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Após mais de um ano parado, FAB revela previsão para manutenção do A330 estacionado em Viracopos; aeronave é a maior da frota, custou cerca de 40 milhões de dólares e passou por troca de motor

Comunicação da Aeronáutica deu informações sobre o ciclo de manutenção de uma das duas unidades do Airbus A330, comprada em 2022, que está parada no aeroporto de Campinas desde agosto de 2025

Fernando B.
Por Fernando B. Atualizado em 29/09/2026 às 18:45·publicado em 29/09/2026
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Após mais de um ano parado, FAB revela previsão para manutenção do A330 estacionado em Viracopos; aeronave é a maior da frota, custou cerca de 40 milhões de dólares e passou por troca de motor
O A330 sob matrícula FAB 2902 está há quase um ano no aeroporto de Viracopos, em Campinas, enquanto aguarda manutenção junto à Azul. Foto: Reprodução redes sociais

Depois de mais de um ano fora de serviço estacionado no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), um dos dois exemplares do maior avião da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), o Airbus A330-200, em sua versão militar denominado C-30, comprado por cerca de US$ 40 milhões em 2022, pode estar próximo de voltar a voar e desempenhar missões no Brasil e no exterior.

A Revista Sociedade Militar obteve junto ao Centro de Comunicação Social da Aeronáutica em Brasília, por meio do por meio do Comando-Geral de Apoio (COMGAP), a previsão de que a manutenção programada do A330 de matrícula FAB 2902 seja concluída até dezembro de 2026, depois de a aeronave permanecer preservada no pátio do aeroporto em Campinas desde o final de agosto de 2025.

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Segundo a Comunciação da Aeronáutica, nesse período, a o A330 precisou ter um dos motores removidos para manutenção e posterior substituição. Já em em setembro de 2026, seguindo o planejamento de manutenção da frota C-30, a aeronave retornou ao hangar para o cumprimento de uma manutenção programada prevista em seu plano de manutenção, informou a Aeronáutica.

A Aeronáutica não deu detalhes adicionais sobre a manutenção da aeronave, mas confirmou que o processo deve ser concluído até o fim ano. No perído de mais de um ano em que o jato está aguardando a manutenção, a FAB contou com apenas uma unidade do A330 em serviço, o de matrícula FAB 2901.

Os aviões foram comprados em 2022 da Azul Linhas Aéreas, que venceu a licitação para fornecer os dois jatos à Força Aérea por cerca de US$ 80 milhões (cerca de R$ 413 milhões na cotação atual). A companhia brasileira também detém contratos de manutenção especializada para aeronaves da Airbus no Brasil, mantendo em Viracopos um dos maiores complexos de oficinas da América do Sul.

A330 tem papel importante na logística

A FAB adquiriu as duas unidades do A330 em 2022 para suprir uma necessidade de transporte estratégico de longo alcance e reabastecimento em voo. Uma das vantagens do jato da Airbus é a capacidade de realizar voos intercontinentais sem necessidade de escala, chegando a 14 mil quilômetros de autonomia, mais do que o dobro do KC-390 da Embraer, que vem sendo a espinha dorsal da logística da Força, com um autonomia de cerca de 6 mil quilômetros.

O jato também possui uma capacidade de carga de até 45 toneladas de carga, enquato o KC-390 consegue carregar até 26 toneladas.

Após a aquisição, os dois jatos receberam a adaptação para o padrão militar, mas o projeto de conversão para a capacidade de reabastecimento em voo (REVO) ainda não saiu do papel. Esse processo é realizado na fábrica da Airbus, em Getafe, na Espanha, e não há verba prevista. Por isso, os dois A-330 permanecem no padrão C-30. Em caso de conversão para REVO, os aviões são denominados KC-30.

O A330 vem desempenhando um papel de “coringa” dentro da estratégia logística da FAB, e já foi usado para viagens presidenciais internacionais em substituição ao A319, apesar de não ter sido convertido exclusivamente para essa função.

Uma das aeronaves chegou a ser cotada para se transformar no novo avião oficial da Presidência da República, já que o governo estudava aposentar o A319, em operação desde 2005 e apelidado de “Aerolula” por ter sido adquirido durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto, entretando, por enquanto não foi adiante.

Os dois jatos também já desempenharam importantes missões humanitárias. Em 2023, foram usados para resgatar centenas de brasileiros que estavam em Tel Aviv após o início do conflito de Israel com o Hamas no Oriente Médio. Em 2024, o jato foi enviado a Beirute para uma nova operação estratégica para retirar cidadãos do território libanês afetado por bombardeios.

Corte de gastos afeta operações

Neste ano, os cortes orçamentários do governo federal impusaram restrições severas à Força Aérea Brasileira, resultando em risco de escassez de combustível, redução de horas de voo e aeronaves paradas. O contingenciamento foi de R$ 1,45 bilhão, o que levou a FAB a temer até falta de combustível para operar aeronaves até o fim do ano, conforme revelou o jornal Metrópoles.

As restrições têm afetado também a disponibilidade de outras aeronaves estratégicas, como o cargueiro multimissão KC-390 da Embraer.

O Brasil enfrenta dificuldades para manter sua frota de oito aviões do modelo já entregues para a FAB desde 2019 em operação total. Em julho, conforme informou a revista Sociedade Militar, apenas quatro dos oito KC-390 da FAB estavam em condições de voo.

Entre as causas apontadas estão ciclos de manutenção e atualização demorados e também problemas causados pela operação, como no caso do FAB2859, do Esquadrão Gordo, que sofreu um “pouso duro” em outubro de 2025 no aeroporto de Ushuaia, na Argentina, e teria sofrido “rachaduras críticas” na junção da fuselagem com a asa. A aeronave ainda não tem previsão de voltar a voar.

Impactos nos programas do KC-390 e Gripen

Os cortes de gastos que atingiram o orçamento da FAB também tiveram impactos na previsão de entregas de novas unidades dos caças F-39 Gripen e do cargueiro multimissão KC-390. O programa FX-2 teve contigenciamento de R$ 800 milhões, enquanto no programa do KC-390 o valor foi de R$ 215,8 milhões.

Antes mesmo dos cortes orçamentários, a FAB já havia chegado a um acordo com a Embraer em 2022 para reduzir o seu pedido oficial de aeronaves cargueiras Embraer KC-390 Millennium em renegociações contratuais feitas com a fabricante.

O contrato original previa 28 aviões, mas o número foi cortado primeiro para 22 e, posteriormente, ajustado no final para 19 unidades devido a limitações orçamentárias.

Um dos KC-390 destinados à FAB, que já estava pronta para ser entregue à Força Aérea, acabou sendo direcionada para outro cliente. O avião foi deslocado para o aeroporto de Confins, em Minas Gerais, para passar por um processo de repintura em agosto.

No caso do Gripen, a projeção é de que a FAB receba 36 unidades do caça fabricado em parceria com a sueca Saab até 2032. O número já é considerado insuficiente pela FAB, e estima precisar de pelo menos 66 aeronaves para cobrir adequadamente a defesa do espaço aéreo nacional.

Enquanto isso, a Embraer amplicou a parceria com a Saab para produzir em solo nacional mais 20 caças Gripen em sua fábrica em Gavião Peixoto (SP), para atender à demanda global da fabricante sueca.

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