Mais de 900 militares do Exército Brasileiro foram mobilizados em Santa Catarina para um exercício que colocou, dentro da mesma manobra ofensiva, morteiros, metralhadoras pesadas, blindados Guarani e fogo de artilharia. A concentração ocorreu durante a Operação Silva Paes 2026, conduzida pela 14ª Brigada de Infantaria Motorizada no Campo de Instrução Marechal Hermes, em Três Barras.
Realizada entre 23 e 25 de setembro, a operação fechou uma etapa importante do ciclo de instrução da Brigada Silva Paes. Estados-Maiores trabalharam no planejamento e na emissão de ordens enquanto as frações avançavam no adestramento voltado à Força de Prontidão Sul (FORSUL). No terreno, toda essa preparação terminou em um ataque coordenado com emprego real de diferentes sistemas de armas.
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Mais de 900 militares foram reunidos para um ataque coordenado em Santa Catarina

Segundo o Exército, os participantes pertenciam às Organizações Militares Diretamente Subordinadas à 14ª Brigada de Infantaria Motorizada. O exercício buscou aumentar a prontidão operacional e logística da tropa dentro de um cenário de operações ofensivas, exigindo coordenação entre comando, unidades de manobra, apoio de fogo e demais funções de combate.
O ataque coordenado foi a etapa que concentrou boa parte desse esforço. Em vez de avaliar isoladamente cada arma ou fração, a atividade colocou diferentes capacidades para funcionar dentro de uma mesma ação tática. O Exército destacou que o tiro das armas coletivas permitiu testar tanto o poder de fogo quanto a coordenação técnica dos militares envolvidos.
Para o comandante da 14ª Brigada, general de brigada Calderaro, a Silva Paes representa a principal missão operacional do ano da Grande Unidade. O exercício também marca o encerramento do ciclo de instrução, quando capacidades treinadas ao longo dos meses precisam aparecer de maneira integrada no campo.
Morteiros de 60 e 81 mm, MAG, .50 e artilharia de 105 mm entram na mesma operação

A lista de armamentos empregados ajuda a dimensionar o exercício. O Exército confirmou disparos com morteiros de 60 mm e 81 mm, além das metralhadoras MAG e calibre .50. São armas com funções e características diferentes, reunidas para apoiar a progressão das tropas dentro do cenário ofensivo montado em Três Barras.
O apoio de fogo chegou também à Artilharia de Campanha, que efetuou tiros de calibre 105 mm. A publicação oficial não informa quantas peças participaram nem identifica o modelo do obuseiro utilizado, um detalhe importante para não transformar uma possibilidade em dado confirmado. Também não foram divulgados os números de munições disparadas durante os três dias de treinamento.
O resultado foi uma demonstração que reuniu desde armas coletivas empregadas junto às frações até fogos de maior calibre. Em uma operação ofensiva, essa sincronização importa porque cada elemento precisa atuar no momento planejado para que o avanço da tropa não seja prejudicado e para que o poder de combate seja concentrado no ponto determinado pelo comando.
Guarani com REMAX leva metralhadora operada de dentro do blindado para o exercício

Entre os sistemas que mais chamam atenção nas imagens da operação está o REMAX instalado sobre a VBTP-MR Guarani. O Reparo de Metralhadora Automatizado X é uma estação de armas remotamente controlada e giroestabilizada desenvolvida a partir de requisitos do Exército Brasileiro pela ARES em parceria com o Centro Tecnológico do Exército.
O sistema pode receber metralhadoras de 12,7 mm ou 7,62 mm e permite que o militar faça a observação, a pontaria e o disparo permanecendo no interior protegido da viatura. O REMAX também utiliza recursos eletro-ópticos e estabilização em dois eixos, características que ampliam a capacidade de emprego do armamento em uma plataforma móvel como o Guarani.
No caso específico da Silva Paes 2026, o Exército confirmou o uso do REMAX e citou separadamente as metralhadoras MAG e .50, mas não informou qual armamento estava instalado em cada estação remota durante os disparos. A operação, porém, deixa evidente a intenção de trabalhar o blindado dentro de uma estrutura maior de apoio e manobra, e não como um equipamento isolado.
Operação Silva Paes prepara a Brigada para cenários de defesa externa
A Silva Paes faz parte de uma sequência de exercícios realizados pela 14ª Brigada durante seu período de adestramento avançado. Documentação do próprio Exército registra edições anteriores com diferentes problemas militares, incluindo segurança de área, logística, postos de comando e ataques coordenados com tiro real simultâneo de armas de apoio e tropas em manobra.
Em 2026, o exercício voltou a colocar o componente ofensivo no centro do treinamento. Durante três dias, o Campo de Instrução Marechal Hermes recebeu tropas, blindados e sistemas de apoio necessários para colocar os planejamentos dos Estados-Maiores diante das dificuldades práticas do terreno e testar o funcionamento conjunto das frações.
O encerramento com morteiros de 60 e 81 mm, MAG, metralhadoras .50, REMAX sobre Guarani e fogo de 105 mm deu à edição deste ano uma forte dimensão operacional. Para a 14ª Brigada, o objetivo declarado permanece ligado à defesa nacional: manter homens, comandos e meios preparados para serem empregados quando a Força Terrestre precisar concentrar suas capacidades em uma operação real.