É o Reino Unido, no relatório Equipamento e Formações das Forças Armadas 2026, divulgado em 20 de agosto com números fechados no início de abril, item por item e por tipo
O país é o Reino Unido, e o documento se chama Equipamento e Formações das Forças Armadas 2026.
Ele foi divulgado pelo Ministério da Defesa britânico em 20 de agosto de 2026, com números fechados entre o fim de março e o início de abril.
A publicação lista quantidade por modelo, e não apenas totais por categoria.
São 285 carros de combate Challenger 2, 47 caças F-35B, 73 navios de guerra, nove submarinos e 14 obuseiros autopropulsados Archer.
O Brasil não tem documento público equivalente, com o inventário das três forças reunido e atualizado no mesmo lugar.
O que a lista britânica traz em terra
O total de viaturas blindadas de combate é de 996, somando os 285 Challenger 2, 185 Ajax e 526 viaturas de combate de infantaria Warrior.
Nos transportes blindados de pessoal são 1.009 no total, com 723 Bulldog, 185 Bv206, 73 Viking e 28 Boxer.
Outras viaturas blindadas somam 2.028, com 651 Jackal, 389 Foxhound, 377 Panther, 296 Mastiff, 162 Ridgeback, 81 Wolfhound e 72 Coyote.
O Brasil segue caminho diferente na força blindada, com um programa de mais de 2.100 blindados previsto para as próximas décadas.
Na artilharia aparecem 14 obuseiros Archer de 155 milímetros, 126 peças leves L118 de 105 milímetros e 26 lançadores múltiplos M270.
A defesa antiaérea terrestre tem 53 viaturas Stormer.
O que a lista traz no ar
São 507 aeronaves de asa fixa no total.
A frota de combate reúne 124 Eurofighter Typhoon e 47 F-35B.
No transporte e apoio estão 8 C-17, 22 A400M, 14 Voyager de reabastecimento, 9 Poseidon de patrulha marítima, 8 Shadow R1 e 3 Airspeaker.
As aeronaves de asa rotativa somam 249, e os sistemas não tripulados acima de 25 quilos somam 189, entre eles 75 Puma AE, 44 Watchkeeper e 16 Protector.
É esse nível de detalhe que torna o relatório incomum, porque a maioria dos países divulga só o total por categoria.
O que a lista traz no mar
Os 73 navios de guerra incluem 2 porta-aviões da classe Queen Elizabeth, 6 contratorpedeiros da classe Daring, 7 fragatas Type 23, 7 navios de contramedidas de minas, 26 navios-patrulha e 12 operados pela frota auxiliar.
Os nove submarinos se dividem em quatro da classe Vanguard, lançadores de míssil balístico, e cinco da classe Astute, de ataque.
Sete fragatas em serviço é o número que mais chama atenção na lista naval, para uma força que já teve dezenas.
Os patrulhas da classe River são os que vêm sendo mais usados no dia a dia, inclusive no acompanhamento de navios russos em águas britânicas.
O que o Brasil publica e o que não publica
O Ministério da Defesa brasileiro não edita relatório anual com inventário de material por modelo.
O que existe são dados espalhados em relatórios de gestão de cada força, respostas a requerimentos do Congresso, auditorias do Tribunal de Contas da União e anúncios de contrato.
Isso significa que a comparação linha a linha depende de reunir fonte por fonte, e que alguns números só aparecem quando alguém pergunta.
O gasto brasileiro em defesa é o maior da América do Sul, e o país investe mais do que os vizinhos somados.
Volume de gasto e transparência de inventário são coisas diferentes, e a segunda não acompanha automaticamente a primeira.
Os carros de combate brasileiros
O carro de combate principal do Exército Brasileiro é o Leopard 1A5 BR, com mais de 200 unidades integrando brigadas blindadas e mecanizadas.
Ele pesa 42 toneladas, tem canhão de 105 milímetros e motor de 805 cavalos, na mesma faixa de geração do Challenger 2 britânico, que é mais pesado e tem canhão de 120 milímetros.
O projeto de revitalização da frota prevê modernizar 52 unidades ao longo de dez anos, com cinco previstas para 2026.
O M60A3 TTS é o outro carro de combate em serviço, e a situação dele é mais estreita.
Foram 91 unidades compradas dos Estados Unidos nos anos 1990, e as estimativas atuais falam em cerca de 32 em operação, com 17 devolvidas ao serviço depois de uma operação de recuperação em 2025.
Os blindados sobre rodas
O Guarani 6×6 é a linha em que o Brasil tem escala própria.
O programa já entregou mais de 700 viaturas ao Exército desde o primeiro lote, em 2014, e a meta foi revista para cerca de 900 por restrição orçamentária.
A fábrica em Sete Lagoas, em Minas Gerais, tem capacidade instalada para 200 veículos por ano.
O Exército encomendou também duas versões novas do Guarani, de posto de comando e de ambulância, com protótipos previstos para o fim de 2026.
Em número de viaturas blindadas sobre rodas, essa é a categoria em que o Brasil chega mais perto do padrão britânico.
Os caças
A comparação mais dura é a da aviação de combate.
O Reino Unido tem 171 caças em serviço entre Typhoon e F-35B.
O Brasil contratou 36 Gripen E e F, dos quais 11 haviam sido entregues até meados de 2026.
Pela programação atualizada, a última aeronave do contrato chega em 2032, oito anos depois do previsto originalmente.
A Força Aérea informou ao Congresso que a frota contratada é insuficiente e que precisaria quase dobrar o número.
Parte da produção é feita no Brasil, na linha da Embraer em Gavião Peixoto, inaugurada em maio de 2023.
Os navios e os submarinos
No mar, a diferença muda de natureza.
O Brasil construiu quatro submarinos convencionais pelo Prosub e monta uma esquadra nova de fragatas da classe Tamandaré.
O plano é chegar a sete submarinos e oito fragatas, e o submarino de propulsão nuclear foi empurrado para 2038.
O Reino Unido tem nove submarinos, todos de propulsão nuclear, e nenhum convencional.
São modelos de emprego diferentes, porque o britânico sustenta patrulha de dissuasão permanente e o brasileiro é desenhado para vigilância de área marítima própria.
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