A manutenção da Marinha do Brasil melhorou em 2025, mas continuou longe do resultado planejado. O índice oficial do Programa Geral de Manutenção (PROGEM) passou de 55,09% em 2024 para 65,12% em 2025, enquanto a meta do último ano era de 77%. A própria Força registrou uma insuficiência de R$ 21,79 milhões e reconheceu que reparos começaram tarde e precisaram avançar para 2026.
Os números aparecem no monitoramento do Plano Plurianual 2024 a 2027, publicado pelo Ministério da Defesa, e foram acompanhados por outro alerta da Marinha: um corte de R$ 150 milhões nas despesas discricionárias de 2025 atingiu o funcionamento das organizações militares, a manutenção dos equipamentos e a disponibilidade de combustível para operações.
Índice de manutenção subiu dez pontos, mas ficou abaixo dos 77% previstos
O monitoramento oficial de 2025 mostra que a Marinha avançou 10,03 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Mesmo assim, o resultado ficou 11,88 pontos abaixo da meta. Em 2024, a distância havia sido maior: 55,09% alcançados diante de 75% previstos.
O índice se refere à execução físico-financeira dos projetos de manutenção de navios, submarinos, aeronaves e viaturas. No detalhamento de 2025, a Marinha esclarece que o cálculo considera recursos orçamentários liquidados em relação aos disponíveis, com liquidação após a conclusão dos serviços. Portanto, os 65,12% são um indicador de manutenção e execução financeira, não a proporção de navios aptos a navegar.

O PROGEM organiza revisões preventivas, reparos corretivos e modernizações durante o ciclo de vida de cada equipamento. Os trabalhos envolvem desde motores e sistemas elétricos até armamentos, sensores e estruturas que exigem peças específicas, mão de obra técnica e períodos de docagem.
Falta de R$ 21,79 milhões adiou serviços para 2026
O relatório federal identifica R$ 21,79 milhões como valor de insuficiência de recursos no programa em 2025. Segundo a Marinha, o contingenciamento de dotações atrasou o início de parte dos serviços, transferindo sua conclusão para o exercício seguinte. A Força tentou antecipar a distribuição mensal de recursos para viabilizar os trabalhos prioritários.
Para preservar os equipamentos considerados mais críticos, a gestão naval também ajustou períodos de manutenção e reduziu ou reorganizou escopos de serviços. A diversidade de fabricantes, a idade de determinados sistemas e a dificuldade de adquirir componentes de reposição prolongam o tempo necessário para recuperar meios militares.
O problema começou antes. No monitoramento relativo a 2024, o Ministério da Defesa atribuiu o índice de 55,09% a uma redução de 18,28% no orçamento do PROGEM, que obrigou a postergar parte das atividades planejadas. O resultado de 2025 melhorou, mas não eliminou as restrições.
Corte de R$ 150 milhões atingiu manutenção e combustível
No Relatório de Gestão 2025, a Marinha relata que a dotação destinada às despesas discricionárias de rotina foi reduzida de R$ 1,549 bilhão para R$ 1,399 bilhão após um corte de R$ 150 milhões. Essa parcela do orçamento sustenta o funcionamento de organizações militares, reparos, preparação operacional e combustíveis.
O documento associa a restrição à dificuldade de manter atividades de vigilância marítima, busca e salvamento, proteção de plataformas de petróleo e segurança das rotas de navegação. O corte de R$ 150 milhões se refere à rubrica mais ampla de despesas discricionárias; já os R$ 21,79 milhões aparecem como insuficiência específica registrada no monitoramento do PROGEM.
O mesmo relatório descreve renegociações contratuais e custos adicionais na reposição de embarcações antigas. O tema também aparece no debate sobre a renovação da frota brasileira, pressionada pela necessidade de manter os navios atuais até a chegada dos substitutos.
Porta-helicópteros Atlântico passou por revisão de hélices, lemes e radares
Uma das maiores operações de manutenção do período foi a docagem do Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, principal navio da Esquadra brasileira. O trabalho começou em setembro de 2024 e terminou em março de 2025, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, marcando a primeira docagem do Atlântico no Brasil desde sua incorporação, em 2018.
Segundo o Arsenal de Marinha, as equipes revisaram linhas de eixo, hélices, lemes, válvulas de fundo e motores auxiliares, além de realizar serviços nos radares, no ecobatímetro e na proteção do casco. O navio deixou o dique em 20 de março de 2025, após um período de reparos que exigiu preparação de pessoal e infraestrutura.
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Em uma embarcação desse porte, a revisão dos sistemas de propulsão, navegação e casco exige equipes técnicas diferentes e inspeções antes da desdocagem. Cada etapa depende da disponibilidade de peças, infraestrutura e mão de obra especializada.
Submarino Tupi recebeu baterias e motores revisados em dique
Em outra frente, o submarino Tupi deixou o Dique Santa Cruz em 29 de abril de 2025, depois da substituição de parte das baterias, revisão de motores e reparos em válvulas, compressores e estruturas do casco. As intervenções incluíram ainda os tubos de torpedo e a recuperação de isolamento elétrico do motor principal.

De acordo com a comunicação do Arsenal, os sistemas foram testados antes da desdocagem e o submarino seguiu para provas de cais. No levantamento de 2024, a Marinha também havia registrado a conclusão de três das quatro manutenções previstas naquele ano para submarinos da classe Riachuelo.
Atlântico e Tupi deixaram os diques após intervenções extensas, enquanto o índice geral do PROGEM permaneceu abaixo das metas. O balanço reúne diversos projetos e não corresponde à situação operacional isolada de cada navio ou submarino.
Nova meta de 79% coloca a manutenção da frota sob pressão em 2026
O plano federal prevê que o índice de manutenção naval chegue a 79% em 2026 e a 80% em 2027. O último resultado anual consolidado exibido no monitoramento consultado permanece o de 2025, de 65,12%.
A Marinha afirma que pretende preservar a prioridade dos sistemas críticos e aprimorar a distribuição dos recursos ao longo do exercício. A conclusão dos serviços transferidos de 2025 e o desempenho das manutenções de 2026 indicarão se a recuperação do índice consegue acompanhar as exigências da Esquadra.