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FAB aprova processo que permite que engenheiro formado pelo ITA seja contratado como oficial temporário com salário de 13 mil

Força Aérea amplia oportunidades. Engenheiros formados pelo ITA podem agora ser contratados como oficiais temporários

FAB aprova processo que permite que engenheiro formado pelo ITA seja contratado como oficial temporário com salário de 13 mil
Oficiais formados pelo ITA - Imagem ilustrativa

A Força Aérea Brasileira publicou no Diário Oficial da União a Portaria DIRAP nº 674/2SM1, de 17 de julho de 2026, que aprova o Processo de Incorporação de Engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) para a prestação do Serviço Militar Temporário, em caráter voluntário, por um período de dois anos. O ato foi assinado por um oficial general, o Diretor de Administração do Pessoal, Major-Brigadeiro do Ar Marcelo Moreno, por delegação do Comandante da Aeronáutica, e remete os procedimentos ao anexo da portaria.

O texto entra em vigor na data da publicação. Ele não cria vagas nem abre inscrições: aprova o processo pelo qual o engenheiro egresso do ITA que não ingressou no Quadro de Oficiais Engenheiros da Ativa (QOEng) poderá ser incorporado à Aeronáutica como oficial temporário.

Aspirante a oficial de engenharia da reserva da Aeronáutica

A base legal é o artigo 8º da Lei nº 6.165, de 9 de dezembro de 1974, que trata da formação de oficiais engenheiros para o Corpo de Oficiais da Aeronáutica. O dispositivo prevê que o engenheiro formado pelo ITA e não incluído no QOEng pode candidatar-se ao serviço ativo como Aspirante-a-Oficial de Engenharia da Reserva da Aeronáutica, por dois anos.

O mesmo artigo condiciona a incorporação a ato da autoridade competente e à regulamentação da lei. Essa regulamentação veio pelo artigo 18 do Decreto nº 76.323, de 22 de setembro de 1975, que repete a regra, fixa o prazo de seis meses após a conclusão do curso para o requerimento e determina, no § 1º, que a incorporação seja estabelecida por instruções do Comando da Aeronáutica.

São essas instruções que a Portaria DIRAP nº 674/2SM1 materializa em forma de processo administrativo, mais de cinco décadas depois da edição da lei.

Quem se enquadra no público-alvo para ser oficial temporário da Força Aérea

Todo aprovado no vestibular do ITA é matriculado compulsoriamente no Curso de Preparação de Oficiais da Reserva da Aeronáutica (CPOR). No segundo semestre do primeiro ano, os alunos manifestam interesse na carreira militar e disputam as vagas da Ativa, com base na Média para Convocação ao Serviço Ativo. Os que não são selecionados formam o grupo de alunos da Reserva e são promovidos a Aspirante-a-Oficial da Reserva da Aeronáutica de 2ª Classe.

Concluída a graduação, esses alunos são incluídos no QOEng da Reserva como Aspirantes-a-Oficial Engenheiro, nos termos do artigo 26 do Decreto nº 76.323/1975. É exatamente esse contingente que a portaria alcança.

O Edital do Concurso de Admissão ao ITA 2027 já informa o caminho aos candidatos. O item 2.6.4 registra que o engenheiro formado pelo Instituto e não incluído no Quadro de Ooficiais Engenheiros da Ativa, desde que tenha cursado o CPOR com aproveitamento, pode candidatar-se ao serviço ativo como Aspirante-a-Oficial Engenheiro da Reserva sem novo concurso, se requerer a incorporação em até seis meses após a conclusão do curso de graduação.

“2.6.4 – O engenheiro formado pelo ITA não incluído no QOEng da Ativa, caso tenha cursado com aproveitamento o CPOR, pode candidatar-se ao Serviço Ativo, como Aspirante-a-Oficial Engenheiro da Reserva da Aeronáutica, sem novo concurso, desde que requeira a sua incorporação dentro de até seis (6) meses após a data da conclusão do Curso de Graduação do ITA.”

Aspirante-a-Oficial na entrada, Primeiro-Tenente na saída

A progressão está descrita nos parágrafos do artigo 8º da Lei nº 6.165/1974 e do artigo 18 do Decreto nº 76.323/1975. O voluntário é incorporado como Aspirante-a-Oficial Engenheiro da Reserva da Aeronáutica.

Decorridos seis meses da data de incorporação, e se forem satisfeitas as condições do Regulamento da Reserva da Aeronáutica, o militar é promovido a Segundo-Tenente do Quadro de Oficiais Engenheiros da Reserva.

Ao ser licenciado, ao fim dos dois anos, será promovido a Primeiro-Tenente. Durante o período, aplicam-se as disposições do Estatuto dos Militares e da legislação de remuneração dos militares, no que couber. Atualmente o salário médio bruto de um Primeiro Tenente do quadro de oficiais RM2 está na faixa de R$ 13 mil reais, enquanto o líquido, o que realmente cai na conta, fica em torno de R$ 9 mil.

Como isso se distingue dos demais processos de temporários

A FAB mantém processos seletivos anuais para engenheiros no Quadro de Oficiais da Reserva de 2ª Classe Convocados (QOCon Tec) e, em 2026, conduziu o QOCon3 para profissionais de Medicina e Engenharia como oficiais superiores temporários, com inscrições normalmente encerradas no meio do ano.

Esses certames são abertos a graduados por qualquer instituição de ensino de engenharia plena reconhecida e exigem seleção pública com etapas de avaliação curricular, inspeção de saúde e demais fases previstas em aviso de convocação.

O processo aprovado agora tem escopo distinto: é restrito ao egresso do ITA, decorre da própria formação recebida no Instituto e dispensa novo concurso, conforme o modelo desenhado em 1974 e reafirmado no edital do vestibular de 2027.

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tjl
tjl
22/07/2026 10:44

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Robson Augusto

Robson Augusto

Editor da Revista Sociedade Militar - Militar da reserva remunerada, jornalista e cientista social. Especialista em inteligência e marketing. Escreve sobre militares, geopolítica, tecnologia militar, forças armadas, polícia militar, segurança pública em geral e artes marciais, como Jiu-jitsu e MMA. Análises sobre geopolítica e política brasileira. Autor do livro Militares pela Cidadania