A passagem do submarino Tikuna (S-34) pelo canal de acesso ao Porto de Santos chamou a atenção de moradores, turistas e praticantes de esportes náuticos durante a Operação Aderex 2026. Registrada por um canoísta, a cena rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e revelou parte da movimentação do principal exercício anual da Esquadra da Marinha do Brasil, realizado em uma das áreas estratégicas mais importantes do país.
Quem passou pelo canal de acesso ao Porto de Santos na tarde de domingo (19) presenciou uma movimentação pouco comum. O submarino Tikuna (S-34), da Marinha do Brasil, navegou pelo estuário em direção ao complexo portuário, despertando a curiosidade de quem estava na orla e de embarcações que cruzavam a região.
Um dos registros que mais repercutiram foi feito por um canoísta, que filmou o momento em que o submarino convencional seguia pelo canal de navegação. As imagens rapidamente circularam nas redes sociais, chamando atenção pelo contraste entre uma pequena embarcação esportiva e um dos principais meios navais da Força.
A presença do Tikuna integra a Operação Aderex 2026 (Adestramento de Esquadra), principal exercício periódico da Marinha do Brasil voltado ao treinamento conjunto de navios, submarinos, aeronaves e tropas de Fuzileiros Navais.
Operação Aderex mantém a prontidão da Esquadra para diferentes cenários

Segundo a Marinha do Brasil, a Operação Aderex tem como principal objetivo elevar e manter o grau de prontidão operacional da Esquadra. Durante o exercício, são simuladas situações semelhantes às que poderiam ocorrer em operações reais, permitindo que as tripulações aperfeiçoem procedimentos, integração entre diferentes meios e capacidade de resposta diante de diferentes cenários.
Esse tipo de adestramento faz parte da rotina operacional da Força e representa um dos principais instrumentos para manter a capacidade de emprego dos meios navais. Exercícios dessa natureza costumam reunir embarcações de diferentes classes, aviação naval e tropas especializadas, permitindo testar desde comunicações até operações coordenadas em ambiente marítimo.
A escolha de Santos também não ocorre por acaso. Conforme destaca a Marinha, o município abriga o maior porto da América Latina, responsável por uma parcela significativa da movimentação comercial brasileira e considerado uma infraestrutura estratégica para o país. Em cenários de defesa, a proteção desse tipo de instalação assume papel relevante dentro do planejamento naval.
Tikuna é um dos submarinos convencionais mais importantes da Marinha
O Tikuna (S-34) é um submarino convencional projetado para missões de patrulha, vigilância e defesa das águas jurisdicionais brasileiras. Sua principal característica é a capacidade de operar longos períodos submerso, realizando missões com elevado grau de discrição, atributo considerado essencial para operações de negação do uso do mar e monitoramento de áreas sensíveis.
O S-34 foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a receber o nome Tikuna, homenagem ao povo indígena Tikuna, um dos maiores grupos indígenas da Amazônia brasileira.
Sua construção ocorreu no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro após contrato firmado com a Nuclep para a fabricação das seções do casco resistente. A quilha foi batida em dezembro de 1998, o lançamento ao mar ocorreu em 9 de março de 2005 e a incorporação oficial à Armada aconteceu em 16 de dezembro do mesmo ano.
A trajetória do Tikuna também representa um marco para a construção naval militar brasileira. Embora baseado na classe Tupi, o submarino recebeu aperfeiçoamentos de projeto que ampliaram suas capacidades operacionais, consolidando conhecimentos técnicos desenvolvidos pela indústria nacional.
Esquadra reúne navio-aeródromo, fragatas, submarino e navio-patrulha

A Operação Aderex 2026 reúne alguns dos principais meios da Marinha do Brasil. Além do submarino Tikuna, participam do exercício o navio-aeródromo multipropósito Atlântico (A140), as fragatas Defensora (F41), União (F44) e Tamandaré (F200), além do navio-patrulha oceânico Apa (P121).
A presença simultânea desses meios demonstra a complexidade do treinamento, que envolve operações de superfície, guerra antissubmarino, apoio aéreo, patrulhamento marítimo e integração com tropas de Fuzileiros Navais.
Não é incomum que imagens desses exercícios despertem curiosidade do público quando parte das atividades ocorre próxima a áreas urbanas. Ao mesmo tempo, elas evidenciam uma rotina pouco visível da Marinha: o treinamento permanente para manter a Esquadra preparada para responder a diferentes cenários de emprego.
Com a continuidade da Operação Aderex 2026, novos exercícios deverão ser realizados nos próximos dias, dando sequência ao ciclo anual de adestramento operacional da Marinha do Brasil e ao aperfeiçoamento integrado de seus principais meios navais.
Com informações de: Costa Norte