, no Reino Unido, em setembro de 2026. Imagem de arquivo do modelo usado em voos de transporte de operações especiais. Crédito: Senior Airman Cody J. A. Mott / U.S. Air Force / DVIDS. Domínio público.

Rota terminou de revelar uma escala em Guantánamo e novo voo para a Flórida

Em 2 de novembro, o mesmo avião partiu de San Juan e pousou no aeroporto identificado pelo código NBW, em Guantánamo. O voo entre Porto Rico e a instalação na costa de Cuba durou aproximadamente duas horas e quarenta e três minutos, segundo a ficha pública da matrícula 12-3047.

Guantánamo não foi, porém, o último destino observado. Ainda em 2 de novembro, o rastreador registrou outra viagem, agora de Guantánamo para Pensacola, nos Estados Unidos, com duração próxima de cinco horas. Depois, houve um deslocamento curto de Pensacola para Crestview, também na Flórida. Em 3 de novembro, o histórico já mostrava um novo voo de Crestview até Homestead.

Esses registros permitem documentar os aeroportos utilizados e a sequência das viagens. A presença do avião em Guantánamo, isoladamente, não identifica os passageiros transportados, o trabalho realizado durante a escala ou eventual vínculo com uma operação militar específica.

FAB confirmou autorização, mas resposta tratou do trecho entre São Paulo e Rio

O Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) informou ao portal ND Mais que os Estados Unidos solicitaram autorização para o voo entre Guarulhos e Galeão em 28 de outubro. O pedido foi aprovado dentro das atribuições brasileiras de controle do espaço aéreo, segundo a resposta oficial, também reproduzida pelo portal Montedo.

De acordo com a FAB, a solicitação apresentada pelas autoridades americanas descrevia transporte exclusivo de passageiros, sem previsão de cargas ou tropas. O comunicado não divulgou a lista de ocupantes nem detalhou as razões das escalas posteriores em Brasília e Manaus, que aparecem na reconstrução obtida pelos sistemas de rastreamento.

A Aeronáutica também explicou que o controle migratório de passageiros e tripulantes estrangeiros, além da fiscalização aduaneira, compete a outros órgãos federais. A autorização aérea, portanto, e o conhecimento dos dados de quem viajou são atribuições institucionais diferentes. A cobertura anterior da passagem por Brasília registrou justamente a ausência de detalhes públicos sobre os ocupantes.

Wolfhound leva até 27 passageiros e opera em pistas de infraestrutura limitada

O C-146A integra a estrutura de transporte do Comando de Operações Especiais da Força Aérea dos Estados Unidos (AFSOC). A ficha técnica oficial americana descreve como missão principal levar equipes pequenas e cargas em apoio aos comandos de operações especiais, incluindo deslocamentos a aeródromos preparados ou semipreparados.

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O avião deriva do Dornier 328, modelo regional adaptado para o uso militar. Possui dois motores turboélice Pratt & Whitney PW119C, aproximadamente 21,3 metros de comprimento e envergadura próxima de 21 metros. A cabine pode ser adaptada para transportar até 27 passageiros, cerca de 2,7 toneladas de carga ou pacientes em macas.

O modelo não possui armamento próprio listado pela Força Aérea americana. Sua principal utilidade está na capacidade de deslocar pessoal e suprimentos entre pontos diferentes sem depender exclusivamente de grandes aviões cargueiros ou de aeroportos militares de grande porte.

Mesma matrícula havia aparecido na Venezuela antes da passagem pelo Brasil

A matrícula 12-3047 também apareceu em registros de voos na Venezuela em meados de outubro. Segundo levantamento publicado pelo La Patilla, o aparelho foi identificado ao lado de outro C-146A, matrícula 11-3016, em movimentações envolvendo Maiquetía e Puerto Ayacucho, na região amazônica venezuelana.

Puerto Ayacucho fica no sul da Venezuela, próximo à região de fronteira com o Brasil. As informações divulgadas à época apontaram deslocamentos de aeronaves militares americanas pelo território venezuelano, mas não detalharam quem estava a bordo nem a finalidade das viagens. A presença da mesma matrícula nos dois países estabelece a ligação entre os episódios, sem demonstrar que integraram uma única missão.

Próximos esclarecimentos dependem da identificação da missão e dos passageiros

Com a atualização do histórico de voos, o itinerário da aeronave desde o Chile até o Caribe e o retorno aos Estados Unidos ficou mais completo. Os dados confirmam quatro escalas em aeroportos brasileiros, a saída por Manaus e a passagem posterior por Guantánamo, seguida de novas viagens na Flórida.

A parte ainda sem esclarecimento público é a natureza específica do deslocamento, sobretudo quanto aos ocupantes, à finalidade das paradas em território brasileiro e ao que foi realizado nos aeroportos estrangeiros. A resposta da FAB disponível até agora se refere à autorização solicitada para um trecho inicial da rota.

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