Uma operação militar de quatro dias levou mais de 1,1 mil integrantes do Exército Brasileiro por um percurso de aproximadamente 550 quilômetros em Roraima para testar como a tropa reagiria diante de um cenário de invasão no extremo Norte do país.
A manobra combinou 39 viaturas blindadas, aeronaves A-29 Super Tucano e equipamentos capazes de identificar automaticamente militares “mortos” ou “feridos” durante o combate simulado.
O treinamento atravessou inclusive a Terra Indígena Raposa Serra do Sol e terminou em Normandia, município localizado próximo à fronteira com a Guiana.
Na fase final, realizada na quinta-feira (20), 260 militares receberam a missão de disputar o controle do aeródromo da cidade.
Segundo o G1, 200 integrantes formaram a força de ataque, enquanto outros 60 ficaram responsáveis pela defesa da área.
O cenário criado pelo Exército reproduzia uma situação em que tropas brasileiras precisariam avançar para reconquistar uma região ocupada por uma força adversária.
Sensores determinavam quem continuava lutando
Um dos elementos mais incomuns do exercício estava instalado diretamente nos próprios combatentes.
Foram empregados 140 equipamentos com sensores acoplados a capacetes e coletes, fornecidos pelos Centros de Adestramento da Amazônia e do Leste.
O sistema permitia registrar em tempo real os efeitos dos disparos simulados.
Quando o combatente era atingido, o equipamento emitia um aviso indicando se ele havia sido considerado ferido ou morto.
Em caso de ferimento, ainda havia possibilidade de resgate e atendimento pela equipe.
Caso o sistema determinasse a morte do militar, ele precisava abandonar imediatamente sua participação no confronto, retirar o capacete e permanecer fora da ação.
Os dados produzidos durante o exercício eram enviados para computadores, permitindo posteriormente avaliar movimentação, baixas e desempenho das tropas.
A tecnologia busca impedir que o exercício dependa apenas da interpretação dos participantes e cria consequências imediatas para erros cometidos durante a manobra.
Blindados avançaram por Roraima
A dimensão terrestre da operação contou com 39 viaturas blindadas, entre elas veículos Guaicurus e Guarani.
O Guaicurus é uma viatura blindada leve 4×4 empregada em missões que exigem mobilidade, proteção e reconhecimento.
Já o Guarani, 6×6, está entre os principais blindados utilizados atualmente pelo Exército para transporte protegido de tropas e outras funções no campo de batalha.
O deslocamento começou na região de Surumu, no entroncamento entre as rodovias BR-174 e BR-433.
A partir dali, as tropas atravessaram áreas da Terra Indígena Raposa Serra do Sol até alcançar Normandia.
Na região do Contão, a força terrestre ainda recebeu apoio de aeronaves de ataque A-29 Super Tucano, acrescentando o componente aéreo ao cenário de combate.
A manobra envolveu militares provenientes de Roraima, Amazonas e Rio de Janeiro.
Tiros acordaram moradores de Normandia
Na etapa de reconquista do aeródromo, militares avançaram por diferentes pontos da área urbana utilizando munição de festim, que contém carga de pólvora, mas não dispara o projétil convencional de uma munição real.
Os disparos podiam ser ouvidos em diferentes regiões de Normandia durante a movimentação das tropas.
A presença de centenas de militares nas ruas chamou a atenção dos moradores e chegou a ser percebida dentro de uma escola.
A população havia sido previamente informada sobre o exercício, embora a dimensão da movimentação tenha surpreendido parte dos moradores.
Além do confronto propriamente dito, militares sem uniforme representaram civis que precisavam ser retirados da área de combate.
As tropas tiveram de prestar auxílio e encaminhá-los a um ponto fictício de triagem, incorporando ao treinamento situações que poderiam ocorrer em uma operação real.
Exército testa defesa externa no extremo Norte
A 1ª Brigada de Infantaria de Selva está sediada em uma das regiões consideradas estratégicas para a presença militar brasileira na Amazônia.
Segundo o major Pedro Xavier, o objetivo do treinamento foi colocar em prática a preparação da tropa para diferentes situações em que o Exército possa ser acionado.
O oficial afirmou que o adestramento materializou a principal vocação da unidade: a defesa externa no extremo Norte brasileiro.
Normandia e áreas próximas já haviam recebido grandes movimentações militares durante a Operação Atlas 2025.
Na ocasião, milhares de integrantes das Forças Armadas foram deslocados para Roraima em um exercício conjunto envolvendo Exército, Marinha e Força Aérea.
A operação empregou blindados, aeronaves, artilharia e outros sistemas e marcou também o primeiro disparo na Amazônia do míssil de longo alcance utilizado pelo sistema Astros.
Desta vez, porém, a ênfase esteve no deslocamento da tropa pela região, na reconquista simulada de território e no uso de sensores capazes de transformar cada disparo, baixa e movimento dos combatentes em dados para avaliação posterior.
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