Um submarino da China disparou, em 6 de julho de 2026, um míssil balístico estratégico com capacidade nuclear e ogiva-manequim que caiu no Oceano Pacífico, entre Nauru, Tuvalu e as Ilhas Salomão, provocando uma onda de condenações de nações insulares que chamam a região de continente azul, segundo a agência AFP.
Onde o míssil caiu, e por que assustou tanto
O projétil atingiu uma das poucas faixas de mar entre as ilhas que não pertence a nenhuma zona econômica exclusiva. Ainda assim, o presidente de Palau, Surangel Whipps, afirmou que ele caiu bem no meio das ZEEs da região.
A reação foi rara pela amplitude, com condenações que partiram até de países endividados com Pequim. Tuvalu falou em grave e séria preocupação, Vanuatu pediu que a China pare imediatamente com os testes, e o ministro da Defesa de Fiji, Pio Tikoduadua, revelou ter pedido pessoalmente à embaixada chinesa que não realizasse o lançamento.
O primeiro-ministro de Papua-Nova Guiné, James Marape, disse que aquele deveria ser o último teste do tipo em águas do Pacífico, recado estendido a todas as potências. O Fórum das Ilhas do Pacífico prepara uma declaração conjunta sobre o caso.
“Continente azul” e a memória das feridas nucleares
O termo continente azul é usado pelas ilhas para descrever um lar comum e a guarda compartilhada do oceano. Por trás da revolta há cicatrizes históricas. Os Estados Unidos realizaram 67 detonações nucleares nas Ilhas Marshall, entre 1946 e 1958, e França e Reino Unido também fizeram testes atômicos na região antes de 1996. A presidente das Marshall, Hilda Heine, citou esse passado ao criticar o teste chinês.
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Pequim afirmou que o lançamento não foi direcionado a nenhum país e não violou lei internacional. Para os líderes do Pacífico, porém, o episódio é uma demonstração explícita do alcance militar chinês e uma prévia do que seria uma guerra de verdade em suas águas, contrariando o Tratado de Rarotonga, que define a região como zona livre de armas nucleares.
O que o Atlântico Sul tem a ver com isso
O caso expõe um padrão que interessa diretamente ao Brasil, o de grandes potências usando oceanos distantes como campo de tiro, por cima da objeção das nações que vivem ali. É a mesma lógica que já move a crescente disputa militar pelo Atlântico Sul e o papel que a Marinha do Brasil terá de assumir nas próximas décadas.
Com 5,7 milhões de km² de Amazônia Azul, ricos em petróleo e minerais estratégicos, o Brasil enfrenta o mesmo dilema das ilhas do Pacífico, o de afirmar soberania sobre um imenso espaço marítimo cada vez mais cobiçado por atores extra-regionais. O que aconteceu perto de Tuvalu é, no fim, um aviso de uma tendência global: o mar virou arena de disputa entre potências, e cabe aos países costeiros garantir que sua voz seja ouvida.
A operação Lava jato, coordenada por capachos dos EUA, entre eles Sérgio Moro e Dagnol, tirou muito do poder do Brasil de defender seu território marítimo.