Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Exército sofre nova ‘pressão’ para assumir obras abandonadas em rodovias enquanto especialistas questionam preparo da Força para novas ameaças

A nova demanda se soma a outras missões atribuídas à Força, enquanto especialistas defendem uma discussão sobre onde concentrar recursos e pessoal diante da transformação da guerra.

Campos
Por Campos Atualizado em 07/09/2026 às 20:55·publicado em 07/09/2026
Compartilhar
Exército sofre nova ‘pressão’ para assumir obras abandonadas em rodovias enquanto especialistas questionam preparo da Força para novas ameaças
Militares do Exército Brasileiro atuam na pavimentação de rodovia durante operação de engenharia. Foto: Exército

Depois do Congresso Nacional fazer andar um Projeto de Lei Complementar que coloca a cargo do Exército a execução de obras paralisadas, abandonadas ou com atraso, mais uma instituição quer pôr no colo do Exército obras abandonadas pelas empresas que ganharam licitações para recuperá-las.

Na última quinta-feira, 3 de setembro, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu que o Exército assuma obras rodoviárias no Estado ao lado das construtoras já contratadas.

A Força Terrestre conta um com Departamento de Engenharia e Construção conhecido por ser pioneiro, eficiente e diretamente conectado com o desenvolvimento nacional e com as principais ações de apoio à defesa civil.

“O Exército tem mais facilidade, porque não há nem necessidade de licitação, pode trabalhar com convênios. Tem excelentes engenheiros, é uma instituição de credibilidade”, diz o Conselheiro.

Sérgio Ricardo acrescentou que pretende firmar convênio com engenheiros do Exército para reforçar o acompanhamento de obras públicas. 

Segundo o Conselheiro do TCE-MT, as empresas contratadas para executar as obras da MT-170 adotaram um padrão construtivo menos robusto do que o inicialmente previsto, o que gerou “uma estrada totalmente destruída com menos de 1 ano de utilização”

Recentemente, o Exército também foi incluído numa iniciativa de limpar córregos na Região Sul do país para evitar inundações e outros prejuízos à população, ainda mais em um contexto de eventos climáticos extremos. 

Exército pode ter que se decidir

O aumento da pressão para que o Exército expanda suas atividades subsidiárias, ou seja, que não têm relação direta com a defesa nacional, acontece em um momento em que as Forças Armadas brasileiras como um todo enfrentam desafios sem precedentes:

Fronteiras do Brasil

A sociedade brasileira também tem criticado o Exército pela suposta falta de dedicação no combate ao crime organizado, em especial nas fronteiras terrestres, o que teria contribuído para a classificação unilateral das facções CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA e aumentado o risco de ação militar estrangeira em território brasileiro.

As críticas, inclusive, levaram o Comandante do Exército, General Tomás Miguel Miné Ribeiro, a se manifestar sobre o assunto durante entrevista à CNN em julho.

“[O combate ao crime organizado] tem um lugar muito importante na nossa ideia de ameaça. Às vezes, as pessoas acham que a gente resiste em algum momento a atuar”, disse o general.

Uma operação na faixa de fronteira, que quase não aconteceu por conta de um contingenciamento no orçamento do Exército, causou prejuízo de mais de R$ 200 milhões ao crime organizado

Militares podem estar mal distribuídos e subaproveitados

Em entrevista ao portal Revista Sociedade Militar em julho, o professor de Ciência Política e Estudos Estratégicos Internacionais da UFRGS, Eduardo Svartman, argumentou que o número de militares no Brasil (atualmente são 351.607) não é muito grande se comparado ao tamanho do país e da população.

Porém, para Svartman, que já presidiu a Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED), o contingente das Forças Armadas pode ser mal distribuído e seria necessário repensar a presença em algumas regiões dos país a partir de um questionamento mais amplo sobre quais ameaças o país de fato enfrenta e, a partir delas, quais estratégias deverão ser tomadas.

“Será que precisa de tanto Quartel de Cavalaria na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai como se precisou no século 19? Daqui a pouco já vamos estar na quarta década do século XXI. Será que vale a pena manter regimentos de Cavalaria lá do Século 19? (…) Será que nós temos muitas ameaças ali no Uruguai?”.

Eduardo Svartman refletiu também se esse contingente dos Regimentos de Cavalaria, por exemplo, não seria melhor aproveitado em outro local ou se não seria necessário expandir outro tipo de unidade militar.

“Nessas novas áreas, como defesa cibernética, qual será que é o tipo de oficial que a gente precisa? Tem muita coisa para se discutir em termos de pessoal das Forças Armadas”. 

guest
3 Comentários
Jose
Jose
07/09/2026 20:52

Empreiteira E.B , era o que faltava. Enquanto os grandes empreiteiros recebem o filé mignon das obras o “Bucha Verde Oliva” cobre os buracos deixados pela corrupção. Os camaradas agradecem

Demervaldo Brunelli
Demervaldo Brunelli
07/09/2026 20:06

Quartel em Criciúma e Tubarão SC; força aérea em Florianópolis SC; Não seriam muito mais úteis na fronteira do Brasil?
Nas localizações atuais, eles protegem o quê exatamente?

Francisco Neves dos Santos
Francisco Neves dos Santos
07/09/2026 20:02

O brazil precisa se organizar mais com força militar e força armada para proteger mais o país para qui seja o brazil com mais dignidade com todos os cidadãos brasileiros porque são eles qui são diguino não ladrão e criminosos um brazil justo ganha mais um brazil injusto só perde isto não é bom para o nosso brazil