O Peru recebeu no porto de Callao, nesta semana, os primeiros tanques K2 Black Panther e blindados K808 fabricados na Coreia do Sul, um lote inicial destinado a testes que antecede a assinatura do contrato final de um acordo avaliado em mais de US$ 1,4 bilhão, conforme noticiou o Defence Blog.
O que chegou a Callao
O navio cargueiro GLOVIS SAFETY desembarcou ao menos dois tanques K2 Black Panther e seis blindados de transporte de pessoal K808. Trata-se de uma entrega de avaliação, anterior ao contrato definitivo, para que as guarnições peruanas façam testes de partida a frio, de manutenção e de mobilidade em alta altitude nos Andes.
O acordo-quadro, assinado em dezembro de 2025 entre a Hyundai Rotem e a estatal peruana FAME S.A.C., prevê 54 tanques K2 e 141 blindados K808, a maior exportação terrestre sul-coreana para a América Latina e a primeira venda do K2 fora da Europa.
Do T-55 ao Black Panther, um salto de gerações
O Exército do Peru dependia, até aqui, de tanques soviéticos T-55, comprados em 1973, de blindados franceses AMX-13 dos anos 1960 e de transportes americanos M113, todos muito além da vida útil. O K2 representa um salto de gerações, com motor diesel de cerca de 1.500 cavalos, suspensão que ergue ou baixa o casco conforme o terreno, canhão de 120 milímetros com carregador automático capaz de operar em movimento e velocidade de até 70 km/h.
A compra integra um plano maior de modernização peruana, que inclui sistemas de foguetes PULS, da israelense Elbit, o codesenvolvimento de submarinos com a Coreia do Sul e a aquisição de novos caças. A entrada sul-coreana na América do Sul sinaliza um afastamento dos fornecedores tradicionais, historicamente Estados Unidos, Europa e, mais recentemente, China.
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E o Brasil, com os Leopard dos anos 1980?
O contraste com o vizinho é inevitável. Enquanto o Peru negocia 54 tanques novos, o principal carro de combate do Exército Brasileiro segue sendo o Leopard 1A5 BR, plataforma concebida nos anos 1960, fabricada nas décadas de 1970 e 1980 e comprada usada da Alemanha. O Brasil já iniciou a desativação do icônico Leopard 1 e corre para acelerar a escolha de um novo carro de combate, mas ainda sem decisão final.
Por ora, a aposta brasileira é revitalizar 52 Leopard para mantê-los operacionais até 2040, enquanto avalia candidatos como o CV90120 e o Centauro II. O movimento peruano recoloca uma pergunta incômoda no debate de defesa: enquanto um vizinho salta para um blindado moderno, o Brasil estica a vida de uma frota da era da Guerra Fria, e o equilíbrio de forças terrestres na América do Sul muda em silêncio.