Riachuelo, Humaitá e Tonelero já chegaram ao setor operativo, enquanto o Almirante Karam atravessa a etapa de testes no mar; o submarino nuclear que motivou a transferência de tecnologia permanece como a fase mais complexa e ainda inconclusa do programa iniciado em 2008
Dezoito anos depois do acordo que deu origem ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), o Brasil já tem três submarinos da nova Classe Riachuelo incorporados à Marinha, colocou um quarto no mar e construiu em Itaguaí uma infraestrutura industrial que não existia quando a parceria com a França começou.
Mas o balanço de 2026 também deixa evidente o que ainda falta.
O Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA) Álvaro Alberto, descrito pela própria Marinha como o objetivo central — ou “objeto precípuo” — do PROSUB, ainda não chegou à fase de um navio completo pronto para testes no mar. Partes de sua estrutura e sistemas estão em desenvolvimento e construção, enquanto o programa avança para uma etapa tecnicamente muito mais complexa do que aquela enfrentada nos quatro submarinos convencionais.
É essa diferença entre o que já navega e o que ainda precisa ser construído que permite enxergar o PROSUB fora das cerimônias de lançamento.
Hoje, o quadro é relativamente simples: Riachuelo, Humaitá e Tonelero estão incorporados; o Almirante Karam foi lançado ao mar em 26 de novembro de 2025 e entrou na fase de testes de aceitação; o Álvaro Alberto continua sendo a grande entrega ainda pendente do programa.
O acordo de 2008 não previa apenas quatro submarinos convencionais
O ponto de partida está em 23 de dezembro de 2008, quando Brasil e França firmaram o acordo de cooperação na área de submarinos.
A Estratégia Nacional de Defesa daquele ano estabelecia que o País deveria contar com uma força submarina composta tanto por meios convencionais quanto por submarinos com propulsão nuclear. A parceria com a França tornou-se o caminho escolhido para criar a estrutura industrial e absorver parte da tecnologia necessária para chegar a esse objetivo.
O PROSUB passou a reunir três entregas de grande escala: a construção de quatro submarinos convencionais, a implantação da infraestrutura industrial e da base de apoio em Itaguaí e, finalmente, o projeto e a construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.
Há uma diferença importante nesse último ponto.
A França transfere conhecimento relacionado ao projeto e à construção naval, mas a tecnologia nuclear não faz parte da transferência francesa. O desenvolvimento da planta de propulsão nuclear, do combustível e dos sistemas associados é responsabilidade brasileira e está ligado ao Programa Nuclear da Marinha.
Por isso, os quatro convencionais são mais do que novos navios para a Esquadra. Eles também funcionam como uma longa etapa de aprendizado industrial antes do salto para o Álvaro Alberto.
Riachuelo chegou em 2022, Humaitá em 2024 e Tonelero em 2025
O primeiro resultado operacional dessa cadeia apareceu em setembro de 2022.
O Riachuelo (S40) tornou-se o primeiro submarino da nova classe incorporado à Marinha após cumprir seu programa de testes no porto e no mar. Mede aproximadamente 72 metros, possui propulsão diesel-elétrica e foi projetado para executar tarefas como negação do uso do mar, ataque, esclarecimento e operações especiais.
O segundo foi o Humaitá (S41). Sua entrega ao setor operativo ocorreu em 12 de janeiro de 2024, depois de uma sequência de testes que incluiu imersão dinâmica e imersão em grande profundidade.
O terceiro, Tonelero (S42), foi lançado ao mar em março de 2024 e entregue à Força de Submarinos em 26 de novembro de 2025.
A mostra de armamento daquele dia formalizou sua incorporação após a conclusão dos testes de aceitação. Com isso, a Marinha chegou a três submarinos convencionais do PROSUB efetivamente incorporados ao setor operativo.
A sequência representa uma entrega concreta que não deve ser diminuída no balanço do programa: o Brasil passou de absorver tecnologia estrangeira para construir submarinos modernos em território nacional, utilizando a estrutura industrial implantada em Itaguaí.
Mas as datas também mostram como o cronograma se deslocou ao longo dos anos.
Um cronograma antigo colocava o quarto submarino em 2023
Documentos públicos antigos do próprio PROSUB ajudam a medir essa mudança.
Em uma das previsões divulgadas pela Marinha, o Riachuelo deveria ser entregue em julho de 2020, o Humaitá em dezembro de 2021, o Tonelero em dezembro de 2022 e o então denominado Angostura, hoje Almirante Karam, em dezembro de 2023.
A execução real foi diferente.
O Riachuelo chegou ao setor operativo em 2022. O Humaitá, em 2024. O Tonelero, em 2025.
E o quarto submarino convencional somente foi lançado ao mar em 26 de novembro de 2025.
O antigo Angostura também passou por uma mudança de nome e hoje é o Almirante Karam (S43).
Ao ser colocado na água no Complexo Naval de Itaguaí, o submarino deixou a fase principal de construção em seco e ingressou no processo de testes de aceitação no mar, etapa que antecede sua transferência ao setor operativo.
A previsão divulgada pela Marinha é de incorporação em 2026.
Isso significa que, de todo o pacote de quatro submarinos convencionais contratado a partir da parceria de 2008, três já navegam operacionalmente e o quarto ainda precisa concluir os testes antes de entrar definitivamente para a Esquadra.
