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Candidato a presidente propõe reajuste para os militares e aumento do investimento em defesa: percentual maior para soldados, cabos e sargentos

Plano de governo do candidato do Democrata (35) propõe piso do soldo acima do salário mínimo, recomposição salarial concentrada em soldados, cabos e sargentos, e apoio à PEC que fixa 2% do PIB para a Defesa, no momento em que Forças Armadas ganham menos que policiais civis, militares e penais.

Robson Augusto
Por Robson Augusto 08/09/2026 às 18:10
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Candidato a presidente propõe reajuste para os militares e aumento do investimento em defesa: percentual maior para soldados, cabos e sargentos
Candidato a presidente propõe reajuste maior para soldados, cabos e sargentos das Forças Armadas - Imagem ilustrativa

Plano de governo de Wilson Grassi, do partido Democrata, defende piso do soldo acima do salário mínimo, recomposição concentrada na base da hierarquia e trajetória de 2% do PIB para a Defesa, num momento em que praças das Forças Armadas ganham menos que policiais civis, militares, penais e bombeiros.

Wilson Grassi Júnior, candidato do Democrata, legenda de número 35, à Presidência da República nas eleições de 2026, apresentou em seu plano de governo, intitulado “Brasil em Primeiro Lugar”, um conjunto de propostas para elevar o investimento em defesa nacional e reduzir a distância salarial entre as Forças Armadas e outras carreiras de segurança pública. O documento, base da candidatura lançada em convenção realizada em 2 de agosto, no Rio de Janeiro, dedica um eixo inteiro ao tema, batizado de “Defesa nacional e guerra ao crime organizado”.

O plano parte de um diagnóstico numérico. O Brasil investe atualmente cerca de 1,08% do produto interno bruto em defesa, patamar que o texto descreve como um dos mais baixos do mundo em capacidade militar relativa. Do orçamento da Defesa, aproximadamente 78% são consumidos pelo pagamento de pessoal da ativa, da reserva e de pensionistas, restando pouco para equipamento e modernização. A tabela de soldos vigente desde janeiro de 2026 começa em R$ 1.177 para o soldado-recruta e chega a R$ 14.711 no topo da hierarquia, uma distância de mais de doze vezes entre a base e o topo, com o piso abaixo do salário mínimo nacional, hoje em R$ 1.621.

O que o plano prevê para o soldo dos Militares das Forças Armadas

A proposta de Grassi trata a correção salarial em duas frentes. A primeira fixa o piso do soldo em valor não inferior ao salário mínimo nacional, corrigindo por lei a distorção atual, em que o soldado-recruta recebe abaixo do mínimo.

O candidato é o único que menciona a perda de poder aquisitivo da base da pirâmide da Marinha, Exército e Força Aérea, citando soldados, cabos e sargentos, categorias com maior contingente e maior rotatividade. Em vez de aplicar percentual linear igual para todos os postos e graduações, que preserva a distância de mais de doze vezes entre topo e base, o candidato quer privilegiar a correção das perdas da base militar.

Proposta de melhoria salarial para militares - Plano de governo do Partido Democrata
Proposta de melhoria salarial para militares – Plano de governo do Partido Democrata

O documento também prevê revisão do escalonamento vertical da carreira, com estudo público comparando o soldo tabelado à remuneração média efetivamente paga em cada graduação. A justificativa apresentada é o enfrentamento direto da crise de retenção: um sargento formado que deixa a Força após anos de investimento estatal representa, segundo o texto, prejuízo duas vezes, para o efetivo e para o erário.

Piso de 2% do PIB e disputa fiscal

Para o orçamento total de defesa, o plano apoia a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 55, de 2023, parada no Congresso há três anos, que destina o mínimo de 2% do produto interno bruto à área e vincula ao menos 35% desse valor à modernização de equipamento. Segundo o documento, essa cláusula é o que evitaria que um eventual aumento de orçamento fosse absorvido inteiramente pela folha de pagamento, repetindo o desequilíbrio atual.

A proposta reconhece objeções técnicas ao mecanismo. Economistas como Bráulio Borges, do FGV Ibre, já alertaram que vincular percentual fixo de PIB na Constituição reduz a flexibilidade fiscal do governo e pode fazer o gasto militar crescer à custa de áreas como saúde e educação. A resposta do plano é o cronograma escalonado de elevação, distribuído ao longo do mandato, combinado à trava dos 35% para modernização, desenhada para impedir a captura do aumento pela despesa corrente com pessoal.

Fronteira, combate ao tráfico e indústria de defesa

No campo da geopolítica e da segurança das fronteiras, o plano propõe bases permanentes nos trechos críticos da faixa de fronteira, hoje cobertos por operações episódicas, além da conclusão do sistema integrado de monitoramento com radar, sensoriamento remoto e aeronaves não tripuladas. Também prevê patrulhamento fluvial e aéreo permanente na Amazônia e na chamada Amazônia Azul, com cooperação operacional com países vizinhos.

Sobre o emprego das Forças Armadas contra organizações criminosas, o texto é explícito ao afastar o sentido constitucional de declaração de guerra, ato que depende de agressão estrangeira e autorização do Congresso.

A proposta é o uso pleno dos instrumentos já previstos na Lei Complementar nº 97/1999, que atribui poder de polícia às Forças Armadas na faixa de fronteira, com apoio de inteligência, logística e transporte aéreo às polícias estaduais e à Polícia Federal, sem substituí-las no policiamento ostensivo urbano. Toda Garantia da Lei e da Ordem viria com missão, prazo e área delimitados em decreto, e relatório de execução enviado ao Congresso ao fim de cada emprego.

Para reequipar as Forças, o plano defende contratos plurianuais protegidos de contingenciamento para projetos como caças, submarinos, fragatas e blindados, prioridade orçamentária para manutenção e prontidão, e uma Base Industrial de Defesa com exigência de conteúdo nacional e meta de exportação. A defesa cibernética é tratada como infraestrutura crítica, e o plano promete relatório anual de prontidão por Força, hoje inexistente de forma pública.

Grassi, veterinário de 56 anos e ex-conselheiro da associação paulista de clínicos de pequenos animais, disputa a Presidência ao lado de Suêd Haidar, presidente do Democrata, na primeira candidatura presidencial da legenda desde sua fundação, em 2008, quando ainda se chamava Partido da Mulher Brasileira.

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4 Comentários
Arnaldo
Arnaldo
08/09/2026 21:52

Bolsonaro era militar e cagou p oa praças..

Carlos Henrique de Jesus Marques
Carlos Henrique de Jesus Marques
08/09/2026 21:08

Acreditar em promessa de política em ano de eleição, é o mesmo que Acreditar em Mula sem cabeça ou saci-pererê

JB Reis
JB Reis
08/09/2026 20:33

kkk
kkk
kkk

Sub Preterido
Sub Preterido
08/09/2026 19:58

O que adiantará um reajuste se não mudarem a lei do mal 13.954 de 2019 que foi sancionada pelo Bozo, pois somente a cúpula, os oficiais superiores e alguns poucos graduados apadrinhados que fizeram os Altos Estudos é que serão os beneficiados por menor que seja o reajuste…e doa a quem doer!