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Submarino Tonelero entregue, Almirante Karam lançado ao mar e fragatas Tamandaré avançando na construção: relatório de gestão 2025 da Marinha mostra um ano de conquistas tecnológicas marcado por forte restrição orçamentária

Submarino Tonelero entregue, Almirante Karam lançado ao mar e fragatas Tamandaré avançando na construção: relatório de gestão 2025 da Marinha mostra um ano de conquistas tecnológicas marcado por forte restrição orçamentária
A fragata Jerônimo de Albuquerque (F201), lançada ao mar em 2025 como parte do Programa Fragatas Classe Tamandaré, integra o esforço de renovação dos principais meios de escolta da Esquadra brasileira e representa um dos marcos tecnológicos do relatório de gestão da Marinha no último ano.
Felipe Alves da Silva
Felipe Alves da Silva
Publicado 29/07/2026 às 12:11h

O documento de 333 páginas, publicado em março de 2026, detalha os avanços da Marinha na renovação da Esquadra, na construção de submarinos e no desenvolvimento da propulsão nuclear, sob um cenário de reprogramação de despesas e metas adiadas

A Marinha do Brasil avançou em 2025 na renovação de sua Esquadra, na construção de submarinos, no desenvolvimento da propulsão nuclear e na ampliação da capacidade de vigilância da Amazônia Azul. Os resultados foram alcançados sob severas restrições orçamentárias, que obrigaram a Força a reprogramar despesas, adiar metas e concentrar recursos nos projetos considerados prioritários.

Segundo o Relatório de Gestão 2025 do Comando da Marinha, publicado em março de 2026, o documento reúne informações sobre operações militares, projetos estratégicos, atendimento à população, segurança da navegação, gestão de pessoal e execução financeira. A Força é responsável por uma área marítima de aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados, uma região de busca e salvamento superior a 14,1 milhões de quilômetros quadrados e uma malha hidroviária com cerca de 63 mil quilômetros de rios navegáveis. Não é um território qualquer: por ele passam aproximadamente 95% do comércio exterior brasileiro e 99% das comunicações internacionais do país, que dependem dos cabos submarinos distribuídos ao longo do litoral.

PROSUB entrega o Tonelero e lança o Almirante Karam

Cerimônia de mostra de armamento do Submarino Tonelero (S42) realizada pela Marinha do Brasil em 26 de novembro no Complexo Naval de Itaguaí (RJ). Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos concentrou alguns dos principais marcos do ano. O Tonelero (S42), terceiro submarino brasileiro da classe Scorpène construído no país com apoio do Naval Group, realizou sua primeira imersão dinâmica em janeiro de 2025, a primeira imersão em profundidade em março e um lançamento de armas em julho, antes de ser formalmente entregue ao setor operativo em 26 de novembro, na base naval de Itaguaí.

Na mesma data, a Marinha lançou ao mar o Almirante Karam (S43), quarta unidade convencional da classe Riachuelo — o navio havia concluído o embarque das baterias em junho e recebido a primeira carga completa no mês seguinte. O PROSUB prevê a construção de quatro submarinos convencionais derivados do projeto francês Scorpène, a implantação de infraestrutura industrial e de apoio em Itaguaí e, como objetivo de maior complexidade, a obtenção do primeiro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA) brasileiro. O relatório destaca que a transferência de tecnologia associada aos contratos busca capacitar o país a projetar, construir e manter submarinos convencionais e nucleares, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros.

A infraestrutura também avançou. Na Base de Submarinos da Ilha da Madeira, foram entregues o prédio do comando, a subestação dos cais 3 e 4 e a estação de tratamento de efluentes, esta última ainda com pendências. Os tanques de óleo combustível e o prédio administrativo do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché estavam em fase final de execução. No Estaleiro de Manutenção da Ilha da Madeira, foi entregue uma oficina de apoio à manutenção dos motores diesel, enquanto seguiam em andamento a montagem e o comissionamento das bancadas da sala limpa destinada aos serviços especializados nos submarinos. O ano também trouxe o terceiro período de manutenção atracado do submarino Humaitá e o início da primeira docagem de rotina do Riachuelo. Ao final de 2025, a Marinha registrava cerca de R$ 2,7 milhões inscritos em restos a pagar, relacionados principalmente à compra, no exterior, de sobressalentes para os submarinos da classe Riachuelo.

Não é a primeira vez que um programa estratégico de defesa reporta avanço físico abaixo da meta sem que isso signifique atraso real de execução — no caso do SNCA, o relatório atribui parte da diferença a uma mudança de metodologia recomendada pelo próprio Tribunal de Contas da União, que deixou de contabilizar a transferência de tecnologia como ativo incorporado ao programa e passou a tratá-la como despesa do exercício.

