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Novo tanque para o Exército Brasileiro: gigante americana propõe fabricar blindado de 120 mm no Brasil para substituir os Leopard de 105 mm

General Dynamics busca parceiros brasileiros para produzir o ASCOD, com transferência de tecnologia e participação da indústria nacional.

Novo tanque para o Exército Brasileiro: gigante americana propõe fabricar blindado de 120 mm no Brasil para substituir os Leopard de 105 mm
Blindado ASCOD com canhão de 120 mm e camuflagem verde, apresentado como opção para substituir os Leopard do Exército Brasileiro. Foto Original: JohnSmith131 / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

Um novo tanque de 45 toneladas, com canhão de até 120 mm, poderá ser montado no Brasil para substituir os Leopard 1A5BR de 105 mm do Exército Brasileiro. A gigante americana General Dynamics apresentou uma proposta para produzir e integrar o blindado ASCOD no país, envolvendo empresas nacionais, transferência de tecnologia e manutenção especializada. A oferta coloca a indústria brasileira na disputa pela próxima geração de carros de combate da Força Terrestre.

A proposta pode abrir caminho para que o Brasil participe da fabricação de seus futuros carros de combate, em vez de depender exclusivamente da importação de veículos prontos. Apresentado durante um encontro industrial entre Brasil e Espanha, realizado de 27 a 29 de outubro, em Salvador (BA), o projeto teve seus detalhes divulgados nesta sexta-feira, 6 de novembro.

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General Dynamics oferece blindado de 120 mm e propõe fabricação de sistemas no Brasil

Segundo a reportagem publicada pela Tecnologia & Defesa, a General Dynamics European Land Systems (GDELS), divisão europeia da gigante americana General Dynamics, pretende estabelecer parcerias para montar o ASCOD no Brasil, integrar chassis e torres e produzir nacionalmente sistemas de armamento, comunicação e sensores.

A configuração proposta toma como referência a versão HUNTER/MEDNIEKS do ASCOD, adotada pela Letônia. O projeto prevê motor MTU de 800 hp, transmissão Renk, blindagem modular e peso próximo de 45 toneladas.

Para substituir os atuais Leopard, a fabricante oferece duas opções de armamento:

  • Canhão de 120 mm, instalado na torre Leonardo HITFACT MkII, da mesma família adotada nos Centauro II brasileiros.
  • Canhão de 105 mm, integrado à torre Elbit Sabrah Light, com possibilidade de fabricação pela ARES no Brasil.
Dois carros de combate Leopard 1A5BR do Exército Brasileiro avançam por estrada de terra durante exercício militar no Rio Grande do Sul.
Carros de combate Leopard 1A5BR, equipados com canhões de 105 mm.

A GDELS também apresentou uma versão de combate de infantaria para disputar a substituição dos M113. O veículo poderá receber canhão automático de 30 mm, metralhadora de 7,62 mm e mísseis anticarro Spike LR2.

O plano industrial prevê possíveis parcerias com ARES, AEL Sistemas e MTU Brasil, além dos Arsenais de Guerra do Rio de Janeiro e de São Paulo. A empresa também propõe certificar uma estrutura nacional para manutenção especializada dos veículos.

Exército estuda montagem de torres HITFACT MkII de 120 mm enquanto prepara substituição dos Leopard

O interesse pela fabricação nacional surge em um momento em que o Exército já trabalha para incorporar armamentos pesados mais modernos.

Em 26 de outubro, a Diretoria de Fabricação e o Arsenal de Guerra do Rio discutiram com representantes do consórcio IDV–Oto Melara a infraestrutura necessária à possível montagem da torre HITFACT MkII do Centauro II.

Blindado Centauro 8×8 com torre de combate e canhão de grande calibre, tecnologia que evoluiu para a HITFACT MkII de 120 mm.
Blindado Centauro 8×8 equipado com torre de combate da Leonardo. A fabricante desenvolveu a HITFACT MkII com opção de canhão de 120 mm, armamento oferecido para o ASCOD que disputa a substituição dos Leopard 1A5BR brasileiros, equipados com canhões de 105 mm. Foto: Leonardo S.p.A. / Divulgação.

Embora sejam programas diferentes, a mesma família de torres aparece na proposta da General Dynamics para o ASCOD. A reunião, porém, não representa uma decisão sobre a fabricação do novo veículo.

Enquanto avalia seus possíveis substitutos, o Exército pretende manter parte dos Leopard 1A5BR em operação até 2040. O programa de revitalização prevê intervenções em 52 carros de combate ao longo de dez anos.

A consulta inicial ao mercado contempla 65 novos carros de combate e 78 veículos de combate de infantaria, totalizando 143 blindados. Essas quantidades representam uma demanda estudada pelo Exército, não uma encomenda do ASCOD.

A disputa inclui concorrentes internacionais como o Lynx, o CV90 e o Tulpar. Este último, desenvolvido pela turca Otokar, acertou 12 disparos em 12 tentativas com canhão de 120 mm durante demonstração acompanhada por militares brasileiros.

ASCOD já é montado na Europa e pode ampliar a autonomia industrial brasileira

Blindado ASCOD COBRA da General Dynamics com sistema de lançamento de pontes elevado durante exposição militar na Europa.
ASCOD COBRA, variante de engenharia militar da plataforma desenvolvida pela General Dynamics, equipada com sistema de lançamento de pontes. Foto: Reise Reise/Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.

A General Dynamics apresenta como referência o programa HUNTER da Letônia, cuja configuração compartilha, segundo a fabricante, cerca de 95% dos requisitos considerados para o projeto brasileiro.

Em 7 de outubro de 2026, a empresa entregou o primeiro veículo montado naquele país. O contrato prevê 84 blindados antes de 2029, com participação de pelo menos 30% da indústria letona.

A experiência demonstra que a fabricante já executa projetos com montagem local. Entretanto, esse percentual não se aplica automaticamente ao Brasil, onde investimentos, conteúdo nacional e cronograma ainda dependeriam de negociações.

O Exército Brasileiro não selecionou o ASCOD nem anunciou contrato para sua aquisição. A proposta integra uma disputa internacional para renovar os veículos blindados sobre lagartas.

A escolha do futuro carro de combate poderá definir não apenas a substituição dos Leopard 1A5BR, mas também quanto da tecnologia, da montagem e da manutenção dos novos blindados ficará efetivamente no Brasil.

Na sua opinião, o próximo tanque do Exército deveria ser produzido no Brasil, mesmo com tecnologia estrangeira, ou a prioridade deveria ser comprar o modelo mais avançado disponível? Deixe seu comentário.

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