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Governo da Bolívia aciona comando das Forças Armadas e prepara novas operações militares em duas cidades na fronteira com o Brasil, com ações previstas em áreas próximas a Mato Grosso e Rondônia

A Bolívia prepara operações militares em San Matías e Guayaramerín, na fronteira com o Brasil, após alertas sobre PCC e Comando Vermelho. Entenda a articulação com a Polícia Federal e o que mudou.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 05/11/2026 às 10:16
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Governo da Bolívia aciona comando das Forças Armadas e prepara novas operações militares em duas cidades na fronteira com o Brasil, com ações previstas em áreas próximas a Mato Grosso e Rondônia
Militares bolivianos patrulham San Matías, no departamento de Santa Cruz, durante operações de segurança em agosto de 2026. Foto de arquivo: Ministério da Defesa da Bolívia / Agência Boliviana de Informação (ABI).

A Bolívia anunciou uma nova etapa de operações das Forças Armadas em dois pontos de sua fronteira com o Brasil, numa reação ao avanço de organizações criminosas que, segundo autoridades bolivianas, disputam corredores usados para transportar drogas entre os países. O anúncio envolve diretamente as regiões brasileiras de Mato Grosso e Rondônia.

O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, revelou em 4 de novembro que conversou com o Ministério da Defesa e com o comando militar para preparar ações em San Matías e Guayaramerín. Ao citar a Polícia Federal brasileira entre os parceiros da estratégia, o governo colocou a cooperação com o Brasil no centro de mais uma decisão de segurança.

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A declaração veio depois de meses de ataques, reforços policiais e operações de fronteira. A novidade agora é a articulação anunciada para ampliar a participação militar em locais onde já havia efetivos de segurança e patrulhamentos anteriores.

Ministro levou a decisão ao comando das Forças Armadas

Em entrevista à rádio Panamericana, reproduzida pelo portal eju.tv, Oviedo disse ter falado na noite anterior com as Forças Armadas e com o ministro da Defesa sobre operações de acompanhamento na fronteira brasileira. O ministro citou nominalmente San Matías e Guayaramerín, além de outros trechos do limite internacional.

A justificativa apresentada foi impedir que grupos criminosos espalhem suas atividades enquanto o governo boliviano realiza ofensivas contra suas estruturas. Oviedo relacionou a resposta militar a uma ameaça transnacional e destacou a cooperação com a Polícia Federal do Brasil, a agência norte-americana DEA e autoridades de outros países.

O anúncio foi público, mas não trouxe quantidade de militares, unidades escolhidas ou data confirmada para o começo das novas ações. A decisão é, portanto, um planejamento anunciado pelo governo, e não prova de que uma nova força já tenha chegado às duas cidades.

PCC e Comando Vermelho entram no centro da preocupação boliviana

A ligação com o Brasil não se limita ao mapa. Em comunicado anterior, o Ministério de Governo da Bolívia identificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações presentes em corredores fronteiriços usados pelo crime organizado.

O governo boliviano apontou Cobija, Guayaramerín, San Matías e Puerto Suárez como áreas prioritárias de fiscalização. Em agosto, chegou a anunciar cooperação binacional com compartilhamento de informações e a previsão de representações policiais permanentes nos dois países. Agora, a participação das Forças Armadas volta a ganhar destaque.

Segundo Oviedo, grupos brasileiros mantêm estruturas em municípios bolivianos. A presença dessas organizações é uma avaliação das autoridades locais, não uma confirmação da autoria de cada ataque ocorrido na fronteira.

San Matías coloca Mato Grosso diante da nova decisão militar

San Matías fica no departamento boliviano de Santa Cruz, junto à faixa de fronteira com Mato Grosso. Em agosto, a região enfrentou uma sequência de ataques que matou cinco pessoas, entre elas um policial boliviano, segundo a cobertura local e as informações divulgadas pelo governo.

O episódio provocou patrulhamentos e a chegada de equipes especializadas. Em uma ação realizada no mesmo mês, a Polícia Federal identificou brasileiros abordados por autoridades bolivianas em San Matías; um deles tinha mandados de prisão no Brasil e foi entregue às autoridades nacionais na região de Cáceres.

Guayaramerín deixa Rondônia do outro lado do rio

O segundo ponto mencionado por Oviedo é Guayaramerín, no departamento boliviano de Beni, diante de Guajará-Mirim, em Rondônia. O rio Mamoré separa as duas cidades e faz parte de uma extensa faixa de fronteira aquática entre Brasil e Bolívia.

Em setembro, a Polícia Federal informou ter recebido das autoridades bolivianas, no posto de Guajará-Mirim, um foragido da Justiça de Rondônia localizado em Beni. A ocorrência demonstrou que a cooperação não depende apenas de anúncios diplomáticos: já produz entregas de procurados e ações conjuntas.

Também em julho, a PF relatou a apreensão de cerca de 40 quilos de drogas em área ribeirinha de Guajará-Mirim, com apoio do Exército Brasileiro e de forças de segurança de Rondônia. São operações distintas da medida anunciada agora, mas realizadas na mesma região fronteiriça.

O Brasil já participa de uma ofensiva policial nessa fronteira

O plano binacional Fronteras Seguras, anunciado pela Bolívia em agosto, prevê intercâmbio de inteligência e ações coordenadas entre a Polícia Boliviana e a Polícia Federal brasileira. Em outubro, uma nova etapa de reforço policial também foi apresentada no país vizinho.

Ainda em outubro, investigadores brasileiros relataram a apreensão de aproximadamente 511 quilos de cocaína transportados por avião que havia partido do leste boliviano, resultado de uma ocorrência investigada desde fevereiro. O caso mostrou como pistas clandestinas e rotas aéreas entram no problema da fronteira.

É justamente essa sobreposição de rotas, facções e operações de segurança que torna a decisão boliviana relevante para o Brasil. Há uma parceria policial documentada e agora um anúncio de apoio militar boliviano, mas cada instituição responde às autoridades de seu próprio país.

Novas tropas ainda dependem de detalhes do governo boliviano

O anúncio de novembro não substitui os reforços anteriores. Militares bolivianos já realizavam patrulhamentos preventivos em San Matías desde agosto, enquanto a ampliação policial tinha sido anunciada em etapas separadas. O fato novo é a coordenação apresentada por Oviedo para operações militares de acompanhamento nos pontos escolhidos.

Os próximos passos são a definição do efetivo, das unidades participantes e do calendário. Até que essas informações sejam divulgadas, a fronteira Brasil–Bolívia permanece no centro de uma decisão militar anunciada, cuja execução e resultados ainda deverão ser acompanhados.

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