No projeto do futuro submarino nuclear, o relatório destaca a conclusão da parametrização das máquinas semiautomáticas de soldagem e da fabricação de ferramentas e gabaritos empregados na produção do casco, além de etapas de consultoria técnica relacionadas aos sistemas e equipamentos especiais. Em junho de 2025, a Marinha assinou dois contratos para aquisição de pacotes de materiais importados destinados ao SNCA e realizou os pagamentos iniciais necessários para que os instrumentos entrassem em vigor — as entregas começam nos próximos anos.

Programa Nuclear avança e fragatas Tamandaré fazem testes de mar

Fragata militar brasileira atracada em estaleiro durante cerimônia oficial de batismo
Cerimônia de batismo da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC), onde Lula defendeu prioridade para a defesa nacional. Imagem: Primeiro-Sargento Ferreira/Marinha do Brasil
Fonte: Agência Marinha de Notícias

O Programa Nuclear da Marinha também avançou no desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear e do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), protótipo em terra da planta nuclear que deverá equipar o futuro submarino — ele permite testar reator, sistemas de geração de energia, controles e equipamentos auxiliares antes da instalação em uma plataforma naval. Em 2025, a meta de avanço físico do LABGENE era de 1,5%; o resultado informado foi de 1,7%. Entre as atividades realizadas estão a conclusão de obras civis no Prédio Auxiliar Controlado, a prontificação de painéis e sistemas da sala de controle e a continuidade do licenciamento junto à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear. A Marinha também avançou na elaboração dos documentos de segurança do depósito intermediário de rejeitos do ciclo do combustível e concluiu o Curso de Treinamento Básico do LABGENE para parte do pessoal envolvido. Somando ciclo do combustível e LABGENE, o programa alcançou 66,8% de execução física acumulada — abaixo da trajetória inicialmente planejada, o que exigirá compensar a diferença nos exercícios seguintes.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré registrou três marcos em 2025: a realização dos testes de mar da primeira fragata, o lançamento da Jerônimo de Albuquerque e o batimento de quilha da Cunha Moreira. As quatro fragatas fazem parte do esforço de renovação dos principais meios de escolta da Esquadra e são apresentadas pela Marinha também como projeto de fortalecimento da construção naval brasileira e de aquisição de conhecimento em engenharia, integração de sistemas e gerenciamento de produção. O processo emprega uma plataforma digital sem papel e um modelo modular, no qual os blocos dos navios são produzidos simultaneamente antes da união final.

Entre os componentes tecnológicos das fragatas estão:

  • Sistema de gerenciamento de combate, desenvolvido pela Atech em parceria com a Atlas Elektronik, que integra 22 componentes relacionados a sensores, comunicações e armamentos;
  • Sistema integrado de gerenciamento da plataforma, produzido pela Atech em parceria com a L3Harris, que monitora e controla 68 sistemas, incluindo propulsão, geração de energia, equipamentos auxiliares e controle de avarias.

Segundo o relatório, a transferência de tecnologia associada ao programa consolidou no Brasil conhecimentos aplicáveis não apenas aos navios, mas também a futuras infraestruturas terrestres de comando e controle.

Navios-patrulha atrasam, Oiapoque é esperado até o fim de 2026

A construção dos navios-patrulha Mangaratiba e Miramar, de 500 toneladas cada, continuou em 2025, mas foi afetada pelo bloqueio de recursos. No Mangaratiba, houve avanços nos sistemas de propulsão e geração elétrica, nas estruturas e no acabamento; no Miramar, foi iniciada a construção do casco em blocos. A Marinha reconheceu que a restrição orçamentária obrigou a readequar o planejamento e transferir parte das metas físicas para o exercício seguinte — as embarcações serão usadas em patrulha naval, proteção das plataformas de petróleo e gás, fiscalização das águas jurisdicionais e repressão a atividades ilícitas.

O Programa de Consolidação da Brigada Anfíbia do Rio de Janeiro (PROADSUMUS) registrou a entrega de dez viaturas operativas pesadas não blindadas Unimog ao Corpo de Fuzileiros Navais, ampliando a mobilidade logística e a capacidade de pronta resposta em operações militares, apoio à defesa civil e missões humanitárias.

O Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) prosseguiu na expansão da consciência situacional marítima, com avanços na Unidade de Vigilância de Castelhanos e no fornecimento de dados de radar na região do Albardão, no extremo sul do litoral. O sistema reúne informações de radares, sensores, satélites, aeronaves, navios e órgãos civis para formar um quadro integrado das atividades nas águas jurisdicionais brasileiras.

O relatório detalha ainda a aquisição do futuro Navio-Doca Multipropósito Oiapoque (G350), antigo HMS Bulwark da Marinha Real Britânica. O contrato foi assinado em 2025, e grupos da futura tripulação foram enviados ao Reino Unido para cursos, familiarização a bordo e acompanhamento da preparação do navio, que deverá ser transferido à Marinha na condição “Ready to Sail” até o fim de 2026. O Oiapoque poderá transportar tropas, veículos, equipamentos, embarcações de desembarque e aeronaves, além de receber hospitais de campanha e um centro integrado de planejamento e controle — capacidades que permitirão seu uso em operações anfíbias, proteção de brasileiros no exterior, diplomacia naval e resposta a desastres naturais. A aquisição é feita em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional: em 2025, a ação orçamentária registrou dotação e empenho de R$ 1 milhão; o planejamento prevê R$ 150 milhões em 2026 e parcelas anuais de R$ 109,2 milhões entre 2027 e 2031.

