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Engesa levou blindado brasileiro EE-T4 Ogum a Bagdá em 1989, mas o protótipo ficou no Iraque quando os técnicos voltaram ao Brasil em 1991

Thaís Souza
Por Thaís Souza 22/10/2026 às 13:38
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Engesa levou blindado brasileiro EE-T4 Ogum a Bagdá em 1989, mas o protótipo ficou no Iraque quando os técnicos voltaram ao Brasil em 1991
Engesa levou blindado brasileiro EE-T4 Ogum a Bagdá em 1989.

Fotografias e pesquisa de Expedito Carlos Stephani Bastos registram a apresentação do EE-T4 Ogum no Iraque e a trajetória do exemplar deixado em um quartel de Tikrit durante a Guerra do Golfo.

Um protótipo do EE-T4 Ogum, blindado leve desenvolvido pela Engesa, permaneceu no Iraque quando os técnicos brasileiros que acompanhavam o veículo retornaram ao Brasil, em 1991. Segundo o pesquisador Expedito Carlos Stephani Bastos, o exemplar foi deixado em um quartel do Exército iraquiano em Tikrit, durante a Guerra do Golfo.

Dois anos antes, o pequeno veículo sobre lagartas havia sido apresentado em uma exposição de produtos militares em Bagdá. Depois da mostra, ficou no país para testes. O relato está no estudo EE-T4 Ogum – O blindado leve da Engesa, de Bastos, pesquisador da história dos blindados brasileiros, acompanhado de fotografias da apresentação.

O destino posterior daquele exemplar permaneceu desconhecido para o autor. Sua passagem pelo Iraque faz parte da trajetória de um projeto brasileiro que chegou à construção de protótipos e às demonstrações no exterior, mas terminou sem produção em série.

O exemplar apresentado em Bagdá permaneceu para testes

A participação na Primeira Exposição Internacional de Produtos Militares, em 1989, colocou o Ogum diante do público iraquiano. As fotografias publicadas por Expedito Carlos Stephani Bastos identificam o veículo no evento e preservam um registro visual dessa etapa de sua apresentação internacional.

Concluída a exposição, o protótipo continuou em território iraquiano para avaliações. A sequência registrada pelo pesquisador passa, portanto, por dois momentos distintos: a apresentação em Bagdá e a permanência no país para testes.

O último ponto dessa trajetória descrito no estudo é o quartel em Tikrit. Em 1991, durante a guerra, o veículo ficou na instalação militar enquanto os técnicos da Engesa voltaram ao Brasil. Bastos informa que, depois disso, deixou de receber notícias daquele Ogum.

EE-T4 Ogum nasceu para atender à procura iraquiana por um blindado leve

O interesse do Iraque estava na origem do desenvolvimento. O país procurava um veículo sobre lagartas na faixa de quatro toneladas, destinado principalmente a funcionar como plataforma de armas leves. A Engesa trabalhou em uma configuração compacta, com possibilidade de transporte aéreo.

EE-T4 Ogum nasceu para atender à procura iraquiana por um blindado leve
Protótipos do EE-T4 Ogum. (Crédito: Expedito C. Stephani Bastos)

Os estudos começaram em novembro de 1985, e o primeiro protótipo ficou pronto em maio de 1986, para ensaios mecânicos. O programa avançou por modificações e novos exemplares até chegar ao quarto protótipo, apresentado em Bagdá com uma torre equipada com duas metralhadoras de 7,62 mm.

Essa sequência mostra que o veículo levado à exposição era resultado de etapas anteriores de desenvolvimento. A configuração apresentada ao mercado incorporava alterações feitas ao longo do programa.

Motores e configurações mudaram durante o desenvolvimento

Os protótipos também tiveram diferenças mecânicas. Segundo o levantamento de Bastos, os dois primeiros receberam motor diesel Perkins de 125 HP. Nos dois últimos, a empresa utilizou motor BMW de 130 HP, associado a uma transmissão automática ZF.

Para esses exemplares mais recentes, o estudo registra velocidade de 75 km/h e autonomia de 360 quilômetros. A proposta incluía diferentes versões sobre o mesmo chassi, entre elas transporte de pessoal, comando, ambulância e transporte de munição.

A variedade prevista ampliava as funções que a Engesa pretendia oferecer com a plataforma. O projeto, porém, permaneceu na fase de protótipos, sem uma linha de fabricação destinada a equipar unidades militares.

Projeto integrou a tentativa da Engesa de ampliar suas vendas externas

O Ogum também aparece na tese de Vanessa Cabral Gomes, apresentada à Universidade de Brasília em 2016, sobre políticas públicas e capacidades tecnológicas no setor de blindados. A pesquisa situa o veículo entre os produtos desenvolvidos pela Engesa com interesse no mercado externo.

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O trabalho distingue a trajetória desses projetos daquela alcançada pelo Cascavel e pelo Urutu, que tiveram fabricação em escala. Ogum, Sucuri e Osório permaneceram entre os programas que a empresa desenvolveu sem alcançar produção seriada.

Nesse conjunto, o episódio iraquiano preserva uma trajetória individual: um protótipo saiu do Brasil, foi exibido em Bagdá, permaneceu para testes e acabou deixado em uma instalação militar durante a guerra.

O retorno dos técnicos encerra o acompanhamento narrado por Bastos. Para aquele exemplar, o registro termina em Tikrit, com o pesquisador declarando desconhecer seu destino posterior.

Na sua avaliação, qual deve ser a prioridade para preservar a história de projetos como o Ogum: localizar os exemplares, recuperar documentos de fábrica ou registrar os relatos de quem trabalhou neles? Conte nos comentários.

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