O Presidente Lula foi à Rússia na semana passada, no contexto das comemorações do 80º aniversário do Dia da Vitória na Segunda Grande Guerra e do triunfo sobre o nazifascismo. Além de pautas políticas e estratégicas que foram tratadas com Vladimir Putin, o anfitrião russo, em seu discurso Lula também mencionou que as outras nações da Europa deveriam estar, assim como a Rússia, celebrando o fim do nazismo em 1945.
A afirmação do presidente brasileiro contrastou com uma matéria da Folha de São Paulo, que evidenciou que a Rússia não foi a única nação europeia a celebrar o Dia da Vitória.
Dia da Vitória na Europa: países da OTAN lembram o fim do nazismo
No Reino Unido, membros da família real inglesa depositaram coroas de flores na Abadia de Westminster, encerrando quatro dias de comemorações pelo aniversário do Dia da Vitória na Europa.
A cerimônia de agradecimento começou com dois minutos de silêncio, respeitados em todo o país, para lembrar a rendição da Alemanha nazista, que entrou em vigor em 8 de maio de 1945.
Em Berlim, Alemanha, o presidente Frank-Walter Steinmeier fez um discurso especial no Bundestag, a Câmara baixa do Parlamento alemão, durante uma sessão solene de recordação.
Steinmeier descreveu o estado devastador em que o país se encontrava em 1945. Ele reconheceu os sacrifícios feitos por países como Estados Unidos, Ucrânia, Belarus e Rússia na libertação da Alemanha e da Europa do fascismo.
Segundo ele, a Alemanha tem uma “responsabilidade especial” e deve se opor “às mentiras que a Rússia conta hoje e continuará a contar amanhã“. Sobre o desfile militar russo ocorrido na sexta-feira (9) em Moscou, Steinmeier declarou que “os libertadores de Auschwitz se tornaram novos agressores.“
Já na França, o presidente Emmanuel Macron participou das cerimônias em Paris, onde depositou uma coroa de flores na estátua do general Charles de Gaulle.
Críticas à participação de Lula nas celebrações ao lado de Putin
Ainda sobre a fala do presidente brasileiro, o jornalista do Metropoles, Sam Pancher, no x.com criticou o encontro de Lula com Putin, dizendo que “vários países europeus comemoraram a vitória sobre o nazismo.
O que eles não fizeram foi se juntar ao culpado por uma invasão sanguinária que matou milhares de civis em pleno Século XXI.”

Acordo de cooperação entre Brasil e membro da OTAN
Enquanto o comandante supremo das Forças Armadas brasileiras dava essas declarações na Rússia de Putin, o comandante da Marinha do Brasil almirante MARCOS SAMPAIO OLSEN, por meio da Portaria nº140/MB/MD, de 07/5/2025, delegava competência ao vice-chefe do Estado-Maior da Armada para assinar o Acordo Técnico entre o Ministério da Defesa do Reino Unido e a Marinha do Brasil.
Esse documento oficializa a renovação do intercâmbio do Defence Futures, da Academia de Defesa do Reino Unido, no período a partir da última assinatura do Technical Arrangement (TA) a 31 de dezembro de 2027, podendo ser prorrogado por consentimento mútuo de ambos os participantes, sendo vedada a subdelegação.
Com base em dados recentes de 2024-2025, considerando tamanho das forças armadas, orçamento, equipamentos, capacidade tecnológica e presença nuclear, conforme fontes como Global Firepower, IISS, Military Balance e análises especializadas, o Reino Unido é a 4ª maior potência da OTAN.
O país conta com 141 mil militares, 693 aviões, 227 tanques, 75 navios (incluindo 2 porta-aviões Queen Elizabeth), 225 ogivas nucleares, e um investimento de US$ 71 bi.
Programa Defence Futures: militares brasileiros no Reino Unido
O Defence Futures, antigo Centro de Desenvolvimento, Conceitos e Doutrina (DCDC) do Ministério da Defesa da Inglaterra mantém um programa de estágio remunerado aberto a indivíduos que cursam ou concluíram recentemente estudos de pós-graduação.
O programa de estágio de pós-graduação Defence Futures oferece experiência de trabalho no governo em questões estratégicas relacionadas à defesa e segurança.
O programa ajuda o Defence Futures a fortalecer a diversidade de pensamento, o que, de acordo com informações disponibilizadas no site da instituição, “é essencial para o trabalho do MD, apoiando pesquisas e análises em uma ampla gama de áreas de políticas de defesa e segurança.”
Contribuições dos militares brasileiros no Defence Futures
Os participantes brasileiros ingressarão no Defence Futures entre meados e o final de julho de 2025, geralmente por um período de seis a oito semanas. Os estagiários contribuirão para o trabalho do Defence Futures em uma ampla gama de áreas, incluindo:
Fornecimento de pesquisa, coleta de dados, análise de dados e suporte para redação de documentos estratégicos para as equipes de Conceitos e Previsão Estratégica, a fim de auxiliar no desenvolvimento do pensamento e fornecer desafios críticos para ampliar as perspectivas de desafios futuros.
A programação pode incluir também o envolvimento numa série de atividades de análise e experimentação, como: formação de equipes vermelhas, jogos de guerra, análise de dados, infográficos, síntese de lições operacionais; identificação de tendências; desenvolvimento de insights instigantes; e raciocínio desafiador.