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Sargento punido por ato no QG do Exército, candidato a distrital no DF, denuncia “pedição de dinheiro infernal” pra venda de votos em Brasília

Robson Augusto
Por Robson Augusto 16/09/2026 às 14:48
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Sargento punido por ato no QG do Exército, candidato a distrital no DF, denuncia “pedição de dinheiro infernal” pra venda de votos em Brasília
Sargento denuncia pedidos de dinheiro em troca de votos no Distrito Federal

Punido por participação nos acampamentos de Brasília, sargento da FAB se candidata a distrital no DF e reclama de eleitores civis e militares pedindo dinheiro pra votar nele.

O segundo-sargento da Aeronáutica Francisco Roksinaidy Sales Garção, identificado em novembro de 2022 participando de manifestações antidemocráticas em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, é hoje candidato a deputado distrital pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. Ele concorre pelo partido Mobilização Nacional (Mobiliza), com candidatura já deferida pela Justiça Eleitoral.

À época, segundo reportagens da Folha de S.Paulo, Metrópoles e do Brasil 247, o sargento, então na ativa, gravou vídeos em uma cozinha improvisada montada no acampamento golpista instalado após a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas. Vestindo avental e camisa verde e amarela, ele pedia doações via Pix e incentivava pessoas a se juntarem ao protesto, publicando legendas como “venha para o QG você também”.

As gravações, segundo as reportagens, somaram dezenas de milhares de visualizações no Instagram e no TikTok, onde o sargento já reunia milhares de seguidores.

Capturas de tela de reportagens sobre militar da ativa em atos na frente do QG do Exército Brasileiro

Infrações previstas no Código Penal Militar

Segundo especialistas em direito militar ouvidos pela imprensa à época, o caso poderia render ao sargento sanções que vão de advertência a prisão, além de eventual enquadramento nos artigos 359-L do Código Penal, que trata da abolição violenta do Estado democrático de direito, e 166 do Código Penal Militar, sobre crítica indevida.

Quase quatro anos depois, o sargento, hoje conhecido como “Roky” entre eleitores e apoiadores, lançou candidatura para a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ouvido pela Revista Sociedade Militar, ele afirmou que a Força Aérea, por determinação do Brigadeiro Batista Júnior, lhe impôs uma punição pela participação nos protestos. Disse ainda que a instituição já prepara outra punição para depois do pleito por declarações sobre “problemas internos”. Ele disse que “por enquanto” não pode ser preso em razão da proteção conferida a candidatos durante o período eleitoral.

Em vídeo publicado nas redes sociais nessa quarta-feira, 16 de setembro de 2026, a 19 dias da votação marcada para 4 de outubro, Roksinaidy relatou abordagens de eleitores e de colegas de farda pedindo dinheiro em troca de apoio.

Um suboficial queria vender o voto por R$ 500

O relato mais direto, porém, envolveu militares. Segundo Roksinaidy, o presidente de uma associação de militares, que ele não identificou, cobrou R$ 15 mil para apresentá-lo aos associados e declarar apoio à candidatura. “Você e a sua associação têm que continuar na merda, porque eu tô aqui atrás de direitos para vocês“, disse o candidato no vídeo, ao relatar a resposta que deu ao dirigente. Ele afirmou ainda que um suboficial lhe ofereceu voto em troca de R$ 500, oferta que também diz ter recusado.

“Eu também conversei com um grupo de colegas militares, tá? Conversei com o presidente de uma associação de militares aí, não vou falar qual, e o cara me cobrou R$ 15.000,00 para me apoiar, para me apresentar à associação dele. R$ 15.000,00 foi o que o cara me cobrou. Eu falei: ‘Irmão, você e a sua associação… é… têm que continuar na merda. Porque eu tô aqui atrás de direitos para vocês, botei minha carreira em risco no quartel, briguei com o quartel, briguei com o comando para denunciar algumas coisas assim que podem ser melhoradas para a gente. São coisas assim muito graves… Mas até dentro do quartel, um sub chegou em mim e falou assim: ‘Eu voto em você se você me der R$ 500,00’. Eu falei: ‘Não, sub. O senhor não vai votar em mim não, porque o senhor não vai pegar R$ 500,00 do meu bolso não. Nem meu, nem de lugar nenhum… “

Nas eleições de 2022, os 24 candidados eleitos para a Câmara Distrital no Distrito Federal tiveram no mínimo 11 mil votos. Para o pleito de 2026, o Distrito Federal tem 32 candidatos a deputado distrital oriundos das forças de segurança e das Forças Armadas, segundo levantamento do Metrópoles, movimento que reflete a presença crescente de militares e policiais na política local desde 2022.

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