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Para que serve um drone de combate que voa colado a um caça pilotado: a Saab está projetando um parceiro autônomo para o Gripen E, o mesmo caça montado em Gavião Peixoto e que a Força Aérea Brasileira já opera

Para que serve um drone de combate que voa colado a um caça pilotado: a Saab está projetando um parceiro autônomo para o Gripen E, o mesmo caça montado em Gavião Peixoto e que a Força Aérea Brasileira já opera
Entenda para que serve o drone autônomo projetado pela Saab para operar com o Gripen E e por que a tecnologia interessa ao Brasil. Foto: Divulgação/SAAB

Apresentado em tamanho real pela Saab, o A3 foi concebido para avançar sobre áreas protegidas por radares e mísseis, compartilhar informações com o Gripen E e assumir tarefas nas quais a presença de um piloto elevaria o risco humano.

A Suécia começou a desenhar um tipo de aeronave que não pretende substituir imediatamente o caça pilotado, mas voar conectado a ele e assumir a parte mais perigosa da missão. O projeto da Saab prevê um drone de combate supersônico, furtivo e com elevado grau de autonomia capaz de trabalhar sob o comando tático de um Gripen E.

Na prática, seria um parceiro digital armado. Enquanto o piloto do Gripen acompanha o conjunto da operação, o drone pode avançar sobre o território adversário, procurar radares, transmitir informações, interferir em sistemas eletrônicos ou atacar um alvo sem colocar outro tripulante dentro da área mais ameaçada.

O aparelho apresentado pela Saab recebeu a designação A3-001 e, por enquanto, existe como uma maquete em escala real. A empresa mostrou o conceito durante o evento do centenário da Força Aérea Sueca, na Base Aérea de Malmen, em Linköping.

“Voar colado”, nesse caso, não significa permanecer necessariamente a poucos metros do Gripen, como um ala numa formação tradicional. Significa operar integrado à mesma rede de combate, recebendo tarefas e compartilhando informações com o caça tripulado durante a missão.

Para que serve um drone de combate ao lado de um caça pilotado?

Foto: Divulgação/SAAB

A principal utilidade é separar o piloto do ponto de maior risco sem retirar dele o comando tático da operação.

Em uma missão contra um território protegido por radares, mísseis antiaéreos e caças inimigos, o drone poderia avançar primeiro. Seus sensores ajudariam a localizar ameaças, enquanto seus sistemas de guerra eletrônica poderiam interferir nos radares adversários. Dependendo da configuração, ele também carregaria armamentos em compartimentos internos.

A Saab informa que o conceito foi pensado para guerra eletrônica, supressão de defesas aéreas e ataques de precisão em ambientes fortemente contestados. A reportagem especializada do The War Zone acrescenta o combate ar-ar entre as missões consideradas.

Isso permite imaginar diferentes formações. Um Gripen E poderia permanecer em posição mais segura enquanto um ou mais drones avançam para detectar alvos. Outra possibilidade seria usar a aeronave não tripulada como plataforma de sensores ou de interferência, obrigando o adversário a revelar a posição de seus radares.

O ganho não está apenas em evitar a perda de um piloto. O conjunto amplia a quantidade de sensores, armamentos e plataformas presentes no ar sem exigir a compra do mesmo número de caças tripulados.

O piloto não controlaria cada movimento do drone

Um drone colaborativo não foi concebido para funcionar como um aeromodelo operado continuamente por alguém no solo. A proposta depende de autonomia suficiente para navegar, manter a formação, reagir a mudanças e executar partes da missão sem que o piloto precise controlar manualmente cada curva.

O aviador continuaria responsável pelo quadro tático. Em vez de “pilotar” o drone, ele poderia atribuir objetivos, definir prioridades ou ordenar que a aeronave investigasse determinada área. Os detalhes sobre o nível de autonomia, as regras para emprego de armamentos e a divisão das decisões entre homem e máquina ainda não foram divulgados.

Esse ponto é decisivo. Um caça moderno já exige que o piloto interprete radar, sensores infravermelhos, guerra eletrônica, comunicações e armamentos. Acrescentar vários drones só funciona se a tecnologia reduzir a carga de trabalho, e não se transformar o aviador em operador simultâneo de diversas aeronaves.

Na visão apresentada pela Saab, o Gripen E atuaria como comandante tático de um ou mais drones, enquanto o avião-radar GlobalEye ajudaria a construir uma visão mais ampla do espaço aéreo.

A3 foi desenhado para ser furtivo, supersônico e armado

Foto: Divulgação/SAAB

O formato do A3 procura reduzir sua detecção por radar. O conceito não possui cauda convencional, combina asa e fuselagem numa superfície contínua e apresenta entradas de ar desenhadas para diminuir a exposição do motor. Os compartimentos internos evitariam que armas e tanques externos aumentassem a assinatura da aeronave.

