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De tanques argentinos a foguetes brasileiros: Brasil e Argentina transformam o Rio Grande do Sul em campo de testes para 2.300 militares, 80 blindados e armamentos dos dois exércitos

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 16/10/2026 às 16:53
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De tanques argentinos a foguetes brasileiros: Brasil e Argentina transformam o Rio Grande do Sul em campo de testes para 2.300 militares, 80 blindados e armamentos dos dois exércitos
Brasil e Argentina reúnem aproximadamente 2.300 militares e 80 blindados no Exercício Combinado Arandu 2026, no Rio Grande do Sul, com emprego de tanques, veículos mecanizados e sistemas de foguetes. Foto: Exército Brasileiro

O Exercício Combinado Arandu 2026 reúne carros de combate Leopard 1A5 BR e TAM 2C-A2, blindados Centauro II, Guarani e Stryker, além de sistemas de foguetes e aeronaves, em operações militares que colocam à prova a capacidade de combate e a logística dos dois exércitos.

O interior do Rio Grande do Sul se transformou em um extenso campo de manobras militares para tropas do Brasil e da Argentina. Cerca de 2.300 militares, 80 veículos blindados sobre rodas e esteiras e aproximadamente 300 veículos de transporte e apoio logístico participam do Exercício Combinado Arandu 2026, que reúne alguns dos principais equipamentos de combate dos dois países.

As operações acontecem principalmente em Rosário do Sul, no Campo de Instrução Barão de São Borja, também conhecido como Campo de Instrução de Saicã. As atividades envolvem deslocamentos de unidades blindadas, exercícios de tiro real, emprego de sistemas de armas e coordenação entre tropas que utilizam equipamentos e procedimentos operacionais diferentes.

Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (16) pela revista especializada InfoDefensa, o Brasil mobilizou aproximadamente 1.950 militares, enquanto a Argentina participa com 350 integrantes de suas forças terrestres.

O treinamento representa uma oportunidade para observar, no mesmo ambiente operacional, veículos recentemente incorporados ou em processo de modernização, como o Centauro II brasileiro, o Stryker argentino e o TAM 2C-A2, além dos tradicionais Leopard 1A5 BR empregados pelo Exército Brasileiro.

Leopard, TAM, Centauro II e Stryker: blindados de dois países operam no mesmo terreno

Foto: Exército Brasileiro
TAM 2C-A2 Foto: Exército Brasileiro

Entre os equipamentos mobilizados pela Argentina estão os carros de combate TAM 2C-A2, versão modernizada do Tanque Argentino Médio, e os veículos blindados Stryker 8×8, recentemente incorporados à estrutura de suas forças terrestres.

O TAM 2C-A2 representa uma evolução de um veículo conhecido das tropas argentinas, com melhorias voltadas aos sistemas de observação, controle de tiro e capacidade de combate. Já o Stryker oferece mobilidade sobre rodas e capacidade de transporte de militares, características importantes nas operações mecanizadas.

Foto: Exército Brasileiro
Foto: Exército Brasileiro

Do lado brasileiro, o exercício reúne três plataformas com funções distintas: o Leopard 1A5 BR, empregado como carro de combate; o Guarani 6×6, destinado principalmente ao transporte protegido de tropas; e o Centauro II 8×8, blindado de combate sobre rodas equipado com canhão de 120 mm.

A presença simultânea desses veículos chama atenção porque não se trata apenas de reunir blindados em uma área de treinamento. Cada modelo foi desenvolvido para cumprir missões específicas, com diferentes capacidades de proteção, mobilidade, poder de fogo e apoio às tropas.

Nas manobras combinadas, o desafio é coordenar esses meios de forma que unidades brasileiras e argentinas consigam atuar dentro de um mesmo planejamento tático.

Os exercícios também envolvem comunicações militares, sensores e sistemas de comando e controle, fundamentais para transmitir ordens, compartilhar informações e coordenar as ações das unidades no terreno.

Foguetes Astros reforçam o exercício após deslocamento de 2.800 quilômetros

Foto: Exército Brasileiro
Foto: Exército Brasileiro

Entre os meios brasileiros empregados no Arandu está o sistema Astros, desenvolvido para lançar foguetes e, conforme a configuração, mísseis táticos a partir de plataformas móveis.

Os veículos do 6º Grupo de Mísseis e Foguetes (6º GMF) percorreram aproximadamente 2.800 quilômetros desde Formosa, em Goiás, até o Rio Grande do Sul.

