Soldado do 6º Regimento de Infantaria, Abel Mendanha foi condecorado por missões realizadas em abril de 1945; sua trajetória também registra a disposição de voltar a uma patrulha depois de ferido.
O soldado Abel Antônio Mendanha levou informações aos destinatários sob bombardeio de artilharia e fogo de metralhadoras nos ataques de 27 e 28 de abril de 1945, durante a campanha da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. Morreu em ação no segundo dia, na região de Collecchio, aos 24 anos.
Integrante do 6º Regimento de Infantaria, ele teve sua atuação registrada na justificativa da Cruz de Combate de 1ª Classe. O documento revela as condições em que cumpriu as missões de mensageiro e também recupera um episódio anterior: no Morro Belvedere, após retornar ferido de uma patrulha, apresentou-se como voluntário para outra.
A trajetória está preservada pelo Museu Virtual da Força Expedicionária Brasileira, que disponibiliza biografias e documentos sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. O perfil utiliza como referências um boletim do Exército e a ficha de baixas do combatente.
As mensagens precisavam chegar durante os ataques
Nos dois últimos dias de sua vida, Mendanha desempenhou uma função de ligação entre os militares envolvidos nos ataques. A justificativa da condecoração registra que ele entregou as informações mesmo sob a ação de duas ameaças: os bombardeios de artilharia e as barragens de metralhadoras.
O reconhecimento descreve seu desempenho como “impecavelmente”. O termo é associado ao cumprimento da sua tarefa que era fazer as informações chegarem aos destinatários durante o combate. Foi nessa atividade que o soldado morreu.
A mesma justificativa menciona sua participação em ataques e patrulhas ao longo da campanha. Calma, tenacidade e sangue-frio são qualidades atribuídas a ele pelo documento militar reproduzido pelo Museu Virtual da Força Expedicionária Brasileira.
Ferido no Morro Belvedere, ofereceu-se para outra patrulha
O episódio do Morro Belvedere aparece na justificativa como outro exemplo de sua conduta em combate. Ao regressar de uma patrulha, já ferido, Abel Mendanha declarou que participaria de uma nova saída, inclusive se fosse necessário partir naquele momento.
Esse registro pertence a uma ocasião anterior às missões de abril. A disposição para voltar à atividade, apesar do ferimento, foi incorporada à avaliação de sua trajetória que fundamentou a concessão da medalha.
Ao tratar das diferentes ações, associa-se o reconhecimento ao comportamento do soldado durante a campanha. A homenagem contempla tanto o trabalho de mensageiro nos ataques finais quanto sua participação anterior nas patrulhas.
Collecchio e Fornovo marcaram o avanço final dos brasileiros
Os combates em que Mendanha morreu ocorreram durante a Ofensiva da Primavera, iniciada em 9 de abril de 1945. Naquele mês, os brasileiros avançaram por uma sequência de localidades italianas: Montese, Zocca, Montalto e Vignola aparecem entre os pontos conquistados antes da chegada à região de Collecchio.
A linha do tempo do museu situa a ocupação de Collecchio em 26 e 27 de abril e a de Fornovo di Taro em 28 de abril. As datas colocam as últimas missões do mensageiro no período dos combates que antecederam a rendição de milhares de militares alemães e italianos.
Até 30 de abril, quase 15 mil integrantes da 148ª Divisão de Infantaria alemã e remanescentes de outras unidades alemãs e italianas haviam se rendido à FEB, segundo a cronologia. Mendanha morreu antes de esse processo ser concluído.
O avanço brasileiro prosseguiu até o início de maio. Em 2 de maio, as forças alemãs renderam-se na Itália, e os expedicionários fizeram contato com tropas francesas em Susa, perto da fronteira. Entre a morte do soldado e esse encerramento das operações transcorreram apenas quatro dias.
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De Itaberaí ao sepultamento no cemitério de Pistoia
Mendanha nasceu em 30 de novembro de 1920, em Itaberaí, Goiás. Seu registro militar informa o embarque para a campanha em 2 de julho de 1944, vinculado ao 6º Regimento de Infantaria.
Após morrer na região de Collecchio, foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia. O cadastro preserva a localização do sepultamento: quadra C, fileira 2, sepultura 20.
A biografia também relaciona, além da Cruz de Combate de 1ª Classe, as medalhas de Campanha e Sangue do Brasil. As referências documentais incluem o Boletim do Exército Especial de 2 de dezembro de 1946, do acervo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB no Distrito Federal, e a ficha de baixas preservada no acervo do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.
A documentação conserva a ligação entre o nome do soldado, as tarefas que desempenhou e as circunstâncias de sua morte. As mensagens entregues durante os ataques estão no centro do reconhecimento concedido à sua atuação.
Sua trajetória terminou quando os brasileiros se aproximavam do encerramento da campanha. Nos registros da FEB, permaneceram tanto as missões sob fogo quanto a disposição demonstrada anteriormente, ao se oferecer para uma patrulha depois de ferido.
Como dar mais espaço à história de soldados como Abel Mendanha no ensino e nos museus brasileiros? Conte nos comentários quais iniciativas ajudariam a tornar essas trajetórias mais conhecidas.