Diante das indefinições sobre quem será o novo presidente do Brasil, a segurança pública, o posicionamento no mundo e a autonomia estratégica do país, incluindo eventual adesão ao Escudo das Américas, foram tema de uma análise publicada pelo IISS, um dos principais centros de estudos estratégicos em defesa do mundo.
Nesta segunda-feira, 12 de outubro, Irene Mia, editora do Armed Conflict Survey e pesquisadora sênior para a América Latina, argumentou que, caso Flávio Bolsonaro seja o próximo presidente do Brasil e estreite os laços com os EUA, a autonomia estratégica do país poderá ser limitada.
Apesar de reconhecer que a cooperação internacional se tornou indispensável para qualquer estratégia de segurança que busque combater as poderosas redes criminosas que operam além das fronteiras, a especialista disse que, no caso dos países da América Latina, é preciso avaliar qual o tipo de cooperação internacional em segurança é de fato mais vantajoso, especialmente considerando as limitações que pode impor à capacidade das nações de agir de forma independente e às decisões da política externa em geral.
Adesão ao Escudo das Américas pode esconder risco ao Brasil
Para Irene Mia, se o Brasil aderir ao emblemático Escudo das Américas, coalizão formada por Donald Trump que reúne 17 países do continente americano com motivações de segurança e combate à influência chinesa, poderá estar equipado com ferramentas e recursos adicionais para combater o crime organizado e facilitar as relações diplomáticas com governos regionais da extrema direita.
Por outro lado, “os termos da cooperação podem limitar a capacidade de Brasília de manter a autonomia nacional e parcerias diversificadas”.
“É improvável que os EUA intervenham em território brasileiro, especialmente considerando a longa cooperação em inteligência e aplicação da lei, que se manteve durante o governo Lula. Contudo, se a experiência passada serve de indicação para a política futura, Washington provavelmente exigirá um alinhamento mais estreito do Brasil com sua agenda geopolítica, notadamente em relação às relações com potências externas, o Sul Global e os membros do BRICS, bem como na gestão de seus vastos recursos minerais críticos”.
Os riscos inerentes ao Escudo das Américas também foram abordados pelo ex-ministro da Defesa Celso Amorim em entrevista ao canal do YouTube Tutaméia TV no último dia 9 de outubro. Segundo o diplomata, a soberania de cada país deve ser respeitada e a coalizão ameaça os 156 anos de paz da América do Sul.
“Eu fui ministro da Defesa e sei como essas coisas são complicadas. Às vezes não é nem intenção, mas em perseguição a um grupo que atravessa a fronteira, o outro atravessa também, e aí começa uma guerra. Assim começam as guerras. Nós [brasileiros] somos muito contra esse tipo de trabalho”.
Forças Armadas brasileiras podem resistir
Apesar de ter maioria no Congresso caso seja eleito, Flávio Bolsonaro poderá fazer menos mudanças radicais do que deseja, na avaliação da pesquisadora do IISS.
Segundo ela, grupos influentes do Brasil, incluindo setores das Forças Armadas, podem resistir a medidas que permitam interferência externa ou prejudiquem a autonomia estratégica de Brasília.
“A importância da China como principal parceira econômica do Brasil, juntamente com a influência do setor agroindustrial, que se beneficia da demanda chinesa, também pode limitar a margem de manobra de Bolsonaro”, argumenta.
O acordo Mercosul-União Europeia, iniciado em 2026, também poderá, na visão de Irene Mia, reforçar o interesse em parcerias europeias e dar ao Brasil incentivo adicional para diversificar os laços internacionais.
Outro ponto levantado pela especialista é que as ambições de Flávio Bolsonaro de combater o crime organizado e a priorização da expansão agrícola, em detrimento da proteção ambiental na Amazônia, poderão prejudicá-lo e também prejudicar a relação do Brasil com os EUA.
