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O avô serviu, o pai serviu, e a filha de 18 anos jurou à Bandeira no Forte Pantanal ao lado de mais de 400 militares como parte da primeira turma feminina do serviço militar inicial de Campo Grande

O avô serviu, o pai serviu, e a filha de 18 anos jurou à Bandeira no Forte Pantanal ao lado de mais de 400 militares como parte da primeira turma feminina do serviço militar inicial de Campo Grande
Jovem recruta representa a primeira turma feminina do Serviço Militar Inicial durante cerimônia de Juramento à Bandeira em Campo Grande.

Thaysa Gonçalves se alistou assim que surgiu a oportunidade reservada às jovens de sua idade e agora pretende transformar a tradição militar da família no começo de uma carreira própria dentro do Exército

Aos 18 anos, a soldado recruta Thaysa Gonçalves ocupou um lugar que durante décadas esteve presente na história dos homens de sua família, mas não era oferecido às mulheres pelo alistamento militar. Na sexta-feira, 21 de agosto, ela jurou à Bandeira no Forte Pantanal, em Campo Grande, ao lado de mais de 400 soldados reunidos de diferentes quartéis da capital sul-mato-grossense.

O compromisso encerrou uma das primeiras etapas da formação da turma pioneira do Serviço Militar Inicial Feminino na cidade. Para Thaysa, porém, a solenidade teve um significado que ultrapassou o calendário do quartel: o pai havia servido, o avô também e agora era ela quem vestia a farda.

O sonho do avô chegou ao pátio do Forte Pantanal

Thaysa contou ao Jornal Midiamax que decidiu se alistar assim que soube que mulheres poderiam ingressar como soldados pelo serviço militar inicial.

“Meu pai e meu avô serviram. A partir do momento em que surgiu a oportunidade, eu falei: quero fazer parte disso.”

A escolha também carrega a memória do avô, que morreu antes de vê-la no Exército. Segundo a jovem, a avó lhe contou que um dos sonhos dele era vê-la usando a farda. Desde o começo da instrução, cada formatura passou a representar, para Thaysa, uma conquista pessoal e uma homenagem aos militares que vieram antes dela.

O pai, Edenilson Vieira de Arruda, já está aposentado do serviço militar e acompanhou o Juramento à Bandeira. Ele relatou que a filha demonstrava interesse pela carreira desde a escola. A mãe, Gabriela Gonçalves Vieira, também esteve presente e disse ter acompanhado todas as formaturas realizadas desde o ingresso da jovem.

A reportagem de origem, porém, não informa as patentes alcançadas pelo pai e pelo avô nem por quanto tempo cada um permaneceu no serviço. Esses dados seriam importantes para comparar o caminho percorrido pelas gerações, mas não devem ser preenchidos por suposição.

Mais de 400 soldados foram reunidos em uma única cerimônia

O juramento foi realizado de maneira centralizada. Militares de diferentes quartéis de Campo Grande foram reunidos no Forte Pantanal para assumir publicamente o compromisso previsto para quem conclui essa etapa da instrução.

Segundo o comandante militar do Oeste, general Alcides Valeriano, os recrutas haviam ingressado no começo de março e, desde então, passaram por serviços, acampamentos e outras atividades de adaptação à rotina do Exército.

A turma feminina de Campo Grande começou com 93 mulheres incorporadas em março de 2026, conforme os números publicados na cobertura da cerimônia de ingresso pelo Campo Grande News. A matéria sobre o juramento de agosto não informa quantas delas estavam especificamente na formação do Forte Pantanal. Por isso, não é possível afirmar que as 93 incorporadas cinco meses antes participaram daquele ato.

Esse detalhe separa os dois números: mais de 400 soldados estiveram na solenidade centralizada, enquanto 93 mulheres compunham originalmente a turma pioneira incorporada na capital.

A novidade não é a presença de mulheres no Exército, mas a forma de ingresso

Mulheres brasileiras já serviam nas Forças Armadas antes de Thaysa nascer. Elas ingressavam principalmente por concursos, escolas militares e processos seletivos destinados a áreas específicas. A mudança de 2024 foi outra: permitir que jovens de 18 anos se alistassem voluntariamente para o serviço militar inicial, ocupando a graduação de soldado ou marinheiro-recruta.

O Decreto nº 12.154, de 27 de agosto de 2024 regulamentou o recrutamento, a seleção e a incorporação das voluntárias. Até o ato oficial de incorporação, a candidata pode desistir. Depois dele, o serviço passa a ser obrigatório para a militar selecionada, que fica submetida aos direitos, deveres e penalidades previstos na legislação militar.

Na abertura do primeiro processo, em 2025, mais de 33 mil brasileiras se apresentaram como voluntárias. O projeto-piloto do Exército reservou 1.010 vagas para 2026, distribuídas por organizações militares de 14 municípios, segundo a diretriz de implantação do Serviço Militar Inicial Feminino.

O tamanho da procura ajuda a explicar o peso da turma de Campo Grande. Thaysa não foi apenas chamada para uma cerimônia inédita: ela atravessou um processo nacional no qual dezenas de milhares de jovens disputaram pouco mais de mil vagas no Exército.

Em abril, a instituição também entregou a boina verde-oliva a 181 integrantes da primeira turma feminina formada em Brasília. O episódio da capital federal e o juramento realizado no Forte Pantanal pertencem ao mesmo processo histórico, mas mostram momentos e personagens diferentes.

Thaysa quer permanecer, mas o serviço inicial não garante uma carreira estável

Ao falar sobre o futuro, Thaysa deixou claro que não considera o juramento um ponto de chegada. A jovem pretende crescer dentro do Exército e construir ali sua trajetória profissional.

Existe, no entanto, uma diferença importante entre o desejo de permanecer e a estabilidade na carreira. O decreto permite a concessão de prorrogações do tempo de serviço às mulheres que concluírem o período inicial, desde que elas façam o pedido e atendam aos critérios definidos pelas Forças Armadas. A norma também estabelece que as incorporadas não adquirem estabilidade apenas por participarem do programa.

Quando forem desligadas do serviço ativo, elas passarão a integrar a reserva não remunerada. Para construir uma carreira permanente, será necessário seguir as formas de ingresso e progressão previstas pelo Exército.

Esse será o próximo capítulo da história de Thaysa. O avô não conseguiu vê-la fardada. O pai pôde acompanhá-la no Forte Pantanal. Depois do juramento prestado diante da Bandeira, caberá à jovem decidir até onde pretende levar uma tradição familiar que, pela primeira vez, passou também pelas mãos de uma filha.

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com