A Embraer quer transformar o acordo firmado com os Emirados Árabes Unidos em uma porta de entrada para novos contratos do C-390 Millennium no Oriente Médio. Depois de garantir 10 aeronaves firmes e mais 10 opções para a Força Aérea dos Emirados, a fabricante brasileira passou a intensificar conversas com outros países da região e a usar a campanha realizada em ambiente desértico como vitrine para o avião militar.
Frederico Lemos, diretor comercial da Embraer Defesa & Segurança, afirmou em setembro de 2026 que a empresa mantém discussões com outros governos do Oriente Médio e já realizou diversas demonstrações na região. A companhia também prepara uma ampliação importante de produção: o plano é chegar a 10 KC-390 por ano até 2030, ritmo que ajudaria a atender uma carteira internacional em expansão.
O contrato dos Emirados, assinado em maio, foi a primeira seleção do C-390 no Oriente Médio e o maior pedido internacional de um único país para o modelo até então. Além das aeronaves, o acordo prevê cooperação local em manutenção, reparo e revisão, criando uma estrutura de suporte no próprio país.
Emirados compram 10 C-390 e deixam opção aberta para mais 10
O acordo com o Tawazun Council for Defence Enablement prevê 10 pedidos firmes e 10 opções de compra. Caso todas as opções sejam exercidas, a frota dos Emirados poderá chegar a 20 C-390 Millennium.
A seleção ocorreu após uma campanha de testes no ambiente operacional dos Emirados. Segundo a Embraer, a avaliação incluiu requisitos de desempenho, confiabilidade, eficiência operacional e custos ao longo do ciclo de vida.
O avião deverá ser empregado em transporte de carga e tropas, lançamento aéreo, assistência humanitária, evacuação aeromédica e operações em pistas não pavimentadas. A interoperabilidade com forças aliadas e parceiras também faz parte do pacote operacional anunciado.

Deserto virou campo de demonstração para atrair novos clientes
A experiência nos Emirados passou a ter valor comercial para a Embraer. Lemos disse à Axios que a empresa realizou várias demonstrações no deserto ao lado dos militares do país e que os requisitos da avaliação foram rigorosos.
Esse histórico ajuda a empresa a apresentar o C-390 a outros potenciais compradores do Golfo e do Oriente Médio em condições semelhantes às que essas forças aéreas enfrentam no dia a dia. Calor intenso, poeira, grandes distâncias e necessidade de operar longe de infraestrutura completa são fatores relevantes para qualquer avião de transporte militar na região.
A estratégia agora é converter a primeira vitória regional em novos contratos. A Embraer não divulgou quais países estão nas negociações nem prazos para decisões, mas confirmou que as conversas já existem.
Produção deve chegar a 10 KC-390 por ano até 2030
O crescimento da demanda internacional exige uma fábrica capaz de entregar mais aeronaves em menos tempo. A Embraer planeja elevar a produção para 10 KC-390 por ano até 2030.
Esse ritmo será necessário porque o programa já acumula clientes e seleções em vários continentes. Além do Brasil, o Millennium foi escolhido por países como Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Suécia, Uzbequistão, Eslováquia e Lituânia.
Os Emirados entram nessa lista como o primeiro cliente do Oriente Médio. Para a Embraer, a combinação entre novos pedidos e opções de compra aumenta a previsibilidade de produção e fortalece a escala industrial do programa.

C-390 leva até 26 toneladas e pode atuar como cargueiro ou avião-tanque
O C-390 Millennium foi desenvolvido para transporte militar multimissão. A aeronave pode levar até 26 toneladas de carga e atingir velocidade máxima próxima de 470 nós, segundo dados divulgados pela fabricante.
Além do transporte de veículos, equipamentos e tropas, o avião pode executar lançamento de carga e paraquedistas, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e missões humanitárias.
Na configuração KC-390, o avião também pode receber equipamento de reabastecimento em voo e operar tanto como aeronave-tanque quanto como receptor. Essa flexibilidade amplia o número de missões possíveis sem exigir uma plataforma completamente diferente.
Parceria local inclui manutenção e suporte dentro dos Emirados
O contrato não termina na entrega das aeronaves. Embraer e parceiros dos Emirados também pretendem desenvolver capacidades locais de manutenção, reparo e revisão, além do suporte pós-venda.
A fabricante assinou um acordo de parceria estratégica com a Generation 5 Holding, empresa de defesa e tecnologia sediada nos Emirados. A cooperação prevê atuação conjunta em torno do programa C-390 no país.
Para o cliente, a existência de manutenção local pode reduzir dependência de suporte externo e aumentar a disponibilidade da frota. Para a Embraer, a estrutura cria presença industrial permanente em um mercado considerado estratégico.
Oriente Médio pode se tornar novo eixo de expansão do avião brasileiro
Depois de conquistar espaço na Europa e avançar em outros mercados, a Embraer passou a tratar o Oriente Médio como uma nova frente para o C-390. A combinação entre o acordo dos Emirados, demonstrações regionais e conversas com outros países cria uma base comercial que não existia antes de 2026.
O desafio será transformar interesse em novos contratos enquanto a produção cresce para acompanhar as entregas já contratadas. A meta de 10 aeronaves por ano até 2030 mostra que a empresa se prepara para uma escala maior do programa.
Se novos compradores surgirem na região, o contrato dos Emirados poderá ser lembrado como o ponto de entrada do C-390 no Oriente Médio. Por enquanto, a Embraer já tem um cliente importante, uma estrutura de suporte em formação e uma campanha ativa para ampliar a presença do cargueiro militar brasileiro.
Você acredita que o C-390 pode repetir no Oriente Médio o avanço que conseguiu na Europa? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha indústria de defesa e aviação militar.