Os sete novos Centauro II BR 8×8 do Exército Brasileiro entraram em produção na Itália. Militares brasileiros foram às instalações de Bolzano e La Spezia acompanhar a fabricação do lote armado com canhões de 120 mm, o primeiro da produção seriada dentro do programa que prevê 98 blindados.
A missão da Chefia de Material do Comando Logístico (C Mat/COLOG) inspecionou diretamente as linhas do consórcio fabricante. Segundo a apuração sobre a visita às fábricas italianas, os militares verificaram capacidades industriais, tecnológicas e de engenharia aplicadas ao chassi e ao sistema de torre.
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A nova etapa ocorre cerca de um mês depois da contratação dos sete Centauro II dentro do programa de 98 blindados. O lote se somará às duas viaturas que o Brasil já recebeu e testou.
Bolzano e La Spezia dividem produção do novo lote
A fabricação envolve duas importantes estruturas da indústria de defesa italiana.
A IDV responde pelos componentes automotivos, casco e integração final dos veículos sobre rodas, enquanto a Leonardo responde pelo sistema de torre, armamento, observação e controle de tiro dentro do consórcio CIO.
Na prática, a missão brasileira passou pelas instalações de Bolzano e La Spezia ligadas justamente a essas áreas. A fiscalização acompanha a execução industrial antes de as novas viaturas deixarem a Itália rumo ao Brasil.
A Leonardo confirma no contrato de produção em série que o lote reúne sete Centauro II 8×8 equipados com canhão principal de 120 mm. A empresa enquadra a encomenda em um programa total de 98 veículos, com entregas previstas em lotes anuais.
Centauro II leva canhão de 120 mm sobre oito rodas

O Centauro II leva para uma plataforma 8×8 de aproximadamente 30 toneladas um canhão de 120 mm, calibre normalmente associado a carros de combate.
O blindado utiliza a torre HITFACT MkII e reúne sistemas digitais de observação, aquisição de alvos e controle de tiro. O armamento estabilizado também permite disparos em movimento.
A escolha do Exército ocorreu depois de uma concorrência internacional. A IMBEL registra que o Centauro II foi o único dos três finalistas equipado com canhão de 120 mm. O LAV 700 AG e o ST1-BR, seus concorrentes na fase final, apresentavam canhões de 105 mm.
O próprio Exército relaciona a chegada do Centauro II à substituição dos antigos EE-9 Cascavel. A comunicação oficial da Força sobre a aquisição também confirma que os dois primeiros veículos passaram por cinco fases de avaliação na Itália e no Brasil antes da aprovação final.
R$ 420 milhões incluem blindados e suporte
O Exército não contratou apenas as sete viaturas. Um segundo acordo estruturou o suporte logístico necessário para operar e manter a nova frota.
Segundo informações apresentadas pelo Comando Logístico durante a assinatura e divulgadas após a formalização dos contratos, os dois contratos somam aproximadamente R$ 420 milhões.
O pacote logístico contempla ferramental, peças sobressalentes, treinamento e suporte para que o próprio Exército execute manutenções de primeiro e segundo escalões.
O cronograma prevê 26 meses para a entrega das sete viaturas, com conclusão até 31 de outubro de 2028. As primeiras unidades são esperadas no Brasil no início daquele ano.
Quando o lote estiver completo, o Exército terá nove Centauro II adquiridos: os dois veículos do lote inicial de avaliação e os sete da nova etapa.
Programa prevê chegar a 98 Centauro II
Os 98 blindados não estão todos contratados. O número representa o objetivo do programa, que deverá avançar por lotes sucessivos.
O Centauro II integra uma renovação terrestre muito maior. A RSM mostrou que o Programa Estratégico Forças Blindadas envolve mais de R$ 30 bilhões e cerca de 2.100 blindados até 2040, entre novos veículos e projetos de modernização da frota do Exército.
A incorporação também terá reflexos na Base Industrial de Defesa brasileira. O acordo de compensação prevê transferência de tecnologia em diferentes áreas.
A IMBEL já integra esse processo. A estatal informa que o acordo inclui transferência de conhecimento da munição 120 mm TP-T de treinamento, ampliando no Brasil o domínio tecnológico relacionado às munições usadas pelo Centauro II.