Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Após bloqueio de R$ 1,45 bilhão atingir combustível, manutenção, caças Gripen e KC-390, FAB alerta que pode não conseguir manter suas aeronaves voando até o fim de 2026

Com menos recursos para combustível, manutenção e programas estratégicos, a FAB reorganiza prioridades e reduz margens operacionais enquanto tenta preservar missões essenciais, treinamento das tripulações e disponibilidade de aeronaves até o encerramento do exercício orçamentário de 2026 no país inteiro.

Após bloqueio de R$ 1,45 bilhão atingir combustível, manutenção, caças Gripen e KC-390, FAB alerta que pode não conseguir manter suas aeronaves voando até o fim de 2026
Após bloqueio de R$ 1,45 bilhão, FAB prioriza missões essenciais e alerta para risco de não sustentar toda a operação aérea em 2026. (Imagem: Reprodução/FAB)

A Força Aérea Brasileira alertou o Ministério da Defesa de que o bloqueio de aproximadamente R$ 1,45 bilhão no Orçamento de 2026 pode comprometer o abastecimento da frota e não garante a operação das aeronaves até dezembro.

A avaliação consta em documento obtido pelo Metrópoles, segundo o qual a restrição alcançou combustíveis de aviação, manutenção, fornecimento de material aeronáutico, infraestrutura militar e projetos estratégicos da Aeronáutica.

Aeronaves podem voar menos

O alerta não significa que todos os aviões da FAB ficarão imediatamente parados ou que o combustível já tenha acabado.

A própria Força informou, entretanto, que o dinheiro disponível após o bloqueio não permite o adestramento completo de todas as tripulações operacionais e pode ser insuficiente para sustentar o planejamento aéreo até o fim de 2026.

Na aviação militar, o treinamento não envolve somente pilotos.

Mecânicos, operadores de sistemas, tripulantes, controladores e equipes de apoio precisam cumprir atividades periódicas para preservar qualificações e manter a segurança das operações.

A diminuição das horas de voo pode reduzir exercícios de combate, treinamentos de transporte, reabastecimento aéreo, lançamento de cargas, evacuação aeromédica e preparação para missões de longa duração.

Com menos recursos, a FAB passou a concentrar sua capacidade em atividades consideradas essenciais.

Entre as prioridades apresentadas estão missões de defesa aérea, busca e salvamento, instrução aérea e transporte de órgãos destinados a transplantes.

Gripen perdeu R$ 800 milhões

Dos R$ 1,45 bilhão atingidos, aproximadamente R$ 1,015 bilhão estavam vinculados ao Novo PAC, enquanto outros R$ 435,7 milhões pertenciam a despesas discricionárias da Aeronáutica, conforme os números divulgados pelo Metrópoles.

O maior impacto individual recaiu sobre o Projeto F-X2, responsável pelo desenvolvimento e pela aquisição dos caças F-39 Gripen.

O programa teve R$ 800 milhões bloqueados no Orçamento de 2026.

O contrato original prevê 36 aeronaves, sendo 28 unidades monoposto F-39E e oito caças bipostos F-39F, além de simuladores, sistemas de planejamento, apoio logístico e transferência de tecnologia.

O Gripen alcançou um novo estágio operacional no início de 2026, quando passou a integrar oficialmente o sistema de Alerta de Defesa Aérea.

Essa missão mantém aeronaves e equipes preparadas para decolar rapidamente diante de voos suspeitos ou ameaças ao espaço aéreo brasileiro.

A FAB também empregou seis caças F-39E no exercício multinacional Salitre 2026, no Chile, primeira operação internacional do modelo desde sua incorporação à aviação de caça brasileira.

Força considera lote inicial insuficiente

O bloqueio ocorreu enquanto a Aeronáutica busca ampliar o número de caças disponíveis.

Em resposta encaminhada ao Congresso, a FAB informou que considera insuficiente o lote inicial de 36 Gripen e calcula que uma frota de 66 aeronaves seria mais adequada às necessidades da Defesa Nacional.

Por essa razão, o Comando da Aeronáutica declarou que existe a intenção de adquirir lotes adicionais do F-39.

Segundo o Metrópoles, dez aeronaves haviam sido entregues à FAB até julho de 2026, enquanto as demais unidades do primeiro contrato devem ser incorporadas gradualmente.

A Força também pretende utilizar novos Gripen para substituir os caças A-1 AMX, que se aproximam do fim de sua vida operacional.

A Aeronáutica afirmou que não considera, neste momento, comprar um modelo intermediário para preencher o espaço entre a retirada do AMX e a chegada de mais F-39.

KC-390 também foi atingido

O programa do KC-390 Millennium sofreu bloqueio de aproximadamente R$ 215,8 milhões.

Desenvolvido pela Embraer a partir de requisitos da FAB, o cargueiro atua no transporte de militares e equipamentos, lançamento de paraquedistas e cargas, evacuação aeromédica, combate a incêndios e reabastecimento em voo.

A combinação entre KC-390 e Gripen ampliou o alcance da aviação de caça brasileira.

Com um único reabastecimento aéreo, o F-39 pode alcançar regiões fronteiriças localizadas a aproximadamente 3 mil quilômetros de sua base em Anápolis, segundo a FAB.

O bloqueio simultâneo dos dois programas alcança aeronaves que devem operar de forma integrada em missões de defesa e deslocamentos de longa distância.

Além das parcelas associadas aos projetos, a FAB relatou redução nas verbas destinadas ao suprimento de peças e à manutenção de material aeronáutico.

Sem inspeções, componentes e reparos realizados no momento correto, uma aeronave pode ficar temporariamente indisponível mesmo quando existe combustível para operá-la.

Reposição teria prioridades definidas

O bloqueio orçamentário não corresponde necessariamente a uma retirada definitiva do dinheiro.

Dependendo do comportamento das contas públicas, o governo pode recompor total ou parcialmente os valores durante o exercício.

A FAB informou que, caso os recursos sejam liberados, pretende priorizar o Projeto Gripen, a manutenção do material aeronáutico, a compra de combustível de aviação e as obras de infraestrutura militar.

O governo e o Congresso também discutem mecanismos para recuperar investimentos da Defesa atingidos pelas restrições orçamentárias, incluindo a possibilidade de retirar determinadas despesas dos limites fiscais.

Enquanto a recomposição não ocorre, a Aeronáutica precisa ajustar treinamentos, contratos e horas de voo ao dinheiro efetivamente disponível, preservando primeiro as missões que não podem ser interrompidas.

guest
0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Alisson Ficher

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 13 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com.