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O Departamento de Guerra dos Estados Unidos contratou a Lockheed Martin para desenvolver um laser em contêiner de 500 quilowatts contra mísseis de cruzeiro e drones, num acordo inicial de US$ 86 milhões que pode chegar a US$ 847 milhões

Jefferson Silva
Jefferson Silva
Publicado 03/08/2026 às 10:00h
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos contratou a Lockheed Martin para desenvolver um laser em contêiner de 500 quilowatts contra mísseis de cruzeiro e drones, num acordo inicial de US$ 86 milhões que pode chegar a US$ 847 milhões
O Stryker DE M-SHORAD, veículo do Exército dos EUA com laser de 50 quilowatts; a imagem ilustra a categoria de armas de energia dirigida a que pertence o novo laser contratado, e não o próprio JLWS. Foto: U.S. Army, domínio público.

O sistema é quase dez vezes mais potente que o laser naval de 60 quilowatts já testado pela Marinha americana, e é projetado para ser transportado dentro de um contêiner.

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos contratou a Lockheed Martin para desenvolver um laser tático em contêiner de 500 quilowatts, voltado à defesa contra mísseis de cruzeiro e drones, segundo comunicado da própria empresa.

O contrato foi firmado em 9 de julho de 2026 e faz parte do programa Joint Laser Weapon System, o JLWS, de acordo com a Lockheed Martin.

O acordo inicial tem valor de US$ 86 milhões, com teto de programa de US$ 847 milhões, considerando os contratos com a Lockheed Martin e a empresa nLight Defense, conforme o comunicado.

O que é um laser de energia dirigida

Arma de energia dirigida é o nome dado a sistemas que atacam o alvo com um feixe concentrado, em vez de um projétil físico, como míssil ou munição de artilharia.

A Lockheed Martin descreve como vantagens do sistema o engajamento na velocidade da luz, um pente de munição virtualmente ilimitado e um custo por interceptação muito menor que o de um míssil.

O laser naval de energia dirigida já havia sido testado em escala menor, e a RSM, conforme já noticiado, acompanhou o laser naval de 60 quilowatts com alcance de 7 km testado pela Marinha dos EUA.

A diferença para os sistemas anteriores

O sistema anunciado agora tem 500 quilowatts de potência, quase dez vezes o valor do laser naval de 60 quilowatts testado anteriormente, segundo os dados dos dois sistemas.

A escala de potência é o que define a categoria de alvo. Sistemas de dezenas de quilowatts servem contra drones pequenos, enquanto potências na casa das centenas de quilowatts são projetadas para enfrentar míssil de cruzeiro.

O formato em contêiner, citado no comunicado, é o que permite o transporte e o posicionamento do sistema em diferentes locais, sem depender de uma plataforma fixa.

A escolha pelo contêiner segue uma tendência de modularidade na defesa, em que sistemas são projetados para caber em unidades padronizadas de transporte, o que facilita o deslocamento por caminhão, trem ou navio.

O laser em contêiner pode ser instalado em base terrestre, transportado por caminhão ou posicionado onde a defesa for necessária, o que dá flexibilidade ao emprego do sistema, de acordo com a descrição do programa.

Contra o que o sistema foi projetado

O JLWS é descrito como voltado à defesa contra mísseis de cruzeiro e sistemas aéreos não tripulados, os drones, segundo a Lockheed Martin.

Esses dois tipos de ameaça se multiplicaram em conflitos recentes, e a interceptação por míssil convencional tem custo elevado, o que é justamente o problema que a arma a laser busca resolver.

Um único míssil interceptor pode custar centenas de milhares de dólares, enquanto o disparo de um laser depende basicamente de energia elétrica, o que reduz o custo por interceptação a uma fração do valor de um míssil, segundo o argumento apresentado pela empresa.

Essa diferença de custo é o que torna a arma a laser atraente contra ataques com muitos drones ao mesmo tempo, cenário que se tornou comum em conflitos recentes e que a RSM tratou ao acompanhar as forças que operam grandes arsenais que já incorporam drones em escala.

A lógica de custo é central no argumento: cada disparo de laser é muito mais barato que um míssil interceptor, o que muda a matemática da defesa contra ataques em massa.

As empresas envolvidas

Demonstrador de laser HEL-TVD do Exército dos EUA sobre caminhão
O HEL-TVD, demonstrador de laser de 100 quilowatts do Exército dos EUA, outro sistema de energia dirigida da mesma família tecnológica. Imagem: U.S. Army, domínio público.

Além da Lockheed Martin, o programa envolve a nLight Defense, e o teto combinado de US$ 847 milhões considera os acordos com as duas empresas, de acordo com o comunicado.

A Lockheed Martin afirma, em comunicado, que o contrato se apoia em mais de 15 anos de investimento e experiência da empresa no projeto e no emprego de armas a laser taticamente relevantes.

A empresa cita ainda a colaboração com a SCALED Directed Energy, ligada a uma das áreas críticas de tecnologia definidas pelo Departamento de Guerra americano.

Arma a laser tem limitações conhecidas, como a perda de eficácia em chuva, neblina ou poeira, que dispersam o feixe, e por isso os sistemas costumam ser pensados como uma camada de defesa somada a outras, e não como substituto único do míssil.

O contexto da defesa antiaérea a laser

O desenvolvimento de armas a laser terrestres faz parte de um esforço mais amplo das forças americanas para lidar com drones e mísseis de cruzeiro a um custo sustentável.

Esse mesmo esforço aparece na aposta em interceptadores baratos em grande quantidade, tema tratado, conforme já noticiado, na cobertura sobre os 4.500 mísseis hipersônicos de baixo custo dos Estados Unidos.

A arma a laser e o interceptador barato atacam o mesmo problema por caminhos diferentes: reduzir o custo de defender-se contra ataques numerosos.

A indústria de energia dirigida

A Lockheed Martin é uma das empresas que lideram o setor de energia dirigida, e a companhia já entregou sistemas a laser para a Marinha americana em anos anteriores.

A empresa também atua em parceria com fabricantes de plataformas terrestres, e havia apresentado com a Rheinmetall uma nova arquitetura de tanque, descrita na cobertura sobre a plataforma de tanque da Rheinmetall e Lockheed Martin.

O contrato do JLWS amplia a atuação da empresa no segmento de defesa aérea por energia dirigida.

Os números do contrato

Reunindo os dados do comunicado, o programa tem valor inicial de US$ 86 milhões e teto de US$ 847 milhões, e prevê um laser de 500 quilowatts em formato de contêiner.

Segundo o comunicado, o contrato foi assinado em 9 de julho de 2026 e envolve a Lockheed Martin e a nLight Defense, no âmbito do Joint Laser Weapon System.

O sistema é destinado à defesa contra mísseis de cruzeiro e drones, e integra o conjunto de programas de energia dirigida do Departamento de Guerra dos Estados Unidos.

O desenvolvimento do laser de 500 quilowatts será conduzido pela Lockheed Martin em parceria com a nLight Defense, dentro dos prazos e valores estabelecidos no contrato assinado em julho de 2026.

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Jefferson Silva

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Atuo na Sociedade Militar trazendo análises e conteúdos relacionados a Geopolítica, Tecnologia militar, Industria de Defesa e Inteligência Artificial.