A empresa nasceu em 1958, fundada por um engenheiro formado na Poli da USP. O tanque Osório, que era para ser o salto seguinte, virou o peso que afundou a companhia, e os planos dele nunca foram encontrados.
A Engenheiros Especializados S.A. nasceu em 1958, fundada por José Luiz Whitaker Ribeiro, engenheiro formado pela Escola Politécnica da USP. Ficou conhecida pela sigla Engesa e virou a maior fabricante brasileira de material militar terrestre. Produziu 6.818 veículos em série de oito modelos, vendeu para 18 países além do Brasil e teve Iraque e Líbia como maiores clientes. Em 18 de outubro de 1993 foi declarada falida, depois que um consórcio de bancos desistiu de comprá-la ao descobrir 600 milhões de dólares de dívida.
O que saía da linha
Os oito modelos produzidos em série foram o EE-3, o EE-9, o EE-11, o EE-12, o EE-15, o EE-25, o EE-34 e o EE-50.
Os dois mais conhecidos são o EE-9 Cascavel, blindado de reconhecimento de seis rodas, e o EE-11 Urutu, transporte de pessoal. Ambos entraram em produção em 1974 e compartilham boa parte dos componentes.
O armamento principal do Cascavel era um canhão de 90 milímetros fabricado sob licença no Brasil, o que fazia da viatura brasileira um produto de exportação com poder de fogo comparável ao dos concorrentes.
A suspensão que virou assinatura
A solução técnica que ficou associada à marca é a suspensão apelidada de Boomerang, desenvolvida no Brasil.
O arranjo mantém as rodas em contato com o solo em terreno irregular, o que preserva tração ao atravessar vala, pedra ou duna.
Para o comprador do Oriente Médio e da África, esse era o argumento de venda: veículo sobre rodas que aguenta terreno ruim, custa menos que blindado sobre lagartas e roda mais rápido em estrada.
Para onde ia a produção
Foram 18 países além do Brasil, com concentração no Oriente Médio. Iraque e Líbia foram os maiores compradores, e o Irã também entrou na lista.
Países da América do Sul e da África completam o quadro, e parte dessa frota segue em serviço décadas depois.
O Brasil desenvolveu, no mesmo período, uma linhagem própria de viatura militar que sobreviveu ao fim da empresa.
A conta que a empresa fazia de si
A Engesa se apresentava como a maior produtora de carro blindado sobre rodas do mundo livre.
Publicações especializadas da época estimavam números bem menores do que os que a companhia divulgava.
A diferença entre as duas contas ajuda a explicar o que veio depois: a empresa dimensionou a aposta seguinte pelo tamanho que dizia ter.
O tanque que levou tudo
A aposta seguinte foi o EE-T1 Osório, um carro de combate principal, categoria muito acima de qualquer coisa que a empresa tivesse feito antes.
O salto tecnológico do Osório é apontado como um dos fatores da derrocada, junto com fragilidades de gestão financeira, patrimonial e administrativa.
A empresa entrou em pré-insolvência em 1988. Em 1990 veio a concordata, com a fábrica parada e mais de mil empregados sem salário. A falência foi decretada em outubro de 1993.
O que sobrou
O Gabinete Militar da Presidência chegou a propor a desapropriação e a reativação da companhia. O governo federal derrubou a proposta.
Os planos do Osório não foram encontrados nem na fábrica de São José dos Campos nem no complexo administrativo de Barueri.
A planta de Barueri foi a leilão em 2000. A de São José dos Campos foi comprada pela Embraer, que hoje ocupa o terreno onde se montava blindado brasileiro para o Iraque.
Entre a pré-insolvência de 1988 e a falência de 1993 passaram-se cinco anos. Nesse intervalo a empresa deixou de existir na prática antes de deixar de existir no papel.
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