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“Uma fiscalização ambiental mais branda poderia criar mais oportunidades para grupos criminosos já estabelecidos na região, atraídos por sua riqueza natural (incluindo ouro), localização estratégica nas rotas do narcotráfico para a Europa e fraca presença do Estado. Isso poderia aumentar ainda mais seu poder econômico e influência política, gerando tensões na relação bilateral com os EUA e, em última instância, acarretando um custo eleitoral para Bolsonaro nas próximas eleições”.
No mesmo relatório em que criticaram o Banco Central brasileiro por “tratamento preferencial ao Pix”, os EUA afirmam que a exploração e o comércio de madeira extraído ilegalmente de áreas como a Amazônia colocam empresas norte-americanas que cumprem leis ambientais em desvantagem.
O documento ainda joga luz sobre a mineração ilegal de ouro, também apontada como prejudicial a empresas norte-americanas que cumprem leis ambientais e padrões trabalhistas.
“Partes interessadas dos Estados Unidos expressaram preocupações sobre a mineração ilegal de ouro no Brasil, impulsionada por fiscalização fraca e capacidade limitada nos níveis nacional e estadual, além da alta lucratividade do ouro ilícito”, diz parte do relatório.
Participação no Escudo das Américas define pesos e medidas das críticas?
Mesmo com queda recorde no desmatamento da Amazônia, ampliação do combate aos crimes transnacionais e ausência na lista de 23 países com maior produção e trânsito de drogas ilícitas – elaborada pelos próprios EUA -, o Brasil foi nominalmente citado e criticado pelo governo Trump no relatório de segurança para 2027.
O mesmo ocorreu com o México e com o Canadá, ambos não governados por presidentes de extrema direita, nem participantes do Escudo das Américas.
“O Governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas como PCC e CV, que transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína. Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”.
Ao mesmo tempo, o governo Trump distribuiu elogios aos aliados do Escudo das Américas que estão entre os maiores produtores e transportadores de drogas ilícitas, como a Venezuela.
“Diante das medidas positivas tomadas sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, determinei que a Venezuela não deve mais ser considerada como tendo falhado comprovadamente no cumprimento de seus compromissos de controle de drogas. Espero ver progressos contínuos e mensuráveis por parte do governo interino no desmantelamento de grupos narcoterroristas e no combate ao narcotráfico que atravessa a Venezuela rumo aos Estados Unidos”, disse o governo nortre-americano no relatório.
EUA só quer roubar, não ajuda ninguém, se o Brasil permitir bases norte americana aqui será o fim das Forças Armadas, com base yankee aqui não investirao mais em defesa e seremos um quintal deles.
Depois dizem que são patriotas só jogão contra em que o Trump está te ajudando bando de deportado o acid vem aí
Jamais temos que entrar nesse escudo das Américas, presamos pelo multiteraralismo de negociações mundial, não ao bilateralismo, sendo comandados nossa riquezas para os estados unidos, nem aceitar base militar dos EUAs na Amazônia legal, é a porta de exploração dessa nação imperialista.
Acho q Brasil tem q reforçar suas defesas,quem sabe,pode ate haver críticas, mas aderir a produzir armas nucleares, e ficar independente, nao puxar saco de ninguém, pois muitos países dependem do que produzimos aqui,somos uma potência, parar de sermos baba ovo de este ou aquele governo,perdão a expressão
Como disse Enéas, um país deve está preparado para a guerra.
O país não deve querer a guerra, mas deve está preparado para a guerra.
A política do itamaraty sempre foi negociar com todos os gov pra n dependermos de ngm. Nossa economia cresceu desde as tarifas de trump pq diversificamos mercado. Tao tentando nos colonizar
O verdadeiro inimigo do Brasil é o “Tio SAM”. Durante o golpe de 1964 m@taram centena de cientistas no Brasil com a ajuda de milit@res tr@idores. Depois novamente durante a lava-jato e na invasão de Brasília (Kids preto). Agora já tem uma ala comandada pelo Montenegro pronta para entregar o Brasil aos “Tio SAM”
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Eles só criticam os que discordam.