Fuzileiros Navais brasileiros desembarcaram na costa italiana com blindados anfíbios AAV7, participaram de simulações de combate urbano e treinaram operações noturnas no Mar Mediterrâneo. A missão integrou um exercício militar de grandes proporções, com 6.500 militares de 28 países, navios de guerra, submarinos, aeronaves e forças de desembarque atuando em cenários de conflito.
A participação ocorreu durante a Operação Mare Aperto 2026, conduzida pela Marinha Italiana em outubro, e colocou militares brasileiros em manobras anfíbias ao lado de forças estrangeiras, com emprego de blindados, armamentos e equipamentos de visão noturna.
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Brasileiros desembarcam de navio italiano e treinam combate urbano e operações noturnas

Segundo a Marinha do Brasil, 15 Fuzileiros Navais brasileiros, incluindo duas mulheres, embarcaram no navio anfíbio italiano San Giusto e integraram uma força de desembarque durante as atividades realizadas entre 2 e 25 de outubro.
Os militares participaram de movimentos entre o navio e a costa utilizando veículos da família AAV7, blindados anfíbios projetados para transportar tropas pelo mar e continuar o deslocamento em terra.
Após os desembarques, realizaram exercícios de fogo e movimento, combate urbano, retraimento e utilização de equipamentos de visão noturna. Também treinaram técnicas de defesa pessoal, familiarização com armamentos e procedimentos para proteger zonas de pouso de helicópteros.
As manobras ocorreram na região da ilha da Sardenha e em outras áreas do Mediterrâneo, exigindo coordenação entre unidades navais, terrestres e aéreas. O objetivo foi aprimorar a capacidade de atuação conjunta entre militares de diferentes países, mesmo com diferenças de equipamentos, idiomas e procedimentos operacionais.
Exercício mobiliza 28 países, porta-aviões, submarinos e milhares de militares

A dimensão internacional da operação foi confirmada pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas de Portugal, que informou a participação de aproximadamente 6.500 militares de 28 países.
Entre os meios envolvidos estiveram navios de superfície, submarinos e aeronaves. A fragata portuguesa Bartolomeu Dias, com 175 militares, participou das atividades e acompanhou o grupo de combate do porta-aviões italiano Cavour, ampliando o treinamento de vigilância e coordenação naval.
O exercício simulou situações de crise e conflito, com operações de guerra de superfície, antissubmarina e antiaérea. Para os Fuzileiros Navais brasileiros, a experiência permitiu praticar desembarques em ambiente multinacional e ampliar o intercâmbio operacional com a Marinha Italiana.
A participação dá continuidade à presença brasileira em grandes exercícios europeus. Em janeiro, o país também havia preparado o envio de militares para a Operação Orion, conduzida pela França, voltada à preparação de forças para cenários de combate de alta intensidade.
EUA aposentam AAV7 e Itália aposta em blindados da Iveco, fabricante com presença no Brasil

O emprego dos AAV7 durante a Mare Aperto ocorre em meio a uma transformação das forças anfíbias internacionais. Em agosto de 2026, os Estados Unidos oficializaram a retirada desses blindados, após mais de cinco décadas de serviço, avançando na substituição pelo Amphibious Combat Vehicle (ACV) 8×8.
A Itália também prepara a renovação de sua frota. Segundo a Marina Militare, o país prevê a incorporação de 64 veículos blindados anfíbios VBA 8×8, desenvolvidos a partir da plataforma SuperAV, da Iveco Defence Vehicles. As primeiras entregas foram previstas para 2026, com ampliação gradual da frota ao longo da próxima década.
A conexão com o Brasil está na indústria de defesa. A Iveco mantém uma fábrica em Sete Lagoas (MG), onde produz veículos militares para o Exército Brasileiro, incluindo o Guarani 6×6 e o Guaicurus 4×4. Em setembro de 2026, a empresa entregou o primeiro Guaicurus LMV-BR 2 integralmente fabricado no Brasil, dentro de um contrato de 420 unidades.
Enquanto isso, a Marinha brasileira mantém sua capacidade de desembarque com os Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf), da mesma família dos AAV7. Desde 1986, o Brasil adquiriu historicamente 49 veículos em três gerações, conforme detalhado em uma reportagem sobre a frota brasileira de blindados anfíbios.
A experiência industrial da Iveco no país oferece uma referência para discutir futuras alternativas de modernização, inclusive com participação da indústria nacional. Entretanto, não existe anúncio oficial de aquisição do SuperAV pela Marinha do Brasil nem de sua fabricação em território brasileiro. A produção atual em Sete Lagoas, por si só, não garante a capacidade de fabricar o novo blindado anfíbio.
A participação brasileira na Mare Aperto 2026 evidencia a importância do treinamento internacional dos Fuzileiros Navais e, diante da modernização das frotas estrangeiras, abre espaço para discutir o futuro dos blindados anfíbios empregados pela Marinha do Brasil.
Na sua opinião, o Brasil deveria investir em uma nova geração de blindados anfíbios com participação da indústria nacional? Deixe seu comentário.