Plano de governo de Wilson Grassi, do partido Democrata, defende piso do soldo acima do salário mínimo, recomposição concentrada na base da hierarquia e trajetória de 2% do PIB para a Defesa, num momento em que praças das Forças Armadas ganham menos que policiais civis, militares, penais e bombeiros.
Wilson Grassi Júnior, candidato do Democrata, legenda de número 35, à Presidência da República nas eleições de 2026, apresentou em seu plano de governo, intitulado “Brasil em Primeiro Lugar”, um conjunto de propostas para elevar o investimento em defesa nacional e reduzir a distância salarial entre as Forças Armadas e outras carreiras de segurança pública. O documento, base da candidatura lançada em convenção realizada em 2 de agosto, no Rio de Janeiro, dedica um eixo inteiro ao tema, batizado de “Defesa nacional e guerra ao crime organizado”.
O plano parte de um diagnóstico numérico. O Brasil investe atualmente cerca de 1,08% do produto interno bruto em defesa, patamar que o texto descreve como um dos mais baixos do mundo em capacidade militar relativa. Do orçamento da Defesa, aproximadamente 78% são consumidos pelo pagamento de pessoal da ativa, da reserva e de pensionistas, restando pouco para equipamento e modernização. A tabela de soldos vigente desde janeiro de 2026 começa em R$ 1.177 para o soldado-recruta e chega a R$ 14.711 no topo da hierarquia, uma distância de mais de doze vezes entre a base e o topo, com o piso abaixo do salário mínimo nacional, hoje em R$ 1.621.
O que o plano prevê para o soldo dos Militares das Forças Armadas
A proposta de Grassi trata a correção salarial em duas frentes. A primeira fixa o piso do soldo em valor não inferior ao salário mínimo nacional, corrigindo por lei a distorção atual, em que o soldado-recruta recebe abaixo do mínimo.
O candidato é o único que menciona a perda de poder aquisitivo da base da pirâmide da Marinha, Exército e Força Aérea, citando soldados, cabos e sargentos, categorias com maior contingente e maior rotatividade. Em vez de aplicar percentual linear igual para todos os postos e graduações, que preserva a distância de mais de doze vezes entre topo e base, o candidato quer privilegiar a correção das perdas da base militar.

O documento também prevê revisão do escalonamento vertical da carreira, com estudo público comparando o soldo tabelado à remuneração média efetivamente paga em cada graduação. A justificativa apresentada é o enfrentamento direto da crise de retenção: um sargento formado que deixa a Força após anos de investimento estatal representa, segundo o texto, prejuízo duas vezes, para o efetivo e para o erário.
Piso de 2% do PIB e disputa fiscal
Para o orçamento total de defesa, o plano apoia a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 55, de 2023, parada no Congresso há três anos, que destina o mínimo de 2% do produto interno bruto à área e vincula ao menos 35% desse valor à modernização de equipamento. Segundo o documento, essa cláusula é o que evitaria que um eventual aumento de orçamento fosse absorvido inteiramente pela folha de pagamento, repetindo o desequilíbrio atual.
A proposta reconhece objeções técnicas ao mecanismo. Economistas como Bráulio Borges, do FGV Ibre, já alertaram que vincular percentual fixo de PIB na Constituição reduz a flexibilidade fiscal do governo e pode fazer o gasto militar crescer à custa de áreas como saúde e educação. A resposta do plano é o cronograma escalonado de elevação, distribuído ao longo do mandato, combinado à trava dos 35% para modernização, desenhada para impedir a captura do aumento pela despesa corrente com pessoal.
Fronteira, combate ao tráfico e indústria de defesa
No campo da geopolítica e da segurança das fronteiras, o plano propõe bases permanentes nos trechos críticos da faixa de fronteira, hoje cobertos por operações episódicas, além da conclusão do sistema integrado de monitoramento com radar, sensoriamento remoto e aeronaves não tripuladas. Também prevê patrulhamento fluvial e aéreo permanente na Amazônia e na chamada Amazônia Azul, com cooperação operacional com países vizinhos.
Sobre o emprego das Forças Armadas contra organizações criminosas, o texto é explícito ao afastar o sentido constitucional de declaração de guerra, ato que depende de agressão estrangeira e autorização do Congresso.
A proposta é o uso pleno dos instrumentos já previstos na Lei Complementar nº 97/1999, que atribui poder de polícia às Forças Armadas na faixa de fronteira, com apoio de inteligência, logística e transporte aéreo às polícias estaduais e à Polícia Federal, sem substituí-las no policiamento ostensivo urbano. Toda Garantia da Lei e da Ordem viria com missão, prazo e área delimitados em decreto, e relatório de execução enviado ao Congresso ao fim de cada emprego.
Para reequipar as Forças, o plano defende contratos plurianuais protegidos de contingenciamento para projetos como caças, submarinos, fragatas e blindados, prioridade orçamentária para manutenção e prontidão, e uma Base Industrial de Defesa com exigência de conteúdo nacional e meta de exportação. A defesa cibernética é tratada como infraestrutura crítica, e o plano promete relatório anual de prontidão por Força, hoje inexistente de forma pública.
Grassi, veterinário de 56 anos e ex-conselheiro da associação paulista de clínicos de pequenos animais, disputa a Presidência ao lado de Suêd Haidar, presidente do Democrata, na primeira candidatura presidencial da legenda desde sua fundação, em 2008, quando ainda se chamava Partido da Mulher Brasileira.
Bolsonaro era militar e cagou p oa praças..
Acreditar em promessa de política em ano de eleição, é o mesmo que Acreditar em Mula sem cabeça ou saci-pererê
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O que adiantará um reajuste se não mudarem a lei do mal 13.954 de 2019 que foi sancionada pelo Bozo, pois somente a cúpula, os oficiais superiores e alguns poucos graduados apadrinhados que fizeram os Altos Estudos é que serão os beneficiados por menor que seja o reajuste…e doa a quem doer!