A Ucrânia quer levar 24 A-29 Super Tucano da brasileira Embraer para a guerra com uma missão direta: interceptar e derrubar drones russos Shahed.
A iniciativa parte de Petro Poroshenko, ex-presidente da Ucrânia e atual deputado do Parlamento ucraniano.
Poroshenko afirma ter negociado com a Embraer durante a feira de defesa MSPO, na Polônia. Segundo ele, as conversas chegaram à definição de um conjunto de 24 Super Tucano para enfrentar principalmente drones Shahed e Banderol empregados pela Rússia.
O plano, porém, ainda não representa uma compra fechada. A Embraer não anunciou contrato para fornecer as 24 aeronaves à Ucrânia.
Poroshenko detalha plano para 24 Super Tucano
A Interfax-Ukraine registrou a iniciativa apresentada por Poroshenko ao ministro da Defesa ucraniano e os detalhes das conversas que ele afirma ter mantido com a fabricante brasileira.
Poroshenko não representa atualmente o governo ucraniano. Além de ex-presidente, ele lidera o partido European Solidarity, que integra a oposição ao governo de Volodymyr Zelensky.
Esse ponto é importante: a iniciativa dos 24 Super Tucano foi apresentada por Poroshenko às autoridades de Defesa da Ucrânia, mas não equivale ao anúncio de uma compra oficial pelo governo.
O ex-presidente destacou a velocidade, a cabine blindada e a capacidade de empregar diferentes armamentos do Super Tucano como características importantes para interceptar drones.
Preço, origem das 24 aeronaves, financiamento e cronograma contratual não foram divulgados.
E existe outra peça ainda sem nome.
Poroshenko afirmou que pretende negociar com “um dos países da OTAN que tem contratos com o Brasil” para tentar colocar o projeto em prática.
País da OTAN segue oculto; Portugal entra no radar
Poroshenko não identificou esse país. Portugal reúne elementos que o colocam naturalmente no radar, embora não exista confirmação de que seja o interlocutor citado.
A Embraer tem contrato para fornecer 12 A-29N Super Tucano a Portugal. O país tornou-se o primeiro cliente da variante A-29N, equipada com sistemas de comunicação específicos da OTAN.
A relação avançou em dezembro de 2025, quando a Embraer entregou os cinco primeiros A-29N à Força Aérea Portuguesa e anunciou estudos para uma possível linha final de montagem em Portugal.
A fabricante relacionou a possível estrutura ao interesse de outros países europeus pelo Super Tucano.
Há outro detalhe. Na mesma sequência de declarações, o ex-presidente ucraniano citou propostas de empresas britânicas, lituanas, estonianas e portuguesas para outros sistemas de defesa destinados à Ucrânia.
Isso não identifica Portugal como o intermediário dos aviões brasileiros. Os elementos justificam olhar para o país, mas não permitem afirmar que Lisboa seja o membro da OTAN mencionado por Poroshenko.
Embraer prepara Super Tucano para caçar drones
O interesse apresentado por Poroshenko aparece justamente quando a Embraer acelera a transformação do A-29 em uma plataforma para combater aeronaves não tripuladas.
A fabricante ampliou oficialmente as missões do avião para o segmento C-UAS, voltado ao combate de sistemas aéreos não tripulados. A solução combina datalink, sensor eletro-óptico/infravermelho, foguetes guiados a laser e metralhadoras .50 instaladas nas asas.
A tecnologia usa inteligência artificial para auxiliar na detecção, rastreamento e neutralização de drones, reforçando justamente o tipo de missão que interessa à Ucrânia.
O interesse europeu nessa função já chegou à fronteira com a Rússia. A Letônia avalia o Super Tucano para enfrentar drones e outros alvos aéreos lentos.
No caso ucraniano, o objetivo apresentado pelo ex-presidente é mais direto: levar os aviões brasileiros para o próprio ambiente de guerra.
Para transformar o plano em uma operação real, ainda será necessário definir de onde sairão as aeronaves, como Kiev participará da iniciativa e qual será o papel do país da OTAN citado por Poroshenko.
Por enquanto, o número e a missão estão sobre a mesa: 24 Super Tucano da Embraer para caçar drones russos Shahed na Ucrânia.