A Embraer confirmou que a Grécia é stétima nação da Europa adquirir o cargueiro multimissão KC-390 Millenium, em um contrato para três aeronaves, que pode ser estentido para seis unidades. O contrato movimenta 590 milhões de euros (cerca de R$ 3,5 bilhões), e foi viabilizado pelo governo de Portugal, país que foi o primeiro operador europeu da aeronave.
A Força Aérea Helênica receberá o seu primeiro KC-390 em 2027, ampliando suas capacidades de transporte aéreo e reabastecimento em voo, se tornando a sétima força europeia a operar a aeronave brasileira. As duas unidades seguintes estão previstas para 2029 e 2031.
A operação foi concretizada pela transferência de opções de compra de Portugal, que já adquiriu seis unidades do KC-390 e adicionou ao contrato com a Embraer outras dez opções, que facilitam futuras aquisições do avião por outros países europeus ou membros da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Por ter introduzido o KC-390 na Europa e realizado as certificações da aeronave para os padrões da OTAN, Portugal age como intermediário nas negociações com outros países, e vai assegurar ainda um retorno de 11 milhões de euros por cada unidade vendida à Grécia.
Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca e Suécia já escoheram o KC-390 na Europa. A Embraer destacou que o negócio fortalece a interoperabilidade do cargueiro com a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e forças aliadas, reconhecendo a eficácia da aeronave para atender às necessidades atuais e futuras de defesa dos países do bloco.
Portugal e Grécia assinaram em 2025 um Acordo de Cooperação em Defesa bilateral para estabelecer uma parceria operacional de longo prazo. Portugal contribui com a experiência em aeronaves KC-390 de padrão OTAN, supervisão do programa e infraestrutura de formação, reforçando a interoperabilidade entre os aliados e a confiança mútua.
KC-390 avança na Europa e em outros continentes
Além das sete forças europeias, o KC-390 Millennium também foi adquirido pelas forças aéreas do Brasil, da República da Coreia, da República do Uzbequistão, dos Emirados Árabes Unidos e da Colômbia.
A Força Aérea Brasileira (FAB) é a maior operadora do cargueiro, embora tenha redimensionado o contrato com a Embraer e reduzido de 28 para 19 as unidades previstas. A FAB já recebeu oito unidades, e as entregas devem seguir até 2034.
Em agosto de 2026, a Força repassou a outro país uma unidade do KC-390 que já estava pronta e caracterizada com as cores da FAB. O movimento pode estar relacionado a dificuldades orçamentárias e ao contingenciamento de despesas orçamentárias.
Na Europa, o avião brasileiro vem sendo escolhido por países integrantes da OTAN para substituir aeronaves antigas, principalmente o C-130 Hercules.
A adoção por diversos países europeus amplia a interoperabilidade, cria oportunidades de manutenção conjunta e fortalece a presença da indústria brasileira no mercado de defesa europeu.
Além dos contratos firmes já fechados com 12 países, a Embraer negocia com outros mercados e busca estabelecer parcerias para tornar o KC-390 uma plataforma global. Neste cenário, a Índia representa uma das maiores oportunidades, com um programa de transporte militar que pode chegar a 60 aeronaves e possibilidade de produção local em parceria com a Mahindra Group.
Produção na Índia e cooperação indusrial
O relacionamento com o governo indiano evoluiu em outubro de 2025, quando as empresas assinaram um acordo estratégico de cooperação que ampliou o escopo da parceria e passou a contemplar a possibilidade de fabricação e montagem local do C-390 na Índia, com participação da indústria aeroespacial local na cadeia de produção.
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A Embraer e Mahindra também anunciaram planos para estabelecer uma estrutura de MRO (Manutenção, Reparo e Operação) na Índia. As empresas até já identificaram uma localidade para estabelecer uma linha de produção para a aeronave na Índia: a cidade de Nagpur, no estado de Maharashtra.
A implantação agora depende da escolha definitiva do C-390 pelo governo indiano e da assinatura do pedido de aquisição.
Embraer expande lucros no segmento de Defesa
A Embraer vive em 2026 um dos períodos de maiores resultados de sua história recente, com crescimento expressivo na divisão de Defesa & Segurança, aumento das entregas de aeronaves militares e uma carteira internacional de pedidos que atingiu um novo recorde.
A carteira de pedidos da divisão militar cresceu 56% em apenas um ano, chegando a US$ 6,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026. São 43 pedidos firmes em andamento para a aeronave KC-390 Millenium, e outros 25 para o turboélice de patrulha e ataque A-29 Super Tucano.
Os dados divulgados em outubro mostram que a Embraer entregou oito aeronaves militares entre janeiro e setembro de 2026, contra cinco no mesmo intervalo de 2025.
A Embraer mira especialmente os mercados da Índia, África, Oriente Médio, Europa e Sudeste Asiático para ampliar as vendas do KC-390 Millennium. A estratégia é aproveitar a substituição de cargueiros militares antigos e oferecer não apenas a aeronave, mas também parcerias industriais, manutenção local e transferência de conhecimento.
A empresa assinou em maio de 2026 o seu maior contrato militar da história com os Emirados Árabes Unidos, com 10 aeronaves KC-390 em pedido firme e mais 10 opções de compra (totalizando até 20 unidades). O valor estimado é de cerca de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão. As entregas para o país do Oriente Médio estão previstas para acontecer a partir de 2028.