Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Criado pela avó e vendendo picolé no Sertão da Paraíba para ajudar em casa, Gilmá Henrique passou por soldado, sargento e investigador em três estados até ser nomeado, aos 40 anos, comandante de uma companhia da Polícia Militar do Ceará

A trajetória de Gilmá Henrique, de menino vendedor de picolé no Sertão da Paraíba a 1º tenente da PMCE, virou símbolo de superação para concurseiros.

Criado pela avó e vendendo picolé no Sertão da Paraíba para ajudar em casa, Gilmá Henrique passou por soldado, sargento e investigador em três estados até ser nomeado, aos 40 anos, comandante de uma companhia da Polícia Militar do Ceará

Ainda criança, Gilmá Henrique já acordava cedo para vender picolé, carregar feiras e trabalhar como carroceiro no mercado público de Água Branca, no Sertão da Paraíba. Criado pela avó, ajudava a sustentar a casa antes mesmo de crescer.

Quatro décadas depois, o mesmo menino veste a farda de oficial. Em julho de 2026, aos 40 anos, Gilmá foi nomeado comandante de uma companhia da Polícia Militar do Ceará.

A infância foi dividida entre o trabalho e o desejo de estudar

Nascido em junho de 1986, Gilmá Ferreira Henrique do Nascimento cresceu em meio a dificuldades financeiras. A criação ficou a cargo da avó, num contexto de limitações econômicas que empurrou o menino cedo para o trabalho.

Entre uma tarefa e outra, carregava o desejo de estudar. Foi essa vontade que o tirou aos poucos do mercado público e o levou a buscar uma vida diferente da que via ao redor.

No Sertão da Paraíba, onde as oportunidades são poucas, o serviço público aparece como uma das rotas mais concretas de ascensão. Era esse o horizonte que o jovem enxergava para escapar da falta de perspectiva.

Os primeiros empregos vieram antes da farda

Antes de entrar na segurança pública, Gilmá passou por uma série de trabalhos. Foi agente de combate a endemias, agente penitenciário na Paraíba, recenseador do IBGE e até radialista.

Cada função exigia estudo e aprovação em processos seletivos, o mesmo caminho que leva milhares de brasileiros a disputar uma vaga em concursos das forças de segurança. Para ele, foi a forma de construir estabilidade partindo do zero.

Cada aprovação abria uma porta e financiava a próxima etapa de estudo. Foi somando esses cargos que ele reuniu experiência e fôlego financeiro para mirar mais alto, na carreira militar.

A carreira na segurança começou como soldado na Paraíba

A virada definitiva veio com a farda. Gilmá ingressou na Polícia Militar da Paraíba, onde permaneceu por nove anos.

Foram três anos como soldado e outros seis como sargento, a base da carreira de praça. Foi ali que ganhou a experiência de rua que carregaria pelo resto da trajetória.

A passagem de soldado a sargento já representa uma subida na hierarquia, feita por tempo de serviço e novas avaliações. Cada degrau exigiu voltar a estudar, mesmo já dentro da corporação.

A experiência passou por três estados

A carreira de Gilmá não ficou parada num só lugar. Ao todo, ele soma cerca de 17 anos de segurança pública, com passagens por três estados: Paraíba, Pernambuco e Ceará.

Entre uma corporação e outra, atuou também como agente de investigação na Polícia Civil de Pernambuco, função parecida com as vagas de agente e investigador das polícias civis. A soma de funções e estados deu a ele uma vivência ampla, da investigação ao policiamento ostensivo.

Cada mudança de estado significou recomeçar, prestar novo concurso ou processo interno e se adaptar a outra corporação. Foi uma carreira construída em movimento, e não em um único lugar.

A nomeação no Ceará coroou a virada

O ponto alto veio em 3 de julho de 2026. O comandante-geral da Polícia Militar do Ceará nomeou Gilmá, já 1º tenente, para comandar a 2ª Companhia do 34º Batalhão da corporação.

A unidade responde pelo policiamento dos municípios de Várzea Alegre, Lavras da Mangabeira, Cedro e Granjeiro. Sob seu comando ficam cerca de 100 mil habitantes, numa área de aproximadamente 2.616 quilômetros quadrados.

Comandar uma companhia significa responder pela tropa, pela rotina de patrulhamento e pelos resultados de segurança da área. É um posto de chefia, bem distante do ponto de partida daquele menino no mercado público.

Do carrinho de picolé ao comando de uma companhia, foram décadas de trabalho e estudo somados.

A história virou símbolo de superação no Sertão

A trajetória repercutiu na região de origem e nas páginas de segurança pública. O caso passou a ser citado como exemplo de superação para quem enfrenta a mesma largada difícil.

Segundo o registro da trajetória, a história de Gilmá virou referência entre concurseiros e jovens do Sertão que sonham com a farda, mas veem na origem humilde um obstáculo.

Da base de praça ao oficialato, um caminho possível

A trajetória de Gilmá mostra na prática como funciona a carreira nas forças de segurança. A maioria entra pela base, como soldado, cargo que exige apenas o nível médio e abre o maior número de vagas nos concursos.

A partir daí, o policial pode subir na hierarquia de praça, de cabo a subtenente, ou buscar o oficialato, o topo da carreira, com novos cursos e provas internas. A patente de tenente, que Gilmá alcançou, faz parte do quadro de oficiais.

Não é um caminho rápido, e poucos chegam ao comando de uma unidade. Mas a estrutura permite que quem começa na base, com estudo e tempo de serviço, avance degrau a degrau.

O caminho passou por concurso e estudo

A trajetória de Gilmá segue a mesma lógica de milhares de aprovados: cada degrau exigiu prova, preparação e paciência. Da endemia à patente de oficial, o avanço veio por seleções públicas e tempo de serviço.

Hoje, o menino que vendia picolé no mercado responde pela segurança de quatro municípios cearenses. É o retrato de como a carreira nas forças de segurança, mesmo começando na base, pode levar longe quem persiste.

Aos 40 anos, com 17 de serviço somados em três estados, Gilmá comanda o policiamento de uma faixa do interior do Ceará. A farda que hoje veste começou a ser costurada nas madrugadas de trabalho de um menino do Sertão da Paraíba.

guest
0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Jefferson Silva

Jefferson Silva

Atuo na Sociedade Militar trazendo análises e conteúdos relacionados a Geopolítica, Tecnologia militar, Industria de Defesa e Inteligência Artificial.