O deslocamento levou seis dias e contou com apoio de estruturas logísticas militares encarregadas do transporte de munições, suprimentos e combustível. Segundo a InfoDefensa, o comboio conseguiu completar a viagem sem depender de abastecimento em postos comerciais civis.

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O percurso tem relevância operacional. Equipamentos de grande porte, como os lançadores Astros, exigem planejamento de itinerários, manutenção preventiva, transporte de suprimentos e capacidade de sustentação das unidades durante deslocamentos prolongados.

Mais do que levar lançadores ao campo de instrução, a operação permite exercitar uma exigência central das forças terrestres: movimentar armamentos pesados por longas distâncias e mantê-los em condições de emprego após a chegada ao destino.

O deslocamento do 6º GMF também havia sido noticiado pela Revista Sociedade Militar em 6 de outubro, quando a unidade iniciou sua movimentação estratégica para participar das atividades com o Exército Argentino.

Argentina transportou blindados por ferrovia para atravessar a fronteira brasileira

A movimentação argentina também exigiu uma operação logística envolvendo diferentes modalidades de transporte.

Parte dos blindados, veículos militares e equipamentos de apoio foi deslocada pela malha ferroviária, enquanto outros meios seguiram por comboios rodoviários até o território brasileiro.

Entre os equipamentos movimentados estavam os carros de combate TAM modernizados e os blindados Stryker. A operação também envolveu o transporte de munição, combustível, peças de reposição e materiais necessários à manutenção dos veículos.

O emprego das ferrovias para transportar blindados pesados demonstra uma dimensão menos visível dos exercícios militares: a capacidade de deslocar forças mecanizadas entre regiões e países sem depender exclusivamente das rodovias.

Para que esses veículos possam participar das manobras, não basta transportá-los até o local. É necessário garantir que cheguem acompanhados dos recursos necessários para operar e que possam receber manutenção durante as atividades.

A logística, nesse contexto, é parte do próprio treinamento militar.

Governo brasileiro autorizou a entrada de 350 militares argentinos com armamentos e munições

A participação das tropas estrangeiras foi formalmente autorizada pelo Governo Federal por meio do Decreto nº 13.132, de 6 de outubro de 2026, publicado no Diário Oficial da União no dia seguinte.

O documento autorizou o ingresso e a permanência temporária de 350 militares argentinos, acompanhados de aeronaves, veículos, armamentos, munições, equipamentos ópticos, sensores e sistemas de comando, controle e comunicação.

O decreto estabelece o período de 10 a 17 de outubro para o exercício em Rosário do Sul. A cobertura da InfoDefensa, por sua vez, informa atividades até 18 de outubro, indicando um calendário operacional mais amplo que o intervalo especificado no ato de autorização.

A presença das tropas argentinas ocorre dentro de um acordo bilateral de cooperação em defesa entre os dois países, permitindo a realização de treinamentos destinados a aperfeiçoar a interoperabilidade das forças terrestres.

O que Brasil e Argentina pretendem testar com 80 blindados no Rio Grande do Sul

Foto: Exército Brasileiro
Stryker 8×8 Exército Argentino Foto: Exército Brasileiro

A concentração de 80 veículos blindados, 2.300 militares e centenas de meios logísticos oferece aos dois exércitos uma oportunidade de treinamento difícil de reproduzir em exercícios de menor escala.

As atividades permitem avaliar a coordenação de unidades de combate, o emprego combinado de diferentes veículos, a comunicação entre forças estrangeiras e o funcionamento das estruturas logísticas responsáveis pela sustentação das tropas.

Existe uma diferença importante entre possuir equipamentos militares modernos e conseguir empregá-los de forma coordenada em operações de maior complexidade. É justamente essa integração que exercícios como o Arandu procuram desenvolver.

A edição de 2026 também coloca lado a lado veículos de diferentes gerações, alguns com décadas de utilização e outros recentemente adquiridos, permitindo que as tropas pratiquem procedimentos de emprego conjunto em condições de campo.

Com a aproximação do encerramento das atividades, previsto no calendário operacional divulgado para este fim de semana, o resultado mais importante não será simplesmente a quantidade de blindados mobilizados, mas o que brasileiros e argentinos conseguirão aperfeiçoar em termos de coordenação, deslocamento e emprego de suas forças terrestres.

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