O mote de campanha dele está estampado em seus perfis de redes sociais: “pelo fim dos melancias!” O major aviador da FAB – Força Aérea Brasileira – Emmanuel de Oliveira Novaes, é candidato ao cargo de deputado federal pelo estado de Roraima.
Numa de suas postagens nas redes, Emmanuel, que é militar da ativa na Base Aérea de Roraima, comemorou hoje, 28/8, o deferimento de sua candidatura por parte da Justiça Eleitoral estadual.
Em publicação nas redes sociais, Novaes comemorou a candidatura mantida pelo TRE-RR.
Segundo declaração de Valdemar Costa Neto à Folha de S.Paulo, o pedido de retirada da legenda nasceu a partir de uma solicitação do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.
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TRE-RR mantém candidatura do major Emmanuel Novaes
O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) decidiu na quinta (27) que o pedido de exclusão do nome do militar chegou tarde, após a convenção partidária e o protocolo do registro.
Candidato a cargo político pela terceira eleição seguida, o major da ativa da Aeronáutica tem histórico de ativismo político.
Valdemar Costa Neto afirmou à Folha de São Paulo que atendeu a um pedido de José Múcio para que a legenda retirasse a candidatura do major.
Múcio e Valdemar atuaram para retirar candidato do PL
Valdemar afirmou que atendeu ao pedido de Múcio para tirar a legenda do candidato.
“Atendi porque o Múcio é um dos melhores caras que eu conheci na minha vida. Tudo que ele fala pra mim eu tenho confiança absoluta que ele está certo. E se ele pediu pra fazer isso é porque deveria ser feito. Ele é fora de série e eu sempre que puder vou atendê-lo”, disse Valdemar ao jornal Folha de São Paulo.
A partir daí, a executiva estadual do partido liberal levou o pedido ao TRE-RR por determinação da direção nacional.
Justiça aponta limite para intervenção partidária após convenção
A juíza Joana Sarmento de Matos, relatora do caso, entendeu que a autonomia partidária não permite uma intervenção “abrupta, autoritária e despida de contraditório”, depois da escolha do candidato em convenção.
A magistrada observou ainda que é “imperioso resguardar a legítima expectativa jurídica de participação no pleito eleitoral nascida da aprovação em convenção, não podendo ser retirado por mera conveniência política interna”.
“Fim dos melancias” é bandeira política da candidatura de major da FAB
Ao seu modo, o major comemorou nas redes sociais: “Chora, melancia. Começou a guerra. Não adiantou não, Lulinha, Múcio, estrelinhas do meu coração”.
Em suas redes sociais, Novaes adota discurso crítico ao governo Lula e usa a expressão “melancias” — termo pejorativo empregado por alguns setores para se referir a militares vistos como alinhados à esquerda. Entre as publicações, há ataques a adversários políticos e à cúpula militar.
Ele já havia tentado se eleger deputado estadual em 2022, mas também não teve votos suficientes. Desde então, segue fazendo militância nas redes sociais.
Candidatura de major da FAB critica atrasos do programa Gripen
Além do discurso político, Novaes tem usado a campanha para tratar de temas da Defesa, entre eles o cronograma de entregas dos caças Gripen e o orçamento da FAB:
“Brigadeiro Damasceno, deve ser muito difícil ser Comandante da Força Aérea do Lula. Eu entendo.
“Mas por favor, não apoie esse governo. A tropa não aguenta mais. Precisa de um Major se levantar e acabar com a carreira pra fazer a Força Aérea retomar sua capacidade operacional? Então vamos lá. Estou disposto. É exatamente pra isso que sou candidato.“
Críticas do major à cúpula militar e à política de defesa
Em outra publicação, ele diz que os oficiais-generais das Forças Armadas, “a partir do momento que são promovidos por escolha, por ato do presidente da República, buscam se alinhar ao governo de momento”.
“E, na minha visão, o fim dos melancias é o retorno do resgate dos juramentos que fizemos ao Brasil.”
Sobre as dificuldades orçamentárias da FAB, ele diz que “vê uma certa, vamos dizer, não sei se seria a palavra submissão, talvez a interesses políticos e não a defesa do nosso Brasil em si.”
PEC sobre militares da ativa candidatos segue parada no Congresso
Enquanto isso, continua parada no Congresso a PEC que tenta evitar que militares da ativa das Forças Armadas sejam candidatos. A medida pretende que, tão logo registrem a candidatura, eles vão automaticamente para a reserva.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 42/2023, do senador Jaques Wagner (PT-BA), prevê que militares das Forças Armadas vão para a reserva no ato do registro da candidatura.
A reserva seria remunerada apenas para quem tivesse 35 anos ou mais de serviço. A matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aguarda inclusão na pauta do Plenário; se aprovada, seguirá para análise da Câmara dos Deputados.
A proposta tem forte resistência na caserna — o general-senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), diz que ela trata os militares “como pessoas de segunda categoria”.