O governo alemão convocou o Conselho de Segurança Nacional, o ministro do Interior classificou o caso como uma nova forma de ameaça híbrida e ninguém foi acusado publicamente, enquanto parlamentares apontam para a Rússia e a embaixada russa fala em provocação fabricada.
Quem neutralizou a bomba foi um motorista de ônibus, com um chute. O artefato estava no aeroporto de Leipzig-Halle, plataforma civil de carga que também serve de nó logístico da Otan, ao lado de uma aeronave cargueira da ucraniana Antonov Airlines carregada de munição, segundo a DefesaNet. Dois dias depois, drones apareceram sobre uma base militar alemã, no mesmo tipo de ocorrência que o Exército Brasileiro treinou enfrentar em Formosa.
A mistura era Semtex e PETN
O artefato encontrado na terça-feira, 4 de agosto, carregava uma combinação descrita como extremamente potente de Semtex e PETN, conforme a mesma publicação. São dois explosivos plásticos de uso militar, o tipo de material controlado que não circula por acaso num pátio de aeroporto.
O dispositivo estava próximo de um cargueiro da Antonov Airlines que transportava munição, ainda de acordo com a mesma fonte. Leipzig-Halle é um dos pontos por onde passa a logística ocidental que abastece a Ucrânia.
Os drones vieram na quinta-feira
Na quinta-feira, 6 de agosto, por volta das 22 horas, drones foram detectados sobre a base militar de Mechernich, na Renânia do Norte-Vestfália, a cerca de 35 quilômetros da fronteira com a Bélgica, segundo a DefesaNet. Foram várias aeronaves, e não uma isolada.
No sábado, 8 de agosto, um drone explodiu perto da fronteira entre Bulgária e Romênia, ainda conforme a mesma fonte. O primeiro-ministro búlgaro, Roumen Radev, confirmou o episódio. A Europa já viu o inverso dessa equação, quando um ataque de drones ucranianos em grande escala levou caos a Moscou.
Três ocorrências em cinco dias, em três países diferentes, não formam padrão por si só. Mas obrigam cada governo a responder a mesma pergunta ao mesmo tempo, que é quem tem autorização para derrubar um objeto voando sobre instalação sensível e em quanto tempo essa decisão precisa ser tomada.
| Data | Ocorrência |
|---|---|
| 4 de agosto | Artefato com Semtex e PETN achado no aeroporto de Leipzig-Halle |
| 6 de agosto | Drones detectados sobre a base de Mechernich, por volta das 22 horas |
| 8 de agosto | Drone explode perto da fronteira entre Bulgária e Romênia |
O governo alemão chamou de ameaça híbrida
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, classificou o incidente como uma nova forma de ameaça híbrida, segundo a mesma publicação. O chanceler Friedrich Merz convocou o Conselho de Segurança Nacional.
Ameaça híbrida é o nome que se dá ao que fica entre a sabotagem e o ato de guerra, feito por quem não assume autoria. É por isso que a resposta se dá no conselho de segurança, e não no comando operacional: sem autoria declarada não existe alvo militar, e o país fica preso a investigar em vez de reagir.
Ninguém foi acusado publicamente
As autoridades alemãs não apontaram responsável, ainda conforme a DefesaNet. Parlamentares indicaram a Rússia, e a embaixada russa classificou a descoberta como provocação fabricada.
Circulam também outras hipóteses, entre elas envolvimento ucraniano e ação de extremistas alemães contrários à Otan, de acordo com a mesma fonte. Nenhuma delas foi confirmada.
O drone virou instrumento de pressão política
A aeronave pequena e barata deixou de ser só arma de campo de batalha. Ela serve para testar reação, mapear tempo de resposta e produzir efeito político sem que ninguém precise assinar embaixo, e é isso que torna o caso alemão diferente de um sobrevoo qualquer.
No Brasil, a resposta institucional a esse problema começou pelo lado ofensivo, com a criação de um batalhão de drones de ataque no Exército, e só depois chegou ao lado defensivo. O Conselho de Segurança Nacional alemão foi convocado e ainda não divulgou conclusão.