A israelense Elbit Systems apresentou um conceito para transformar embarcações comerciais em bases flutuantes de drones, usando o Hermes 650 Spark como aeronave principal e criando uma alternativa mais barata e menos complexa aos porta-aviões tradicionais, segundo a Defense News.
A proposta prevê que cada navio adaptado carregue entre nove e 12 drones Hermes 650 Spark, além da infraestrutura de convés, sistemas de controle e suporte de missão necessários para lançar, recuperar e operar as aeronaves no mar.
Conceito naval
A ideia da Elbit não é construir um porta-aviões convencional.
O plano é usar navios comerciais convertidos como plataformas de lançamento e recuperação para drones de longa duração.
Na prática, a empresa tenta vender uma espécie de “porta-drones” mais simples, pensado para ampliar vigilância marítima sem exigir a compra de um navio-aeródromo tradicional.
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O conceito surge em um momento em que várias marinhas procuram alternativas para monitorar áreas oceânicas enormes, proteger cabos submarinos, acompanhar navios suspeitos, vigiar plataformas energéticas e responder a ameaças com menor custo.
Diferente de um porta-aviões clássico, esse modelo não depende de caças tripulados, catapultas gigantescas ou grandes grupos aéreos embarcados.
A proposta se apoia em drones táticos, controle remoto, missões de vigilância e operação distribuída.
Hermes 650 Spark
O centro do projeto é o Hermes 650 Spark, drone tático apresentado pela Elbit como uma aeronave de média altitude e longa permanência.
Segundo a própria empresa, o modelo foi projetado para operar em pistas curtas, possui decolagem e pouso automáticos, capacidade de auto-táxi, aviônicos avançados e autonomia de até 24 horas.
O Hermes 650 Spark também foi anunciado com carga útil de até 260 kg, oito estações modulares, grandes compartimentos internos e seis pontos duros nas asas para diferentes tipos de sensores ou equipamentos.
Essas características explicam por que a Elbit tenta empacotar o drone como solução naval.
Uma aeronave não tripulada capaz de permanecer muitas horas no ar pode ampliar o horizonte de vigilância de um navio.
Em vez de depender apenas de radares embarcados, a força naval pode colocar sensores no ar e observar uma área muito maior.
Motor na frente
Um detalhe técnico citado pela Defense News chama atenção.
O Hermes 650 Spark usa motor instalado na parte frontal, configuração que, segundo a empresa, amplia a margem de potência, permite maior faixa de velocidade, favorece missões mais longas e ajuda em operações de pouso e decolagem curtos, conhecidas pela sigla STOL.
Essa capacidade é essencial para operar a partir de navios adaptados, onde o espaço de convés é muito menor do que em um porta-aviões convencional.
Quanto menor a distância necessária para decolar e pousar, mais viável fica transformar uma embarcação comum em base aérea improvisada.
Mesmo assim, a proposta exige modificações relevantes.
O navio precisaria receber área de convés adequada, sistemas de controle, comunicação, armazenamento, manutenção e procedimentos de segurança para operar drones de maneira contínua.
Controle integrado
A Elbit também aposta na compatibilidade entre o Hermes 650 Spark e a estrutura de controle do Hermes 900, drone maior e já conhecido no mercado internacional.
Segundo a Defense News, a empresa afirma que o Hermes 650 poderia ser gerenciado como parte de um arranjo combinado com o Hermes 900, a partir de um sistema de controle em terra, enquanto os navios funcionariam como pontos remotos de lançamento e recuperação.
A ideia é reduzir a necessidade de pessoal embarcado e diminuir o número de estações de controle exigidas para operar a frota de drones.
Esse ponto é importante porque tripulação custa caro.
Quanto mais uma força naval conseguir operar sensores, aeronaves e missões com equipes menores, maior será o apelo do sistema para países que precisam vigiar grandes áreas marítimas, mas não têm orçamento para grandes frotas.
Países com mares enormes
A Elbit citou casos como Japão, Dinamarca e Alemanha para exemplificar o tipo de desafio que esse conceito tenta resolver.
O Japão precisa vigiar uma área marítima extensa no Indo-Pacífico.
A Dinamarca tem responsabilidades ligadas à Groenlândia.
A Alemanha observa com atenção o ambiente de segurança no Mar Báltico, região que ganhou peso estratégico após a guerra na Ucrânia e o aumento da tensão com a Rússia.
Em todos esses cenários, drones lançados de navios poderiam ampliar patrulhas, reduzir lacunas de vigilância e reforçar presença naval sem exigir porta-aviões tradicionais.
Para Israel, o conceito também tem apelo.
Corrida dos porta-drones
A Elbit não entra sozinha nesse mercado.
A ideia de navios capazes de operar drones já ganhou força em países como Turquia, Irã e China.
A Business Insider descreveu os porta-drones como uma categoria emergente de navios militares e destacou que o TCG Anadolu, da Turquia, foi adaptado para operar aeronaves não tripuladas da Baykar, enquanto o Irã apresentou um navio convertido a partir de um cargueiro e a China avançou com uma embarcação anfíbia modificada para operações aéreas não tripuladas.
A diferença é que a Elbit tenta vender uma solução mais modular: em vez de construir um navio militar dedicado desde o início, a proposta mira embarcações comerciais convertidas.