Os Estados Unidos entregaram ao Brasil 40 obuseiros autopropulsados M109A5 como material excedente de defesa, mas a transformação da frota em um sistema moderno de artilharia custou caro. O Exército Brasileiro contratou a modernização de apenas 32 viaturas por US$ 54 milhões, enquanto as oito restantes receberam outro destino.
O programa converteu as 32 unidades selecionadas para o padrão M109A5+ BR, com novos sistemas de comunicação, navegação, controle de fogo e melhorias que reduziram em mais de 80% o tempo entre o recebimento da missão e o disparo, segundo documento do próprio Exército.
Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
Duas das oito viaturas fora do pacote foram reservadas para virar treinadores de guarnição e seis ficaram destinadas ao reaproveitamento de peças, reforçando a sustentação logística da frota modernizada.
Exército recebeu 40 M109A5 dos EUA, mas modernização foi limitada a 32

O movimento começou quando o Brasil solicitou aos Estados Unidos obuseiros M109A5 dentro do programa de Excess Defense Articles, mecanismo usado pelos norte-americanos para transferir equipamentos militares excedentes a países parceiros.
O Exército inicialmente trabalhou com diferentes quantidades e destinos para as viaturas, mas em 2014 firmou uma Carta de Oferta e Aceitação com o governo dos EUA para revitalizar e modernizar 32 dos 40 obuseiros recebidos.
Na fase inicial, o custo estimado do programa ficou em torno de US$ 60 milhões. Em setembro de 2016, o contrato FMS com a BAE Systems Land & Armaments foi fechado por um valor final de US$ 54 milhões.
As viaturas já haviam sido recebidas por doação. O valor contratado cobria revitalização, modernização, peças de reposição, treinamento, suporte de campo e transferência de tecnologia e conhecimento.
Seis viaturas viraram fonte de peças e duas foram reservadas para treinamento
O destino das oito unidades fora do contrato ajuda a explicar por que o Exército não modernizou toda a frota. O planejamento previa seis M109A5 como doadores de componentes e duas viaturas transformadas em treinadores de guarnição.
O arranjo criou uma reserva de componentes para manutenção de uma frota baseada em um projeto norte-americano com décadas de serviço. A sustentação logística passou a depender também do reaproveitamento de peças retiradas das viaturas não modernizadas.
Documentos do Exército indicam ainda que viaturas excedentes poderiam ser direcionadas a parques regionais de manutenção para reaproveitamento de componentes e apoio ao treinamento das guarnições.
M109A5+ BR ganhou sistemas digitais e resposta de tiro muito mais rápida

A modernização foi muito além de pintura ou revisão mecânica. O M109A5+ BR recebeu rádio digital, navegação de alta precisão e sistemas modernos de controle de fogo, integrando a peça a uma estrutura de comando mais rápida e conectada.
Segundo material institucional do Exército, a melhoria reduziu em mais de 80% o tempo de resposta entre o recebimento de uma missão de tiro e o disparo quando comparada às variantes anteriores.
Estudos militares sobre o sistema também apontam alcance de até 30 quilômetros com munição assistida, além de maior precisão e capacidade de executar a tática conhecida como shoot-and-scoot: disparar e abandonar rapidamente a posição para reduzir a exposição à reação inimiga.
32 obuseiros foram destinados às brigadas blindadas do Exército
O projeto foi pensado para reforçar a artilharia das brigadas blindadas brasileiras. As 32 viaturas modernizadas passaram a equipar grupos de artilharia autopropulsada, levando canhões de 155 mm com maior mobilidade, proteção e integração digital.
A modernização também abriu espaço para retirar equipamentos mais antigos da linha de frente. O planejamento do Exército previa a substituição gradual de viaturas M108 de 105 mm e, posteriormente, de versões M109A3 com manutenção mais cara e componentes fora da cadeia normal de suprimento.
A estrutura prevista inclui veículos de remuniciamento M992A2, viaturas de posto de comando M577A2 e M113BR recuperados, formando a cadeia de apoio ao redor dos obuseiros.
Doação americana virou um programa de US$ 54 milhões dentro do Brasil

O Brasil não pagou pela aquisição das 40 viaturas transferidas como excedentes, mas investiu dezenas de milhões de dólares para adaptar a maior parte delas ao padrão exigido pelo Exército.
Dos 40 obuseiros recebidos, 80% foram modernizados. Os outros 20% passaram a cumprir funções de treinamento e apoio logístico, preservando componentes para manter os 32 M109A5+ BR em operação.
A frota resultante ficou menor que o lote original, porém recebeu sistemas digitais, maior rapidez de resposta e capacidade de apoio de fogo a longas distâncias.
US$ 54 milhões transformaram a doação em uma frota adaptada ao Exército Brasileiro
Os M109A5+ BR passaram a representar uma das principais etapas da modernização da artilharia de campanha autopropulsada do Exército, ligando sistemas mais antigos aos requisitos atuais de comunicação, mobilidade e precisão.
O recebimento gratuito das viaturas eliminou o custo de compra do lote, mas revitalização, modernização, treinamento, peças e integração exigiram um investimento próprio. No contrato com a BAE Systems, essa conta chegou a US$ 54 milhões para 32 obuseiros.
As oito unidades fora da modernização também permaneceram dentro do programa: duas para treinamento e seis como fonte de componentes para a frota operacional.