Menos de um mês após entrar em operação, o novo Air Force One “Bridge”, denominação do luxuoso Boeing 747 recebido como presente da família real do Catar em 2025 pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai ser retirado de serviço temporariamente para passar por uma atualização de recursos de segurança.
A informação foi confirmada pelo próprio presidente dos EUA em uma entrevista à imprensa no domingo, dia 19 de julho de 2026, após retornar de sua viagem a Nova Jersey para a final da Copa do Mundo. O jato levantou preocupações de segurança nas semanas seguintes ao seu primeiro voo operacional, em 1º de julho, quando Trump viajou nele para a Dakota do Norte.
Já na primeira viagem internacional do novo Air Force One, para a reunião da cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Turquia na semana seguinte, o avião foi substituído por um dos jatos presidenciais antigos no retorno de Trump do Oriente Médio. A comitiva presidencial somente embarcou no “Bridge” após uma escala feita no Reino Unido.
“Ele tem muita capacidade, mas, pelo que entendo, em cerca de um mês, mais ou menos, vão enviá-lo para receber o máximo de recursos de segurança”, disse o presidente sobre o jato recém-adaptado. “Então, vão enviá-lo para que seja totalmente equipado com esses recursos“, disse Trump, conforme relatado pela rede americana ABC.
Suspeitas sobre segurança
A troca de aviões na viagem de Trump à Turquia acabou intensificando os rumores de que o Air Force One Bridge, presente da família real do Catar, poderia ter segurança insuficiente para desempenhar os exigentes parâmetros de aeronave presidencial — especialmente em um cenário em que o próprio presidente declarou ser o “alvo número um do Irã”, com o retorno da escalada de tensões no Oriente Médio.
O avião levantou polêmicas diversas desde que desde que foi aceito por Trump como presente em maio de 2025. Especialistas em aviação estimaram que todo o projeto para converter o Boieng 747 em aeronave presidencial dos EUA poderia ter custado mais de US$ 1 bilhão devido à instalação de diversos sistemas ultrassecretos relacionados à segurança e defesa.
Além disso, tanto republicanos como democratas questionaram a ética em aceitar o presente de um governo estrangeiro para desempenhar um papel relacionado à cúpula do governo americano.
Após não utilizar o Air Force One Bridge para deixar o Oriente Médio, Donald Trump foi às redes sociais para dizer que o Boeing 747 recentemente covertido em aeronave presidencial faria uma escala no Reino Unido, na Base Aérea de Mildenhall, para dar aos militares norte-americanos no país “a oportunidade de conhecer a aeronave”.
Apesar disso, a imprensa norte-americana apurou que a troca de aeronaves na viagem de retorno foi uma recomendação do Serviço Secreto americano diante das ameaças à segurança do presidente. O New York Times noticiou, por exemplo, que o novo jato não dispunha das mesmas capacidades antimíssil do modelo anterior.
Jornalistas intimados
O Departamento de Justiça dos EUA intimou quatro jornalistas do New York Times por escreverem reportagens que envolviam as preocupações de segurança sobre o Air Force One Bridge. Segundo informou o Politico, o governo tentou obter registros telefônicos dos jornalistas em uma investigação sobre vazamento de informações, e as medidas envolveram até mesmo familiares dos profissionais da imprensa.
O episódio foi visto como uma tentativa de intimiação da imprensa, e segue-se outras notificações emitidas no início de julho, que visavam obrigar repórteres a depor perante um grande júri federal.
Uma das reportagens do New York Times afirmou que o Air Force One recebido como presente do Catar e convertido em aeronave presidencial tinha menos sistemas de defesa do que os dois jatos que eram atualmente usados para a função, outros dois Boeing 747 estão em serviço desde 1990 no tranporte dos presidentes norte-americanos, e possuem os números de cauda 28000 e 29000.
Conforme informou a Reuters, a Casa Branca pode ter aceitado parâmetros de defesa menos exigentes para que o jato pudesse ser colocado em serviço mais rapidamente. Especialistas ouvidos pela agência questionam se apenas um mês será tempo suficiente para que o avião receba todos os sistemas que o equiparem ao padrão de segurança dos atuais Air Force One em operação.
Segundo especialistas ouvidos pela agência, os mísseis guiados por infravermelho tornaram-se uma preocupação crescente para os planejadores militares, já que são mais difíceis de detectar do que as ameaças tradicionais guiadas por radar e “podem, de certa forma, surgir do nada”.
O Air Force One Bridge, que tem uma identidade visual especial e diferente do tradicional azul e branco dos aviões presidenciais, tem previsão de operar de forma provisória, conforme já informou a Casa Branca.
A previsão é de que o jato recebido de presente do Catar será transferido para a Fundação da Biblioteca Presidencial de Trump até o fim de seu mandato, em janeiro de 2029, quando dois novos 747 adaptados que estão e processo de conversão pela Força Aérea e pela Boeing já devem estar em operação.