Operações internacionais e atendimento à população somam números expressivos

A Marinha manteve ampla agenda de treinamento no Brasil e no exterior. Entre as operações internacionais estiveram a Jeanne d’Arc, com a França; a UNITAS LXVI; a FRATERNO XXXVIII, com a Argentina; e a GUINEX-V e Obangame Express, no Golfo da Guiné. No território nacional, destacaram-se as operações Atlas, Aspirantex, Furnas e os exercícios de lançamento de armas e ADEREX.

Alguns números ilustram a escala dessas operações:

  • A Operação Atlas ocupou 94 dias, envolveu 6.379 militares, dez navios, 11 aeronaves e 45 meios do Corpo de Fuzileiros Navais, com 15.271 milhas náuticas navegadas;
  • A UNITAS LXVI durou 92 dias, envolveu uma unidade naval brasileira, uma aeronave e 277 militares, com 10.515 milhas náuticas percorridas;
  • A Jeanne d’Arc mobilizou 736 militares, quatro navios, uma aeronave e nove meios dos Fuzileiros Navais durante 20 dias.

Nas atividades subsidiárias, voltadas principalmente a regiões ribeirinhas e comunidades de difícil acesso, o balanço de 2025 registrou:

  • 26.568 atendimentos médicos;
  • 7.696 atendimentos odontológicos;
  • 62.929 atendimentos de enfermagem;
  • 103.910 exames;
  • distribuição de 1.133.793 medicamentos.

Na formação profissional, foram capacitados 17.793 aquaviários, 1.796 trabalhadores portuários e 214 mergulhadores. O Programa Forças no Esporte mobilizou 39 organizações militares e atendeu 5.410 alunos, enquanto o Projeto Soldado-Cidadão profissionalizou 2.301 jovens que haviam concluído o serviço militar inicial. A força de trabalho da Marinha totalizava 69.504 pessoas, distribuídas por 419 organizações militares.

Como Autoridade Marítima Brasileira, a Marinha inspecionou 263.861 embarcações durante o ano. As fiscalizações resultaram em:

  • 15.494 notificações;
  • 9.627 autuações;
  • 2.119 apreensões;
  • 732 inquéritos instaurados relacionados a acidentes e fatos da navegação.

A Força emitiu 85.915 habilitações, renovou outras 47.008 destinadas ao esporte e recreio e processou mais de 40 mil inscrições de embarcações. Na segurança da navegação, foram realizadas 254 operações de busca e salvamento, 194 levantamentos hidrográficos, 792 serviços de manutenção de auxílios à navegação e a produção ou atualização de 151 cartas náuticas. O país contava com 803 auxílios à navegação sob responsabilidade da Marinha, 13 radiofaróis e dois sistemas de controle de tráfego marítimo em operação, além de outros 11 sistemas em implantação.

Restrição orçamentária ameaça previsibilidade dos programas estratégicos

Apesar dos avanços, a restrição financeira aparece como preocupação transversal em praticamente todo o relatório. A Lei Orçamentária Anual foi sancionada somente em 10 de abril de 2025, obrigando a Marinha a conduzir os primeiros meses do exercício sob regime restritivo. Depois, a contenção de despesas do Poder Executivo e a limitação permanente do movimento de empenho exigiram sucessivas reprogramações — a recomposição de recursos foi apenas parcial, e a administração naval precisou priorizar despesas ligadas à prontidão operacional, à manutenção dos meios e aos programas considerados estratégicos.

A Lei Complementar nº 221, aprovada durante o exercício, foi classificada como relevante para o financiamento das ações de Defesa. A Marinha observa, porém, que a medida não resolve o problema estrutural da falta de um fluxo regular e previsível de recursos. A avaliação institucional é que a instabilidade ameaça não apenas os cronogramas, mas também a preservação da Base Industrial de Defesa e dos conhecimentos tecnológicos adquiridos ao longo de décadas.

O balanço de 2025 mostra, assim, duas realidades simultâneas: uma Marinha em amplo processo de transformação tecnológica — com o Tonelero entregue, o Almirante Karam lançado, as fragatas Tamandaré em testes de mar e o programa nuclear avançando em etapas industriais — e uma estrutura financeira que ainda não oferece a previsibilidade necessária para sustentar esse ritmo. A execução orçamentária de 2026, e sua eventual estabilização por meio de mecanismos como a Lei Complementar nº 221, deve ser o próximo ponto de checagem para saber se os cronogramas do PROSUB, do programa nuclear e das fragatas Tamandaré conseguem voltar à trajetória originalmente planejada.

Fonte: Poder Naval

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com