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Fragata da Marinha do Brasil participa de operação de resgate após trágico naufrágio na Guiana; dezenas de corpos já foram localizados

Mais de 170 pessoas estavam à bordo da balsa MV Barima, que afundou a cerca de 11 quilômetros da costa há uma semana; dezenas seguem desparecidas

Fragata da Marinha do Brasil participa de operação de resgate após trágico naufrágio na Guiana; dezenas de corpos já foram localizados
Marinha do Brasil participa da operação com mergulhadores, lanchas e helicóptero baseados na fragata Independência. Foto: Marinha do Brasil

A Marinha do Brasil participa do apoio às operações de Busca e Salvamento dos tripulantes e passageiros da balsa MV Barima, que naufragou com 179 passageiros a bordo na costa da Guiana na noite do último dia 18 de julho. Uma semana depois da tragédia, 34 pessoas seguem desaparecidas, outras 76 foram resgatadas e 69 corpos foram localizados.

A Marinha deslocou a Fragata Independência, que participa das operações de busca ao lado de meios de da França, de Trinidad e Tobago e de outras nações atuantes na região. A fragata brasileira realizava trânsito entre a América do Norte e a América do Sul após participar de exercícios multinacionais no Atlântico Norte, inclusive as celebrações dos 250 anos dos Estados Unidos por meio da operação Fleteex 2026, quando foi acionada por meio do SALVAMAR Brasil.

Segundo a Agência Marinha, o MV Barima naufragou a cerca de 11 quilômetros da costa da Guiana, enquanto realizava a travessia entre a região da capital Georgetown e a aldeia de Port Kaituma, no interior do país. Entre as vítimas da trágédia estão várias crianças, segundo a mídia local.

Helicóptero e mergulhadores

Além do helicóptero AH-11B Super Lynx, a Independência conta com uma equipe de seis mergulhadores especializados. As buscas visuais podem ser realizadas a partir do próprio navio ou por meio da aeronave embarcada. As lanchas da Fragata também podem ser empregadas no apoio às operações de mergulho, segundo a Marinha.

O Capitão de Fragata Nícolas Pflueger Raynal Lira, comandante da  Independência, afirmou que o navio brasileiro dispõe de capacidades orgânicas para o apoio que o caso precisa no momento.

Possuímos, a bordo, elevada capacidade de busca por meio do nosso helicóptero, bem como meios especializados como os de mergulho para garantir o pronto emprego nas ações de localização e resgate. Nos solidarizamos com as famílias das vítimas e seguimos à disposição para auxiliar as autoridades da Guiana“, disse o comandante.

A situação é monitorada e acompanhada pelo Centro de Coordenação de Resgate Marítimo da Guiana.

Tripulantes teriam usado drogas

Conforme informaram as autoridades locais, há suspeita de que o uso de drogas pela tripulação do MV Barima pode ter contribuído para a tragédia. Dois tripulantes da balsa testaram positivo para cannabis, conforme anunciou o primeiro-ministro da Guiana, Mark Phillips.

MV Barima naufragou a 11 quilômetros da costa da Guiana. Foto: Reprodução

O MV Barima partiu por volta das 3h15 de sábado, dia 18, rumo a Port Kaituma. A quantidade de passageiros, inicialmente informada pelo governo como sendo de 116, subiu porteriormente para 133 e, e a última atualização das investigções aponta que havia 179 pessoas a bordo.

Um pedido de socorro foi recebido por volta das 23h01 de sábado (horário local). A embarcação tinha 87 anos de operação, e as condições de segurança são desconhecidas. O governo informou que a balsa contava com 250 coletes salva-vidas, duas balsas rígidas salva-vidas e seis infláveis. As causas do naufrágio ainda estão sendo investigadas.

Segundo o News Room, portal da Guiana, a área de busca foi ampliada para 2.100 quilômetros quadrados.

Governo abre comissão de inquérito

O governo da Guiana abriu uma Comissão de Inquérito presidida pelo magistrado Godfrey Phillip Smith para investigar a tragédia do MV Barima, segundo informou o portal. A comissão conta comcomissários regionais e internacionais com experiência em operações e legislação marítimas.

Os termos de referência da Comissão de Inquérito estabelecerão todas as circunstâncias que envolveram a tragédia, incluindo as causas e quaisquer outros fatores relacionados ao carregamento da embarcação, ao embarque de passageiros, às condições a bordo, ao emborcamento e naufrágio do MV Barima e a quaisquer outras questões correlatas, segudo as autoridades.

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Fernando Bianchi

Fernando Bianchi

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na área da comunicação, redação e reportagem. Atuou como repórter em veículos impressos e multimídia, além de projetos na comunicação corporativa, pública e assessoria de imprensa. Escreve sobre geopolítica, defesa e novas tecnologias.