Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Defesa proíbe envio de dados estratégicos à IA nas escolas militares e prevê punições para evitar vazamentos

Nova portaria do Ministério da Defesa regulamenta o uso de inteligência artificial generativa na Escola Superior de Guerra e na Escola Superior de Defesa, proíbe o envio de informações protegidas a plataformas não autorizadas e prevê responsabilização em caso de descumprimento.

Defesa proíbe envio de dados estratégicos à IA nas escolas militares e prevê punições para evitar vazamentos
Militares do Exército Brasileiro durante treinamento. Nova portaria do Ministério da Defesa estabelece regras para o uso de inteligência artificial generativa na Escola Superior de Guerra e na Escola Superior de Defesa, com restrições ao envio de informações protegidas para plataformas de IA. Foto: Exército

Para preservar a segurança da informação, a proteção de dados e a confidencialidade de informações estratégicas, o Ministério da Defesa de publicar uma portaria com normas sobre o uso de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (IA) nas atividades acadêmicas da Escola Superior de Guerra e também da Escola Superior de Defesa.

Assinada pelo Chefe de Educação e Cultura do Ministério da Defesa, Almirante de Esquadra Guilherme da Silva Costa, a portaria foi publicada nesta terça-feira, 14 de julho, no Diário Oficial da União e já se encontra em vigor, afetando diretamente o uso de plataformas como Gemini, ChatGPT, Claude, Perplexity e DeepSeek.

Princípios de uso da IA

A norma do Ministério da Defesa enumera 10 princípios que deverão ser adotados por professores, alunos, servidores, colaboradores e qualquer pessoa que tenha ligação com as atividades acadêmicas das instituições.

Três dos mais sérios princípios têm relação com soberania, autonomia tecnológica, consciência de riscos e segurança.

O Ministério da Defesa determina que deverão ser priorizadas soluções tecnológicas que preservem o controle institucional sobre os dados, modelos e processos, especialmente em contextos estratégicos ou que envolvam informações sensíveis. Algo ainda pouco factível na realidade brasileira.

Receba nosso Boletim Militar diretamente no seu e-mail

Seja o mais bem informado da sala em menos de 3 minutos de leitura

Um estudo feito por pesquisadores da USP e UnB publicado em julho de 2025 mostrou que o Brasil sofre grave risco à soberania nacional por gastar dezenas de bilhões de reais com licenças de soluções tecnológicas estrangeiras, como softwares, soluções de cloud (nuvem), aplicações de segurança e outros serviços similares. 

Para os pesquisadores, “ao delegar infraestrutura crítica a fornecedores globais, o setor público brasileiro compromete sua autonomia tecnológica, reduz sua capacidade estratégica, compromete sua capacidade de defesa e bloqueia o surgimento e fortalecimento de soluções públicas nacionais baseadas em soberania digital”.

Proibições feitas pelo Ministério da Defesa sobre uso de IA

O documento do Ministério da Defesa também deixa claro que é proibido submeter dados pessoais, sensíveis ou informações classificadas a ambientes externos ou não autorizados e que o tratamento desses dados deve observar os níveis de sigilo, autorização formal e controle proporcional aos riscos. 

“A seleção de ferramentas e casos de uso deve ser precedida de reflexão do usuário sobre os potenciais riscos, considerando eventuais implicações legais, éticas e de proteção de dados”, adverte o texto.

6 usos proibidos da IA

1 – Apresentar como produção própria conteúdo gerado por IA

2 – Inserir informação sensível em ferramentas não aprovadas pelas instituições

3 – Fabricar ou falsear referências, citações, dados, entrevistas, resultados, observações de campo ou evidências documentais

4 – Creditar a IA como autora, coautora ou responsável por produção acadêmica

5 – Usar a IA em avaliações individuais, provas e trabalhos avaliativos

6 – Enviar manuscritos inéditos, avaliações, pareceres, dados internos ou material de uso restrito ou sigiloso à ferramenta de IA

Formalização do compromisso

A portaria do Ministério da Defesa estabelece ainda que todos os professores e alunos das instituições de ensino terão que ser treinados e capacitados sobre os princípios de uso de IA e deverão assinar uma declaração com diversos compromissos.

O uso indevido de ferramenta de IA, as omissões de declaração e a negligência dos envolvidos poderão ser responsabilizados administrativamente e até na Justiça.

“A apuração de responsabilidade poderá resultar em reprovação do trabalho ou atividade acadêmica, suspensão ou desligamento do curso, sem prejuízo das demais medidas nas esferas administrativa, cível e penal, observada a legislação aplicável em cada caso”, diz o texto.

guest
0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Campos

Campos

Jornalista com experiência na cobertura política, econômica e militar. Escreve para o portal Revista Sociedade Militar desde maio de 2024, cobrindo assuntos como programas estratégicos das Forças Armadas, política de defesa e geopolítica. Para entrar em contato, envie e-mail para publishercampos@gmail.com