O Álvaro Alberto é justamente a entrega que diferencia o PROSUB
Se o programa terminasse nos quatro submarinos convencionais, seria uma grande renovação da Força de Submarinos. Mas não seria o objetivo completo do PROSUB.
Desde sua concepção, a Marinha apresenta o submarino de propulsão nuclear como a etapa que culmina o empreendimento. O próprio programa afirma que o projeto prevê quatro submarinos convencionais e, como objetivo central, o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.
É aí que está o maior desafio.
O Álvaro Alberto não deve ser confundido com um submarino equipado com armas nucleares. Trata-se de um submarino convencionalmente armado, mas movido por propulsão nuclear.
Essa diferença altera profundamente sua capacidade de permanência submersa e sua mobilidade quando comparada à de um submarino diesel-elétrico, que precisa administrar a energia armazenada em suas baterias e realizar procedimentos periódicos para recarregá-las.
O salto tecnológico também explica por que não basta simplesmente construir um “quinto Riachuelo”.
O Brasil precisa desenvolver e integrar a planta nuclear embarcada, validar sistemas, produzir o combustível, construir estruturas adequadas à operação e manutenção de um meio nuclear e passar por um processo específico de licenciamento e segurança.
O casco começou a deixar o papel, mas o submarino completo ainda está longe do mar
Dizer que o Álvaro Alberto “não existe” exige uma ressalva importante.
Ele ainda não existe como submarino completo, mas sua construção já produziu componentes físicos.
Em junho de 2024, a Marinha anunciou o primeiro corte de chapa destinado às cavernas da chamada Seção C Preliminar do casco resistente. Essa região é especialmente relevante porque está associada à área de geração da energia propulsiva.
O processo de licenciamento nuclear também já começou.
Segundo a Marinha, as bases de projeto preliminar receberam aprovação em 2020. Licenças parciais concedidas posteriormente permitiram avançar na construção do casco de pressão e de estruturas relacionadas.
Paralelamente, no Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, São Paulo, é desenvolvido o Laboratório de Geração Nucleoelétrica (LABGENE), instalação em terra destinada a permitir a validação da tecnologia que servirá de referência para a planta nuclear embarcada.
Ou seja: existe uma cadeia industrial, nuclear e regulatória em andamento. O que ainda não existe é o produto final que motivou todo esse sistema — o Álvaro Alberto pronto, lançado, testado e entregue à Força de Submarinos.
De 2008 a 2026, o PROSUB saiu do papel — mas ainda não chegou ao seu ponto final
O balanço após 18 anos, portanto, não cabe em duas interpretações simples.
Não é correto tratar o PROSUB como se nada tivesse sido entregue. O programa colocou três novos submarinos no setor operativo, construiu um quarto que já está no mar, implantou instalações industriais em Itaguaí e formou pessoal brasileiro para projeto, construção, integração e manutenção de submarinos.
Também seria incompleto medir o sucesso do programa apenas pelos Riachuelo, Humaitá, Tonelero e Almirante Karam.
A própria documentação da Marinha identifica o submarino de propulsão nuclear como o objetivo central do PROSUB.
É justamente essa entrega que ainda separa o programa de sua conclusão estratégica.
Em 2026, o cenário é de transição: a série dos quatro convencionais se aproxima do fechamento, com o Almirante Karam ainda precisando concluir seus testes e chegar ao setor operativo, enquanto recursos humanos, instalações, conhecimento e capacidade industrial passam a ser concentrados no desafio muito maior do Álvaro Alberto.
A próxima entrega concreta a observar é a incorporação do Almirante Karam. Depois dela, ficará ainda mais difícil medir o PROSUB apenas pela frota convencional.
A conta principal passará a ser outra: quanto tempo ainda será necessário para transformar quase duas décadas de transferência de tecnologia, construção naval e desenvolvimento nuclear no submarino que esteve no centro do programa desde 2008.
Marinha do Brasil — PROSUB: histórico, objetivos e estrutura do programa. Conheça o PROSUB
Marinha do Brasil — entrega do Tonelero e lançamento do Almirante Karam: documento oficial sobre a situação dos quatro submarinos convencionais e a transição para o Álvaro Alberto. Entrega do Tonelero e lançamento do Almirante Karam
Marinha do Brasil — construção do Álvaro Alberto: informações sobre o casco resistente e a etapa inicial de construção do submarino de propulsão nuclear. Avanços na construção do Álvaro Alberto
Planalto — acordo Brasil-França: texto do acordo na área de submarinos firmado em 23 de dezembro de 2008. Acordo Brasil-França na área de submarinos
Essa matéria parece ter uma pitada de critica ao atual governo más graças a ele o progara não parou e segue firme mesmo com o orçamento baixo deixado por aspirante de politico más os próximos 4 anos vai crescer
Pow, kd aquele submarino nuclear dos anos 80, tá submerso, foi fazer o filme Viagem ao Fundo do Mar ou Outubro Vermelho 2?
KD MB??? É td tão certinho na Marinha… Falaee vai!?
Submarino nunca “boiou”, “bóia” ou “boiará”. Submarino “flutua”.
Vixi. Muita inteligência num povo só.