A velocidade também diferencia o projeto de drones mais lentos usados para vigilância ou ataque. A Saab pretende desenvolver uma plataforma com desempenho próximo ao de um caça, capaz de acompanhar operações supersônicas e sobreviver em áreas protegidas.

Antes do A3, porém, a empresa construirá dois demonstradores chamados A1 e A2. Ambos deverão empregar o motor GE F414, o mesmo modelo utilizado no Gripen E/F.

O A1 será usado principalmente para demonstrar que a Saab consegue construir e colocar em voo uma aeronave não tripulada supersônica e de baixa observabilidade. O A2 deverá avançar nos testes de sensores, materiais e compartimento interno de armas.

Segundo o cronograma apresentado ao The War Zone, o primeiro voo do A1 é esperado dentro de aproximadamente 15 meses. Os trabalhos com os demonstradores estão contratados pelo governo sueco até 2030. O A3 mostrado ao público ainda não possui contrato de desenvolvimento para se tornar uma aeronave operacional.

Não seria um drone barato ou descartável

A proposta sueca está mais próxima de um caça sem piloto do que de um equipamento descartável enviado para uma única missão.

Peter Nilsson – Foto: Divulgação/SAAB

Peter Nilsson, responsável pelos programas avançados da Saab, estimou que um A3 poderia custar cerca de metade do valor de um Gripen, dependendo dos sensores, armamentos e capacidades exigidos pelo cliente. O custo ao longo da vida útil poderia ficar próximo de um terço do registrado pelo caça tripulado.

A estimativa ajuda a entender a proporção considerada pela empresa: dois ou três drones para cada Gripen, e não uma nuvem formada por dezenas de aparelhos baratos.

Esse detalhe muda a lógica operacional. A aeronave poderia ser exposta a riscos que um comandante evitaria impor a um caça tripulado, mas não seria tratada como munição descartável. Furtividade, velocidade supersônica, sensores avançados e motor de caça tornam o sistema valioso demais para ser sacrificado sem necessidade.

Tecnologia também pode influenciar o sucessor do Gripen

O programa não serve apenas para acrescentar um drone ao Gripen E. As tecnologias desenvolvidas para os demonstradores podem ajudar a Saab a definir o próximo caça tripulado sueco.

A mesma arquitetura básica estudada no A3 — baixa observabilidade, autonomia, integração de sensores e operação em rede — poderá alimentar um eventual sucessor do Gripen. A Suécia ainda analisa se desenvolverá uma nova aeronave nacional, se entrará num programa estrangeiro de sexta geração ou se adotará uma força com participação maior de sistemas não tripulados.

Essa decisão é esperada entre 2028 e 2030. Se o governo sueco financiar o A3, um contrato de desenvolvimento poderia surgir por volta de 2030, seguido pelos primeiros voos no início da década seguinte. A capacidade operacional inicial é projetada para meados dos anos 2030.

Mesmo que o A3 não seja comprado, o conhecimento obtido com os demonstradores continuará relevante. É justamente aqui que o projeto deixa de ser apenas um drone experimental e passa a funcionar como laboratório para a próxima geração da aviação de combate sueca.

O que o projeto tem a ver com o Brasil?

A ligação imediata está no Gripen E. A Força Aérea Brasileira encomendou 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos. Esse continua sendo o número efetivamente contratado pela FAB.

Até março de 2026, 11 unidades haviam sido entregues. Parte dos caças do contrato está sendo montada pela Embraer em Gavião Peixoto, no interior paulista, dentro de um programa que inclui transferência de tecnologia, desenvolvimento e participação da indústria brasileira.

Em julho, Saab e Embraer assinaram um acordo preliminar para a possível produção de mais 20 Gripen em Gavião Peixoto. Essas aeronaves adicionais ainda não representam uma nova encomenda da FAB: o entendimento busca ampliar a capacidade industrial para atender futuros negócios e clientes internacionais.

A Saab afirmou que pretende oferecer prioritariamente seu drone colaborativo aos operadores do Gripen E/F. Isso coloca o Brasil entre os países que poderão acompanhar de perto a evolução do projeto, mas não significa que a FAB tenha encomendado o A3 ou que empresas brasileiras já participem de seu desenvolvimento.

A distinção é importante. O Brasil é parceiro industrial do programa Gripen, mas, até agora, não foi anunciado como integrante do programa sueco de aeronaves colaborativas. Qualquer incorporação futura dependeria de decisão do governo brasileiro, recursos orçamentários, requisitos da FAB e um novo acordo de cooperação tecnológica.

Por enquanto, a Suécia está construindo demonstradores para descobrir até onde essa combinação pode chegar. O Gripen E já voa no Brasil; o parceiro autônomo ainda precisa provar que consegue sair da maquete, alcançar velocidade supersônica e cumprir uma missão ao lado de um caça pilotado.

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com