Uma comitiva do Exército Brasileiro atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana na quinta-feira, 22 de outubro, e seguiu para um encontro com a cúpula militar do país vizinho. À frente da delegação estava o general Luiz Gonzaga Viana Filho, comandante militar da Amazônia, recebido por representantes da Força de Defesa da Guiana (GDF) na ponte sobre o rio Tacutu.
O destino foi o quartel-general da GDF, em Georgetown, onde o brigadeiro Omar Khan discutiu com os brasileiros segurança da fronteira, troca de informações e ampliação do treinamento militar. A visita ocorreu poucos dias depois de o Senado brasileiro retirar de votação um acordo bilateral de defesa assinado há 17 anos.
Militares brasileiros foram recebidos na ponte que liga Bonfim a Lethem
A recepção começou na ponte internacional sobre o rio Tacutu, ligação terrestre entre Bonfim, em Roraima, e Lethem, na Guiana. Segundo o jornal Guyana Times, a equipe guianense foi liderada pelo tenente-coronel Jaime Castello, comandante do 3º Batalhão de Infantaria daquele país.
Inaugurada em 2009, a ponte permite a circulação entre os dois territórios e também já recebeu cerimônias militares conjuntas. Em setembro deste ano, soldados dos dois países participaram de uma solenidade com bandeiras nacionais no mesmo local, conforme registro da Força de Defesa da Guiana.

General da Amazônia levou comandantes da selva e da Operação Catrimani
Além de Viana Filho, a missão brasileira contou com o general de brigada Roberto Pereira Angrizani, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva; o general de brigada Klauber Rogério Candian, subcomandante da Operação Catrimani; e o coronel Bastos Costa, assessor do Comando Militar da Amazônia.
Já na Base Camp Ayanganna, em Georgetown, a delegação recebeu uma exposição sobre assuntos de segurança. Participaram do encontro o comandante da GDF, brigadeiro Omar Khan, e representantes da estrutura de defesa guianense. A visita colocou diretamente na agenda a cooperação militar ligada à fronteira amazônica do Brasil.

Guiana quer ampliar cursos militares e discute até treinamento de montanha
As conversas passaram por intercâmbio de informações, capacitação e desenvolvimento de oficiais. A Guiana já recebe apoio brasileiro na formação militar, especialmente em atividades de infantaria e sobrevivência na selva, mas as delegações examinaram novos cursos especializados e treinamento de montanha.
Omar Khan afirmou, segundo o relato divulgado pela GDF e reproduzido pela imprensa guianense, que instabilidades em outras partes do hemisfério podem gerar consequências regionais. Viana Filho defendeu a continuidade dos contatos e convidou Khan para visitar a sede do Comando Militar da Amazônia, em Manaus.
As informações divulgadas apresentam a visita como uma reunião de cooperação e planejamento. Não foi anunciado um novo deslocamento operacional de tropas, nem calendário para os cursos discutidos.
Encontro de outubro em Boa Vista já discutia problemas na fronteira
A viagem ocorreu depois de outra rodada de contatos entre as Forças Armadas. No início de outubro, Boa Vista recebeu o 29º Intercâmbio Militar Regional, com a participação de Angrizani e do capitão Vernon Burnett, da GDF.
De acordo com comunicado oficial da força guianense, os militares abordaram problemas que atravessam a fronteira, como garimpo ilegal, tráfico e redes criminosas transnacionais. A proposta foi melhorar a circulação de informações e a coordenação entre unidades que atuam em territórios vizinhos.
Acordo militar de 2009 ainda espera votação no Senado brasileiro
Há uma pendência institucional por trás dessa aproximação. Brasil e Guiana assinaram em 14 de setembro de 2009 um acordo de cooperação em defesa que prevê visitas oficiais, formação de pessoal, apoio logístico e intercâmbio de conhecimentos militares.
O PDS 240/2011, acompanhado pelo Senado, recebeu parecer favorável da Comissão de Relações Exteriores em 2 de setembro de 2026. Entretanto, foi retirado da pauta do Plenário em 15 de outubro e, na atualização de 16 de outubro, continuava aguardando inclusão na Ordem do Dia.
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Enquanto o acordo segue em tramitação no Congresso, os comandos militares mantêm reuniões e intercâmbios já documentados dos dois lados da fronteira.
Próxima etapa pode incluir visita do comandante guianense a Manaus
O convite feito por Viana Filho abre caminho para nova reunião no Comando Militar da Amazônia. As duas forças ainda precisam definir quais cursos e mecanismos adicionais de intercâmbio serão efetivamente implementados.
Com a ligação terrestre entre Bonfim e Lethem, Brasil e Guiana mantêm o diálogo entre comandantes enquanto o acordo de defesa continua pendente de decisão no Senado.