Um novo tanque de 45 toneladas, com canhão de até 120 mm, poderá ser montado no Brasil para substituir os Leopard 1A5BR de 105 mm do Exército Brasileiro. A gigante americana General Dynamics apresentou uma proposta para produzir e integrar o blindado ASCOD no país, envolvendo empresas nacionais, transferência de tecnologia e manutenção especializada. A oferta coloca a indústria brasileira na disputa pela próxima geração de carros de combate da Força Terrestre.
A proposta pode abrir caminho para que o Brasil participe da fabricação de seus futuros carros de combate, em vez de depender exclusivamente da importação de veículos prontos. Apresentado durante um encontro industrial entre Brasil e Espanha, realizado de 27 a 29 de outubro, em Salvador (BA), o projeto teve seus detalhes divulgados nesta sexta-feira, 6 de novembro.
Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
General Dynamics oferece blindado de 120 mm e propõe fabricação de sistemas no Brasil
Segundo a reportagem publicada pela Tecnologia & Defesa, a General Dynamics European Land Systems (GDELS), divisão europeia da gigante americana General Dynamics, pretende estabelecer parcerias para montar o ASCOD no Brasil, integrar chassis e torres e produzir nacionalmente sistemas de armamento, comunicação e sensores.
A configuração proposta toma como referência a versão HUNTER/MEDNIEKS do ASCOD, adotada pela Letônia. O projeto prevê motor MTU de 800 hp, transmissão Renk, blindagem modular e peso próximo de 45 toneladas.
Para substituir os atuais Leopard, a fabricante oferece duas opções de armamento:
- Canhão de 120 mm, instalado na torre Leonardo HITFACT MkII, da mesma família adotada nos Centauro II brasileiros.
- Canhão de 105 mm, integrado à torre Elbit Sabrah Light, com possibilidade de fabricação pela ARES no Brasil.

A GDELS também apresentou uma versão de combate de infantaria para disputar a substituição dos M113. O veículo poderá receber canhão automático de 30 mm, metralhadora de 7,62 mm e mísseis anticarro Spike LR2.
O plano industrial prevê possíveis parcerias com ARES, AEL Sistemas e MTU Brasil, além dos Arsenais de Guerra do Rio de Janeiro e de São Paulo. A empresa também propõe certificar uma estrutura nacional para manutenção especializada dos veículos.
Exército estuda montagem de torres HITFACT MkII de 120 mm enquanto prepara substituição dos Leopard
O interesse pela fabricação nacional surge em um momento em que o Exército já trabalha para incorporar armamentos pesados mais modernos.
Em 26 de outubro, a Diretoria de Fabricação e o Arsenal de Guerra do Rio discutiram com representantes do consórcio IDV–Oto Melara a infraestrutura necessária à possível montagem da torre HITFACT MkII do Centauro II.

Embora sejam programas diferentes, a mesma família de torres aparece na proposta da General Dynamics para o ASCOD. A reunião, porém, não representa uma decisão sobre a fabricação do novo veículo.
Enquanto avalia seus possíveis substitutos, o Exército pretende manter parte dos Leopard 1A5BR em operação até 2040. O programa de revitalização prevê intervenções em 52 carros de combate ao longo de dez anos.
A consulta inicial ao mercado contempla 65 novos carros de combate e 78 veículos de combate de infantaria, totalizando 143 blindados. Essas quantidades representam uma demanda estudada pelo Exército, não uma encomenda do ASCOD.
A disputa inclui concorrentes internacionais como o Lynx, o CV90 e o Tulpar. Este último, desenvolvido pela turca Otokar, acertou 12 disparos em 12 tentativas com canhão de 120 mm durante demonstração acompanhada por militares brasileiros.
ASCOD já é montado na Europa e pode ampliar a autonomia industrial brasileira

A General Dynamics apresenta como referência o programa HUNTER da Letônia, cuja configuração compartilha, segundo a fabricante, cerca de 95% dos requisitos considerados para o projeto brasileiro.
Em 7 de outubro de 2026, a empresa entregou o primeiro veículo montado naquele país. O contrato prevê 84 blindados antes de 2029, com participação de pelo menos 30% da indústria letona.
A experiência demonstra que a fabricante já executa projetos com montagem local. Entretanto, esse percentual não se aplica automaticamente ao Brasil, onde investimentos, conteúdo nacional e cronograma ainda dependeriam de negociações.
O Exército Brasileiro não selecionou o ASCOD nem anunciou contrato para sua aquisição. A proposta integra uma disputa internacional para renovar os veículos blindados sobre lagartas.
A escolha do futuro carro de combate poderá definir não apenas a substituição dos Leopard 1A5BR, mas também quanto da tecnologia, da montagem e da manutenção dos novos blindados ficará efetivamente no Brasil.
Na sua opinião, o próximo tanque do Exército deveria ser produzido no Brasil, mesmo com tecnologia estrangeira, ou a prioridade deveria ser comprar o modelo mais avançado disponível? Deixe seu comentário.