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Exército vai reunir militares em exercício com mais de 250 participantes, 20 módulos e rede tática 4G/5G para simular cheias severas, enquanto observadores do Brasil acompanham a operação em Portugal

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 05/11/2026 às 18:06
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Exército vai reunir militares em exercício com mais de 250 participantes, 20 módulos e rede tática 4G/5G para simular cheias severas, enquanto observadores do Brasil acompanham a operação em Portugal

O Fénix26 será realizado em Coimbra, de 9 a 13 de novembro, para testar a resposta militar portuguesa a um cenário de cheias graves. A atividade envolverá órgãos civis, forças de segurança e observadores internacionais, sem participação operacional de tropas brasileiras anunciada.

O Exército Português mobilizará mais de 250 militares para o Fénix26, exercício de apoio militar de emergência que reunirá cerca de 20 módulos e capacidades de intervenção, além de 15 entidades civis e militares. Observadores do Brasil e dos Estados Unidos acompanharão as atividades.

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O treinamento será conduzido pelo Comando das Forças Terrestres e terá como foco a resposta a cheias de grande dimensão. As informações foram publicadas pelo ECO, que ouviu um porta-voz do Exército Português sobre a preparação do exercício.

O cenário prevê chuva intensa e prolongada na bacia hidrográfica do Mondego, com aumento dos caudais do rio e de seus afluentes. As consequências descritas fazem parte da simulação e não correspondem a um desastre real em andamento em Coimbra.

Durante o exercício, as equipes terão de responder a inundações, deslizamentos de terras, danos em infraestruturas, interrupções de acessos, isolamento de populações e ocorrências com múltiplas vítimas. A atividade servirá para testar a projeção, a coordenação e a sustentação de meios militares em apoio às autoridades civis.

Também participarão a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, a Marinha e a Força Aérea portuguesas, a Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública, o Instituto Nacional de Emergência Médica, a Cruz Vermelha Portuguesa, o Município de Coimbra e bombeiros.

A composição coloca no mesmo cenário de treinamento estruturas militares, forças de segurança, proteção civil, atendimento médico de emergência e autoridades locais. Entre as capacidades envolvidas estão engenharia militar, busca e salvamento, mobilidade aquática, assistência sanitária, fornecimento de energia, recuperação de viaturas, bombagem e purificação de água.

Rede tática 4G/5G será testada em Coimbra

Um dos componentes tecnológicos do Fénix26 será a Rede Móvel Tática 4G/5G do Exército Português, preparada para manter comunicações quando redes convencionais estejam indisponíveis ou degradadas. A estrutura pode estabelecer uma rede privada para conectar equipes no terreno e centros de comando.

A solução permite serviços de voz, vídeo, transmissão de dados e geolocalização em tempo real. A conectividade externa pode ser feita por satélite por meio da Eutelsat OneWeb, enquanto equipamentos transportáveis permitem estabelecer comunicações em áreas afetadas por falhas de energia ou de telecomunicações.

A rede foi desenvolvida pela MEO para o Exército e já havia sido testada durante o ARTEX, no Campo Militar de Santa Margarida. A APDC informou que a solução foi concebida para assegurar comunicações críticas e também pode ser empregada em situações de emergência civil.

No Fénix26, a tecnologia integrará um conjunto mais amplo de sistemas de comando, controle e comunicações. O treinamento também abrangerá apoio geoespacial e compartilhamento de dados operacionais para acompanhar o cenário e coordenar os meios distribuídos na área do exercício.

O porta-voz ouvido pelo ECO apresentou a rede como capacidade complementar às estruturas de comunicação já disponíveis. No cenário simulado, ela amplia as alternativas de ligação entre as equipes caso parte da infraestrutura normalmente utilizada seja comprometida.

Projeto prevê 54 milhões de euros até 2034

O exercício também envolverá capacidades relacionadas às futuras Companhias de Apoio Avançadas do Exército Português. O projeto prevê investimento de cerca de 54 milhões de euros até 2034, por meio da Lei de Programação Militar.

Esse valor não corresponde ao custo do Fénix26. O montante pertence ao projeto das companhias, concebidas para ampliar a capacidade logística de resposta a emergências, catástrofes e operações de apoio às populações.

A reportagem informa que o desenvolvimento começou em 2019 e que cerca de 6 milhões de euros haviam sido executados até o fim de 2025. Entre os meios já entregues estavam 14 viaturas táticas médias 6×6 e três viaturas equipadas com grua.

O planejamento inclui ainda cozinhas contentorizadas, viaturas Hook Lift, depósitos modulares de água e combustível e outros equipamentos logísticos. Estão previstas quatro Companhias de Apoio Avançadas, com localização em Vila Real, Viseu, Santa Margarida e Vendas Novas.

Brasil acompanhará exercício como observador

Para o público brasileiro, a participação confirmada no Fénix26 é a de observadores do Brasil, ao lado de representantes dos Estados Unidos. Eles acompanharão os procedimentos e as capacidades empregados pelo Exército Português no apoio militar a uma resposta civil de emergência.

As informações disponíveis não indicam participação de tropas brasileiras nas atividades operacionais nem atribuem aos observadores função direta na execução dos módulos. O papel divulgado para o Brasil é de acompanhamento do exercício português.

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