A Embraer está conquistando espaço em um mercado dominado há décadas por fabricantes americanos. O KC-390 Millennium, desenvolvido no Brasil, já foi escolhido por sete países europeus e começa a substituir aeronaves do tradicional C-130 Hércules, da gigante americana Lockheed Martin. Mas o avanço brasileiro ganhou um capítulo inesperado: uma publicação provocativa da fabricante dos Estados Unidos acabou atraindo respostas irônicas nas redes sociais.
Sete países europeus apostam no KC-390 e começam a substituir os Hércules americanos
A expansão europeia da Embraer começou com Portugal, primeiro cliente do KC-390 no continente, seguido pela Hungria. Depois vieram Países Baixos, Áustria, República Tcheca e Suécia, ampliando a presença do avião brasileiro entre forças aéreas europeias.
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Nos Países Baixos, a substituição é direta: o governo comprou cinco C-390 para substituir quatro C-130 Hércules, conforme confirmou o Ministério da Defesa neerlandês.
A Áustria adquiriu outras quatro aeronaves, enquanto a Suécia contratou quatro unidades para substituir seus antigos Hércules. A conquista sueca, anunciada em 2025, reforçou um programa conjunto que reúne 13 aviões brasileiros, com cooperação em treinamento, manutenção e logística.
Não se trata apenas de conquistar novos clientes: nos Países Baixos e na Suécia, o avião brasileiro foi escolhido especificamente para substituir o Hércules americano, um dos cargueiros militares mais conhecidos do mundo.

A conquista mais recente veio em 2 de novembro de 2026, quando a Grécia se tornou o sétimo país europeu a escolher o KC-390. O acordo de aproximadamente € 590 milhões, assinado com Portugal, prevê a aquisição de três aeronaves brasileiras, com opção de compra de outras três unidades.
A primeira entrega está prevista para 2027. A Grécia também opera uma frota envelhecida de Hércules, embora não tenha sido divulgada uma concorrência formal na qual a Embraer tenha derrotado diretamente uma proposta da Lockheed Martin.
O avanço brasileiro revela uma mudança importante: o Hércules continua sendo uma referência mundial, mas já enfrenta a substituição pelo KC-390 em forças aéreas europeias que utilizaram aviões americanos durante décadas.
Lockheed Martin compara 2.700 Hércules com menos de 20 aviões de concorrente e vira alvo de deboche
Foi justamente no dia da assinatura do contrato grego que a Lockheed Martin publicou um vídeo em sua conta oficial no X, exaltando o C-130 Hércules e apresentando uma comparação nada discreta.
A fabricante americana destacou ter produzido mais de 2.700 aeronaves C-130, contra menos de 20 unidades de um concorrente não identificado.
A mensagem foi além dos números. “Competitors can promise the future”, escreveu a Lockheed Martin — em português, “Os concorrentes podem prometer o futuro”. Em seguida, defendeu que a vantagem pertence a quem consegue fabricar, ampliar a produção e entregar aeronaves.
A publicação, porém, acabou atraindo respostas irônicas de usuários que saíram em defesa do avião brasileiro.

“Agora fala isso sem chorar”, ironizou uma das respostas. Outro usuário brincou que o KC-390 poderia fazer as entregas da própria Lockheed Martin, enquanto um terceiro exibiu uma imagem do cargueiro brasileiro para provocar a fabricante americana sobre sua capacidade de entrega.
Mas a comparação deixa de fora um detalhe importante: o C-130 realizou seu primeiro voo em 1954, enquanto o KC-390 voou pela primeira vez em 2015. São programas de gerações diferentes, e a quantidade acumulada de aeronaves não determina, isoladamente, qual deles é mais competitivo atualmente.
Enquanto isso, a Embraer prepara um aumento de sua capacidade industrial, com planos de elevar a produção do C-390 de seis aeronaves em 2026 para dez por ano em 2030.
A Lockheed Martin não mencionou expressamente a Embraer, o KC-390 ou a Grécia. Mas, no mesmo dia em que outro país europeu escolhia o cargueiro brasileiro, a comparação provocou respostas que colocaram justamente o avião da Embraer no centro da discussão.