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Depois de mais de 200 dias sem uma escala de folga, cerca de 5.000 tripulantes do porta-aviões americano desembarcam na Tailândia entre 2 e 6 de setembro

Depois de mais de 200 dias sem uma escala de folga, cerca de 5.000 tripulantes do porta-aviões americano desembarcam na Tailândia entre 2 e 6 de setembro
Um grupo de porta-aviões americano atracando no porto de Laem Chabang, na Tailândia, o mesmo cais onde o Abraham Lincoln é esperado entre 2 e 6 de setembro. O navio da foto é o Carl Vinson, em escala anterior. Foto: Kenneth Ostas/U.S. Navy, domínio público.

O navio atraca em Laem Chabang, e o comércio de Pattaya projeta 15 milhões de bahts em movimento, algo perto de 2,3 milhões de reais.

A tripulação do porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln vai finalmente pisar em terra.

O navio e mais dois outros da Marinha dos Estados Unidos são esperados na costa leste da Tailândia entre 2 e 6 de setembro de 2026.

São cerca de 5.000 militares a bordo, entre marinheiros e fuzileiros.

Para uma parte deles, será a primeira licença em terra em nove meses.

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Onde o navio atraca e para onde a tripulação vai

As três embarcações estão programadas para atracar no porto de Laem Chabang, que fica na província de Chonburi.

Laem Chabang é o maior porto comercial da Tailândia e tem calado suficiente para receber um navio da classe Nimitz.

Pattaya, a cidade que aparece em todas as manchetes tailandesas sobre a visita, fica a cerca de 20 quilômetros dali.

É para lá que vai a tripulação liberada, porque o porto em si é uma área industrial sem estrutura de lazer.

Quem receber licença poderá se deslocar para fora da área portuária, segundo as autoridades locais.

Quanto tempo eles ficaram sem descer

O Lincoln deixou San Diego em 21 de novembro de 2025 e passou mais de 200 dias consecutivos no mar, sem uma única escala em que a tripulação pudesse desembarcar.

Houve apenas duas paradas desde novembro, uma em Guam em dezembro de 2025 e outra num porto não divulgado do Oriente Médio no começo de julho.

Nenhuma das duas foi escala de folga, daquelas em que a tripulação desembarca.

Em 12 de setembro o navio completa 295 dias fora de casa, o segundo deslocamento mais longo desde o fim da Guerra Fria pela base de dados do USNI News.

Na mesma semana em que a escala foi confirmada, a Marinha americana determinou que militares e familiares apagassem das redes sociais qualquer vínculo com a força.

No período, a Ala Aérea Embarcada 9 lançou mais de 10 mil surtidas e despejou mais de 1,5 milhão de libras de munição.

Quem chega junto e quem ficou para trás

O Lincoln não vem sozinho: são três navios da Marinha dos Estados Unidos atracando ao mesmo tempo.

O grupo deixou a área de responsabilidade do Comando Central americano na segunda quinzena de agosto, encerrando um deslocamento de combate de mais de 200 dias no Oriente Médio.

No lugar dele ficaram na região o USS George Washington e o USS George H. W. Bush.

A rendição é o que permitiu marcar a escala de descanso, porque a presença de porta-aviões no teatro não podia ser interrompida.

O que o comércio de Pattaya espera

A projeção que circula na imprensa tailandesa é de até 15 milhões de bahts em movimento durante os cinco dias.

No câmbio de 28 de agosto de 2026, isso equivale a cerca de 2,3 milhões de reais.

O número não é oficial: é estimativa do comércio local e das autoridades municipais, e não da Marinha americana.

Circulam também contas de gasto individual, na casa dos mil dólares por militar, que aparecem em fóruns e não têm origem em fonte identificada.

O prefeito de Pattaya declarou que a cidade está pronta para receber o contingente.

Escalas de porta-aviões americanos no Sudeste Asiático são tratadas como evento econômico local, e a última visita de um navio dessa classe à Malásia, em 2024, foi a primeira em doze anos.

O que a Tailândia fez questão de dizer

O Ministério da Defesa tailandês afirmou que a visita não é exercício militar conjunto nem operação militar com a Tailândia.

A definição oficial é de escala para descanso, recuperação e reabastecimento antes de o grupo seguir viagem.

A distinção não é detalhe burocrático.

Escala de repouso e exercício conjunto têm regimes jurídicos diferentes e produzem leituras diplomáticas diferentes na região.

Autoridades americanas e tailandesas descrevem a parada com as mesmas palavras: descanso, recuperação e reabastecimento.

Na Marinha do Brasil, quem manda no relógio é a autonomia

A pergunta natural do leitor brasileiro é como funciona a licença em terra numa comissão longa da Marinha do Brasil.

A diferença começa antes da regra de folga: um navio brasileiro não consegue ficar 200 dias no mar.

Os navios-patrulha oceânicos da classe Amazonas, os de maior alcance nessa função, têm autonomia de 35 dias.

Um porta-aviões nuclear não depende de reabastecimento de combustível para o casco, e é isso que permite o número americano.

Por isso a comissão brasileira é planejada em torno das escalas, e não apesar delas.

O NPaOc Amazonas saiu do Rio de Janeiro em 15 de fevereiro de 2022 para a Operação Obangame Express, no Golfo da Guiné, e a comissão durou 42 dias, com paradas em portos de Angola, da Namíbia e de São Tomé e Príncipe.

São 42 dias com três escalas, contra mais de 200 sem nenhuma.

A comparação de regra também esbarra em outra diferença, que é de tamanho de frota: a Marinha do Brasil perdeu metade dos seus navios de combate de superfície em 46 anos.

Com menos cascos disponíveis, cada comissão longa tira do quadro um navio que faz falta em casa, e isso encurta o planejamento.

O que acontece depois da escala

Terminada a parada, o grupo segue para San Diego.

Ao chegar, o Lincoln entra em período de manutenção em dique seco.

Não há data anunciada para ele voltar a ficar disponível para operações.

Os cinco dias em Chonburi são, para boa parte dessa tripulação, o primeiro contato com terra firme desde o ano passado.

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Carlos Menezes

Carlos Menezes

Meu nome é Carlos Menezes e escrevo sobre geopolítica, defesa, aviação, economia e setores estratégicos, buscando traduzir temas complexos de forma clara, direta e conectada ao impacto que eles têm no dia a dia do Brasil e do cidadão comum. No Sociedade Militar, meu compromisso é entregar informação prática, contexto relevante e análises que ajudam o leitor a enxergar além da manchete.